NENÊ NARRANDO Assim que eu entrei naquele galpão, o clima pesado já batia na cara. O cheiro de mofo misturado com o medo impregnava o ar. Não precisei de muito tempo pra encontrar o traidor, Toninho já tava amarrado na salinha. Betinho e Carioca estavam lá também, parados, me esperando. Eu só precisei olhar pros dois pra entender que já sabiam o que ia acontecer. Não era a primeira vez que faziam parte de um show assim. Meu olhar caiu direto no Toninho. O cara tava suado, as roupas grudadas no corpo, o cabelo desgrenhado. Mas ainda assim, o filho da püta teve a ousadia de abrir a boca. — E aí, Monstro, que que tá pegando? Só que ele sabia. Tava escrito na cara dele, no jeito que o olho dele tremia quando me encarava. Ele sabia que tinha füdido tudo. E eu não tava ali pra conversar. M

