Capítulo 4
ÍTALO NAVARRO
Eu respirei fundo, sentindo o calor do whisky descer pela minha garganta. Precisava de algo pra acalmar os nervos, porque eu sabia que a noite ainda seria longa ... muito longa . Larissa . Essa mulher estava mexendo comigo de uma maneira que ninguém jamais havia feito . Desde que pousamos em Veneza, eu sentia o ar carregado de tensão, e ela estava jogando com isso .
Ela achava que podia me provocar, me testar até o limite, mas o que ela não entendia é que eu a conhecia bem demais . Sabia que, por trás de todo aquele orgulho e rebeldia, havia desejo . Ela sentia tanto quanto eu, e era isso que a estava fazendo perder o controle . Mas, dessa vez, eu ia deixar claro quem realmente mandava nessa relação .
Ela não conseguia me enganar . Não depois de tudo o que passamos antes desse malditö casamento forçado.
Lembranças das vezes que ficamos juntos antes do casamento surgiram na minha mente . Larissa nunca foi indiferente a mim, mesmo quando fingia ser . Ela demonstrou, de várias formas, que tinha sentimentos por mim, mesmo sem querer . Então, por que agora ela estava agindo assim, ainda mais rebelde do que nunca? Eu podia entender o orgulho dela, a raiva de ter sido empurrada para esse casamento . Mas ela sabia que, se me desse uma chance, seria diferente .
Se ela me deixasse mostrar, ela saberia o quanto eu a desejava .
Terminei o whisky com um único gole e coloquei o copo na mesa de cabeceira . O que quer que ela estivesse planejando, não ia funcionar . Quando ela saísse daquele banheiro, eu ia tomar o controle dessa situação de uma vez por todas . Íamos föder a madrugada inteira, e eu ia provar que o que existia entre nós era muito mais do que ódio .
Mas a verdade é que ... eu sabia que ela me desejava tanto quanto eu a desejava .
Enquanto meus pensamentos corriam, a porta do banheiro se abriu lentamente, e Larissa apareceu, usando a lingerie branca que eu tinha pedido para deixar na cama . Meu corpo inteiro reagiu ao ver como a renda delicada se ajustava às curvas perfeitas dela, e por um momento, o quarto pareceu ficar pequeno demais para conter tanta tensão. Ela não disse uma palavra, mas seus olhos me provocavam.
De novo.
Ela estava brincando com fogo, e eu sabia que não ia demorar até que ela se queimasse.
— Não demora muito. — ela disse, jogando um olhar desafiador antes de me virar as costas e caminhar até a cama. O sorriso no canto dos lábios dela me deixou louco.
Eu sabia o que ela estava fazendo. Provocando. Testando.
Eu soltei o ar que nem percebi que estava segurando e entrei no banheiro, tentando me acalmar antes de perder a cabeça completamente. Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre meus ombros, tentando clarear os pensamentos. Ela quer me provocar? Ótimo. Eu posso jogar esse jogo também.
Enquanto eu me ensaboava, minha mente não conseguia parar de pensar no que iria acontecer. Eu queria ela de todas as formas possíveis. Não era só físico – claro que havia essa parte também, mas... era mais profundo. Larissa me atraía de uma forma que eu não sabia explicar. E agora que ela era minha mulher, eu estava determinado a mostrar a ela que esse casamento não era o pesadelo que ela imaginava.
Ela ia ceder.
Com essa certeza na cabeça, desliguei o chuveiro e peguei a toalha. Demorei um pouco mais do que o necessário no banheiro, deixando a expectativa crescer. Estava pronto para ir atrás dela, tomar o que era meu por direito. Afinal, aquela era a nossa lua de mel. Larissa podia tentar resistir, mas sabia que no fundo... ela me queria tanto quanto eu a queria.
Quando saí do banheiro, já preparado para confrontá-la, o quarto estava vazio. Vazio.
Por um segundo, eu fiquei parado, olhando em volta como se tivesse imaginado a coisa toda. Mas o silêncio no quarto era palpável . Ela não estava aqui . A cama estava desfeita, as pétalas de rosas espalhadas pelo chão, e nem sinal da filha da putä da minha noiva, essa mulher vai me enlouquecer.
Foi então que eu vi o bilhete.
Um simples pedaço de papel, dobrado de maneira displicente sobre a almofada . Peguei o papel com força, quase rasgando ao abrir.
"Amor, fui aproveitar nossa lua de mel aqui em Veneza. Se comporte, ein? Logo volto.
Beijos da sua linda esposa,
Lari Williams."
— É NAVARRO, CARALHÖ! NÃO WILLIAMS!
Senti o sangue subir à cabeça. Ela só podia estar brincando comigo.
Ela tinha saído. Tinha ido embora? Como se essa fosse uma malditä piada. Eu li o bilhete de novo, tentando controlar o surto que estava prestes a acontecer. Mas não havia controle. Larissa estava me provocando de todas as maneiras possíveis, e eu estava prestes a explodir.
— EU VOU TE MATAR LARISSA! — o grito saiu de mim antes que eu percebesse. Como ela se atreve?
Caminhei de um lado para o outro no quarto, a respiração pesada, tentando pensar com clareza. Mas a única coisa que conseguia ver era Larissa andando pelas ruas de Veneza, como se tudo estivesse bem. Ela queria brincar? Então agora eu ia mostrar como esse jogo funciona.
Peguei o telefone e, com a mão trêmula de raiva, disquei o número dos meus seguranças. Eles sabiam que eu não estava para brincadeira.
— Eu quero minha mulher de volta neste quarto. Agora. — rosnei para o telefone. — Se ela não estiver aqui em poucos minutos, todos vocês estão demitidos. Entenderam?
O silêncio do outro lado da linha foi suficiente para confirmar que minha ordem tinha sido clara.
Ela não ia escapar dessa.
Larissa achava que podia fugir, brincar de me provocar e me testar... mas eu não ia deixar barato. Ela podia tentar me fazer de bobo, mas o que ela não sabia é que, quando eu a encontrasse, ela ia me ouvir. E dessa vez, não ia ter como escapar.
Fechei os olhos por um segundo, tentando controlar a respiração. Ela estava me fazendo perder a cabeça. E, pior de tudo, ela sabia disso. Cada provocação, cada sorriso malicioso... tudo fazia parte do plano dela de me testar. Mas eu ia encontrar Larissa. E quando isso acontecesse, ela ia entender exatamente o que estava em jogo.
Veneza podia ser uma cidade romântica, mas naquela noite, ela ia descobrir o que acontece quando se brinca com o fogo.