Daius
Meu lobo estava inquieto. Não, inquieto era pouco. Ele andava em círculos dentro de mim desde que aquela humana saiu da minha cabana, deixando para trás apenas o maldito cheiro de framboesa, hortelã e algo que eu não conseguia identificar.
Recusado? Ela realmente me recusou? Um macho bonito e forte como eu?
Fechei a porta com mais força do que pretendia depois que ela saiu. Ainda conseguia ver o tremor em sua voz, o jeito como ela levantou o queixo mesmo com medo. Aquilo deveria ter me irritado. Em vez disso, só me deixou mais duro.
_ Quer comemorar seu aniversário de uma maneira diferente? _ Eu havia perguntado, abrindo um sorriso que mostrava as presas do jeito que as fêmeas gostam.
O cheiro dela azedou na hora. Era medo. Mas também algo mais… excitação? Resistência? Eu não conseguia decifrar.
_ Não… obrigada. _ Respondeu ela, tentando passar por mim.
Eu rosnei baixo, grave,como um aviso.
_ Mas todas as fêmeas gostam de um macho como eu. Por que você não quer passar a noite comigo?
A confusão era real. Eu sou Darius Blackthorn. Alpha, rico e desejado. Humanos e lobos se curvam para mim. E aquela mulher de trinta e cinco anos solitária tinha coragem de dizer não?
_ Eu não gosto de machos como você, senhor. Então me deixe passar, por favor.
Sua voz tremeu, mas os olhos continuaram firmes. Aquilo me acertou em cheio. Ela não estava jogando. Não estava fingindo resistência para me excitar. Ela realmente não me queria.
Minha noite foi infernal. Fiquei andando de um lado para o outro na cabana, o corpo quente, o lobo rosnando sem parar. Meu p*u latejava só de lembrar do cheiro dela molhado da cachoeira. Acabei não dormindo quase nada!
Quando o sol nasceu, eu já estava irritado demais e precisei soltar o lobo.
Me transformei assim que saí pela varanda. Os ossos estalaram, o pelo castanho-dourado cobriu minha pele e o mundo ganhou mil novas cores e cheiros. Corri pela floresta, tentando gastar a energia acumulada, mas meu lobo tinha outro destino em mente.
A maldita cachoeira!
O cheiro dela me guiou antes mesmo de eu chegar. Dessa vez estava diferente, mais cítrico, como laranja verde misturada com cansaço e um toque de suor limpo. Ela estava exausta. Mesmo assim, o cheiro continuava me atraindo como nada nunca havia atraído antes.
Me escondi entre os arbustos densos, o corpo baixo e olhos fixos nela.
Magdalena estava na água novamente. O cabelo escuro molhado colava nas costas. A blusa preta grudava em seus s***s, marcando os m*****s endurecidos pelo frio. Ela nadava devagar, quase distraída, como se a água fosse o único lugar onde conseguia ter paz.
Meu lobo observava cada movimento. Cada respiração. Cada curva daquele corpo que não deveria me interessar… mas interessava. Demais...
Ela começou a nadar em direção à borda. Quando ergueu o olhar, me viu.
Ela ficou estática.
Seus olhos se arregalaram. O cheiro de surpresa e medo cortou o ar, mas ela não gritou. Não correu. Apenas ficou parada, com água até a cintura, encarando o enorme lobo que a observava do meio das árvores.
Eu deveria ter ido embora. Deveria ter mantido a distância para não assusta-la mais ainda. Porém, em vez disso eu saí de trás dos arbustos e caminhei lentamente até a água. Meu lobo mergulhou.
A transformação aconteceu enquanto eu nadava. Ossos se rearrumaram sob a superfície, pelo deu lugar à pele, garras viraram mãos. Quando emergi, estava a menos de dois metros dela, completamente nu, com a água escorrendo pelo peito e abdômen.
Magdalena deu um passo para trás, mas a água dificultava o movimento. Seus olhos percorreram meu corpo antes de voltarem rapidamente para o meu rosto, as bochechas ficaram coradas na hora.
Eu sorri devagar, mais uma vez mostrando as presas.
_ Meu nome é Alpha Darius, senhorita Magdalena. Agora você sabe meu nome, apesar de não ter perguntado! _ Minha voz saiu rouca, levemente distorcida pela transformação recente.
Ela engoliu em seco. A respiração estava acelerada, seu peito subindo e descendo. O cheiro dela estava uma mistura deliciosa de medo, cansaço e algo que meu lobo identificou imediatamente como desejo reprimido.
_ Você… você acabou de se transformar dentro da água..._ Murmurou, quase sem voz.
Geralmente, transformações não acontecem na água, são poucos lobos que conseguem esse tipo de coisa. Eu me sinto confortável para me transformar onde eu quiser.
_ Sim, eu te avisei que sou um bom macho, Magdalena. _ Minha voz saiu quase como um ronronado. _ Sou forte, e seu distinguir cheiros. _ Suguei o ar na frente dela, e a vi piscar algumas vezes. _ Você cheira bem, fêmea.
Ela tentou se afastar, mas minha mão foi rápida ao pega-la.
_ Eu sei que seu corpo está reagindo ao meu, mulher. Ainda estou disposto a aceita-la na minha cama. _ Meu nariz se aproximou do pescoço dela, e a senti tremer.
_ Ainda vai me dizer não? _ Perguntei, sabendo que ela está abalada pelo contato.
Olhei para ela, a poucos centímetros de distância, sentindo seu cheiro cada vez mais doce.
Sorri convencido de que, com certeza, passarei o dia dentro dessa humana. E se ela recusar novamente, posso oferecer dinheiro, coisa que nenhum humano resiste.