Era dia da alta de Mari, Lillian conseguiu dispensa mais cedo, passou em casa, tomou um banho, ajeitou o que pôde no quarto dela. Deixou a diarista com o trabalho pesado, lhe pagaria o dobro depois. Conferiu as encomendas dos doces preferidos da irmã, No fim e com o coração cheio de esperança pegou o retrato com a foto da mãe de cima da mesinha de canto, tocou-lhe o rosto e esperou por Marcelo.
O carro dela ficaria na garagem, Marcelo havia comprado os tais jogos, e junto deles um videogame novo que instalou na sala. O som da buzina fez o coração de Lillian acelerar ainda mais.
— Bom dia princesa. - Marcelo berrou.
— Bom dia, e não, não sou princesa nenhuma. - Ela entrou no carro.
Marcelo adorava aquelas respostas de Lillian, sorriu enquanto acelerava pelas ruas de Marília.
— Agora que a sua irmã está indo para casa, o que acha de assistir um filme em casa? - Ele a olhou de lado. — Sexta estamos livres. E é a sua única folga.
— Po... Não vou poder, Marcelo. Tenho uns assuntos para resolver.
— Se mentir para mim, sabe que te encontro né?
— p***a. O Doutor me chamou para um jantar.
— Ele vai te comer. – Marcelo deu um sorriso de lado.
— Não vai, seu pervertido. - Ela desviou os olhos para a janela. — Ele me agradeceu pelo cuidado em manter a briga longe dos ouvidos da mãe dele.
— Sei. - Marcelo sorriu de lado outra vez, um pouco enciumado talvez. —Então tá, sai com o médico rico, e depois me fala.
— Porque essa acidez toda?
— Sei lá Lili, esse tipo gosta de comprar favores, você sabe.
— Marcelo. - Lillian virou o rosto na direção do amigo. — Eu não sou bobinha, e ele não tentou se aproveitar da situação. Sou adulta e sei parar, caso haja palhaçada. Entendeu?
— Você que manda. - Marcelo parou o carro. — Chegamos patroa.
— Pensei que sairia com a Isabela na sexta. Vocês sempre saem.
— Não quis. Disse para ela que ficaria em casa.
Lillian soltou o ar com força, eram amigos, mas Marcelo não sabia aceitar quando Lillian falava de outros homens, enquanto ele passava o p***o no mundo.
— Desce ou não? – Ela o encarou.
— Vamos.
Lillian passou pela recepção, entrou no elevador e pediu a funcionária para deixá-la no andar da oncologia. Se adiantou até o quarto de Mari, a porta estava fechada, ao abrir notou uma mulher ali, sentada na cadeira, com as pernas cruzadas e um tablet nas mãos.
— Bom dia. - Lillian disse, já que o silêncio estranho era culpa dela.
— Bom dia. - A mulher se levantou. — Lembra do que conversamos Marion. Fique bem. - Ela deslizou os olhos de Mari para Lillian. — Com licença.
— Claro. - Lillian lhe deu passagem.
— Ela me disse que se chama Helena.
— E o que ela queria?
— Fez umas perguntas sobre nós, nossos pais. Tipo nome, se eu tinha um quarto só para mim. Eu disse que não só o quarto, mas dividia uma casa enorme com você. Ela anotou tudo, me disse que eu não podia me sentir sozinha e que o tratamento exigia alguém aqui a todo tempo. Você chegou e ela saiu.
— Ótimo. Agora vamos ter ajuda para cuidar da nossa vida.
— Deixa pra lá Li, o importante é que hoje eu estou de volta à vida.
— Se arruma, vamos embora daqui.
(***)
Júnior soube que Lillian e Marion estavam de partida, não teve tempo de ir até elas, e também não queria ficar em cima o tempo todo. Permaneceu em movimento pelo hospital durante do dia.
Benjamin começava a lutar contra a infecção, e mesmo em estado terminal seria tirado do coma e mantido confortável.
Júnior m*l podia esperar pelo final de semana. Teria Lillian, de uma forma ou de outra.
