Zoio narrando Quando o primeiro tiro cantou lá no alto, eu já tava no pé da escada, com o rádio grudado no ouvido e o coração acelerado. — Invasão confirmada! — gritou alguém na linha. A rua virou um campo minado em segundos. Sem pensar duas vezes, saí correndo pelas vielas, pulando buraco, passando por cima de lixo, desviando de estilhaço, com o fuzil travado no braço e o sangue quente. Os vapores do Morro Parada de Lucas vinheram pesadão, com os do Morro da babilônia, achando que ia ser passeio. Mas esqueceram que aqui tem cria com coragem. Aqui é Vidigal, p***a. Tava correndo por uma viela estreita quando ouvi uma voz familiar. Uma voz fina, desesperada. Me escondi atrás de uma parede e me estiquei devagar até enxergar de canto. Era a Karina. Encurralada no fim do beco, com

