Capítulo 2
LARISSA WILLIAMS
O jatinho particular da família Navarro estava em um silêncio desconfortável. Ítalo e eu estávamos a caminho de Veneza, para nossa lua de mel forçada, e o ar parecia carregado de tensão. O clima entre nós era denso e pesado. Ele não disse uma palavra desde que me arrastou para fora da nossa própria festa de casamento, e eu também não pretendia facilitar as coisas para ele.
Eu olhava pela janela, as luzes da cidade se afastando conforme subíamos no céu, mas meus pensamentos estavam longe. Muito longe.
A festa ainda estava fresca na minha memória. Eu sabia que ele estava possesso de ciúmes, e sinceramente, parte de mim gostava disso. O ciúme dele, a maneira como ele tentava me controlar, me irritava profundamente... mas ao mesmo tempo, me dava uma sensação de poder. Sabia que estava testando ele, sabia que Ítalo estava no limite. E eu estava disposta a empurrá-lo ainda mais.
Me ajeitei na poltrona de couro macio do jatinho, mas o desconforto era maior por dentro do que por fora. Ítalo não desviava os olhos de seu copo de whisky, bebendo em silêncio, com a expressão fechada. Ele estava putö, isso era claro. A mandíbula travada, os olhos fixos no líquido âmbar, como se estivesse tentando se controlar. E eu? Eu queria ver até onde ele aguentaria.
Não ia deixar barato.
Uma parte de mim estava, de fato, irritada com tudo. Eu tinha acabado de ser forçada a me casar, e agora estava a caminho de uma lua de mel com um homem que eu não queria. Pelo menos, era o que eu tentava me convencer. Mas por que então, toda vez que ele me tocava, meu corpo reagia daquele jeito? Odiava o fato de que, mesmo com toda a raiva e orgulho que eu sentia, algo em mim não conseguia ignorar o jeito como Ítalo me olhava.
Senti um sorriso escapar dos meus lábios, quase involuntariamente, enquanto pensava em uma forma de provocar ainda mais Ítalo quando chegássemos a Veneza. Eu sabia que ele estava no limite, e isso só me dava mais vontade de brincar com ele. Imaginar a cara dele quando eu provocasse só aumentava meu präzer. Ele podia ser controlador, mas eu não ia ser fácil de lidar.
Suspirei, me ajeitando de novo na poltrona, e fingi que estava completamente entediada. Sabia que o silêncio estava matando ele por dentro. Ítalo era um homem que gostava de ter controle sobre tudo, e o fato de que eu não estava jogando o jogo dele o deixava louco. Isso me divertia mais do que deveria.
“Veneza vai ser interessante,” pensei, com um sorriso de canto.
ÍTALO NAVARRO
Eu podia sentir o cheiro da provocação de Larissa mesmo sem olhar pra ela. Sentia seus olhos se movendo, quase como se estivesse planejando o próximo ataque. A mulher era uma força da natureza. Incontrolável. Rebelde. E aquele malditö sorriso...
Eu segurei o copo de whisky com força. Cada gole parecia aumentar o fogo dentro de mim, mas não era o álcool. Era ela. Larissa estava me enlouquecendo. Desde o começo, eu sabia que esse casamento não seria fácil, mas vê-la naquela pista de dança, cercada por seus amigos, rindo e se divertindo como se eu não existisse, como se nossa união fosse uma piada... aquilo mexeu comigo de um jeito que eu não conseguia controlar.
Eu odiava o fato de que ela tinha tanto poder sobre mim. Larissa sempre me ignorou, me fez parecer um idiotä correndo atrás dela enquanto ela fingia não me notar. Mas agora... agora ela era minha. Minha mulher. E eu ia fazer questão de deixar isso bem claro.
Terminei o whisky em um gole e observei enquanto as luzes da cidade desapareciam sob nós. O silêncio entre nós era opressor, mas eu precisava dele. Se eu abrisse a boca agora, não sabia o que sairia. A última coisa que eu precisava era começar uma briga antes mesmo de chegarmos à nossa lua de mel. Eu podia sentir o olhar de Larissa me queimando, como se ela estivesse esperando que eu perdesse o controle. Ela adorava isso.
E, drogä, ela sabia mexer comigo.
A imagem dela dançando na pista de dança com aqueles caras, rindo, bebendo, como se fosse solteira, não saía da minha cabeça. Eu queria explodir. A cada movimento que ela fazia naquela festa, era como se ela estivesse me provocando de propósito, testando meus limites. Ela estava se divertindo às minhas custas.
Eu fechei os olhos, tentando controlar a respiração. Mas a única coisa que eu conseguia pensar era... quando chegarmos a Veneza, eu vou resolver isso. Do meu jeito.
Ela quer me provocar? Ótimo.
Eu sabia o que ela estava fazendo. Conhecia aquele sorriso dela. Larissa queria me fazer perder o controle, me irritar. Queria mostrar que não ia se curvar, que eu não mandava nela. Mas o que ela não entendia é que... o desejo entre nós era inegável. O jeito como ela me encarava, como reagia ao meu toque, mesmo quando me desprezava em palavras... eu via nos olhos dela. Ela queria isso tanto quanto eu.
E eu ia provar isso.
Quando chegarmos em Veneza, não vai ter mais escapatória. Ela pode tentar me provocar o quanto quiser, me deixar com ciúmes, fazer seus joguinhos. Mas eu vou pegá-la. Vou fazer ela entender, de uma vez por todas, que o ódio que ela finge ter por mim não passa de uma máscara para esconder o desejo.
O jatinho começou a descer em direção a Veneza, e meu coração acelerou. Não era raiva. Era algo mais profundo, mais primitivo.
Ela ainda não sabia, mas quando entrarmos naquela suíte em Veneza, eu vou deixar bem claro o que eu sinto por ela. E, no fundo, eu sei que é exatamente isso que ela quer. Ela pode dizer que me odeia, mas eu vou fazer ela entender que não é ódio que queima entre nós. É desejo. E não vai demorar muito até que ela admita.
— Quando chegarmos... você vai entender tudo, Larissa. — murmurei, mais para mim mesmo, com um sorriso de canto.
Eu já estava me imaginando com ela, em Veneza, sem ninguém para interromper. Ela ia tentar resistir, como sempre, mas dessa vez... não haveria fuga.