(***)
Marion entrou na casa, subiu para o quarto, sentou na cama e soltou o ar preso em seus pulmões, sentia falta de tudo ali. Do cheiro de limpeza que Lillian gostava de manter, da maciez da cama e da vista que tinham. Pegou o retrato com a foto dela e da mãe, beijou e o levou ao peito.
— Eu ainda estou aqui mãe. - Ela sussurrou. — Vamos conseguir fazer a Lilli sorrir. Eu sei que você queria isso, então eu também quero. - Levantou o retrato na altura dos olhos e sorriu. — Eu te amo, e sinto sua falta.
Mari deixou o retrato no lugar, tomou um belo banho, já nem se assustava mais com os hematomas que apareciam de uma hora para outra, o pouco cabelo que ainda tinha caía cada vez mais, então ela saiu do box com o corpo pingando, abriu a pequena gaveta e se olhou no espelho, queria mesmo deixar de viver, mas não podia. Não ainda. Levantou a tesoura e cortou uma mecha, depois outra e outra, até que os poucos fios não estivessem mais em sua cabeça. Procurou pela lâmina nova e se olhou no espelho.
— Lá vamos nós.
Enquanto Mari tomava banho, Lillian se movimentava na casa, Marcelo procurou pela playlist preferida de Mari.
— Ela é uma mulher no corpo de uma menina. - Marcelo sorriu ao conectar o celular na caixa de som. — Henrique e Juliano, Jorge e Mateus.
— Jorge e Mateus, - Lillian abriu a porta da geladeira. — Minha mãe gostava muito, e eu acho que Mari quer mantê-la viva. Agora, - Ao fechar a porta deu de frente com Marcelo. — p***a Marcelo. - Ela ralhou com ele.
— Henrique e Juliano? - Ele a encarou diretamente. — Continua?
— Os caras são gostosos pra caramba. É coisa de menina.
— E você? - Marcelo indagou, com um sorriso safado na boca. — Do que você gosta?
— Sei lá, qualquer coisa que não envolva sentimentos, bar e choro. De resto está bom. – Deu de ombros.
— Eu sei o que você gosta. - Marcelo a prensou contra a pia.
— Marcelo, tem gente em casa.
Marcelo deu uma olhada para a escada, a mão subiu até os s***s de Lillian. Estava sem sutiã.
— Ela sempre demora no banho, e você está desfilando com essa camiseta transparente e essa calça de academia, marcando essa b***a que adoro me enfiar. – Passou a língua pela orelha dela, causando arrepios.
Lillian fechou os olhos, a respiração acelerou quando Marcelo invadiu a calça dela e enfiou os dedos em sua a******a.
— Molhada, soldado Nascimento? - Ela gemeu em resposta.
Com um movimento, Marcelo virou-a de frente para si, praticamente chocou a boca contra a dela enquanto as mãos ávidas apertavam os s***s macios de Lillian. Deslizou as mãos pelas laterais do corpo dela parando na b***a. Lillian se afastou, desceu a calça e virou-se de costas. Marcelo até sentiu a mão formigar, mas não podia dar um tapa merecido naquela b***a má. Arriou as calças, satisfeito por ter em fim colocado uma camisinha na carteira. Rápido a deslizou em seu m****o, e se enfiou em Lillian, sentiu a a******a dela o abraçando e se enfiou ali. Enterrou a mão nos cabelos fartos e estocou.
Lillian mordia os lábios para não gemer, o ventre em contato com a pedra fria da bancada. De olhos fechados imaginou-se naquela sala, debruçada contra a mesa de madeira, enquanto sentia o médico se movimentar dentro dela, o choque dos corpos e o ranger da madeira. As mãos grandes de Júnior em si, apertando-a.
Sentiu o orgasmo vindo e jogou a cabeça para trás, Marcelo que estava por um triz, se derramou nela. Afastou-se e rumou até o lavabo. Enquanto Lillian permaneceu de olhos fechados, a vergonha de usar um, pensando em outro queimando o rosto. Por fim, se ajeitou e foi em busca da irmã.
— Mari? - Entrou no quarto a procura da irmã. Abriu a porta do banheiro e estacou. — Marion, o que você fez?