Capítulo 3

802 Words
Magdalena _ Licença... _ Murmurei tentando me afastar, mas ao passar por ele sua mão me segurou. _ Espere! _ O toque dele foi desconfortável, e puxei bruscamente meu braço, como se estivesse queimando. _ S-Sim? _ Você não quer saber o meu? _ Seu tom era arrogante, carregado. Pelo jeito que ele me perguntou, parecia até que meu ato foi de pura falta de educação. _ Não. _ Respondi na hora, sem hesitar. _ Como eu disse, se precisar de algo é só pedir pelo interfone, se não for eu, outro funcionário estará à disposição. Com licença. Dessa vez não esperei resposta. Passei por ele e saí pela porta o mais rápido que consegui sem correr. Meu coração batia descompassado. Não era medo… era outra coisa. Uma irritação misturada com algo quente que eu não queria nomear. Voltei para a área de serviço da sede principal ainda sentindo o toque fantasma da mão dele no meu braço. Peguei o carrinho de roupa suja e comecei a separar os lençóis das cabanas já desocupadas. O trabalho repetitivo sempre me acalmava. Dobrar, separar, colocar na máquina. Era simples e controlável. “Homens como ele são sempre iguais”, pensei enquanto jogava os lençóis na lavadora. Acham que o mundo inteiro existe para servi-los. Terminei o serviço e estava guardando o último travesseiro quando ouvi passos leves atrás de mim. _ Surpresa!! Virei-me assustada. Era Clara, a única colega que trabalhava comigo no turno da tarde. Ela segurava um bolinho simples de chocolate com uma velinha acesa e alguns confetes coloridos na outra mão, sorrindo de orelha a orelha. _ Eu não esqueci, viu? _ Disse ela, orgulhosa. _ Feliz aniversário, Maggie! Por um segundo, meu peito apertou. Fazia anos que ninguém lembrava. Meus olhos arderam e eu pisquei rápido, forçando um sorriso. _ Clara… você não precisava. _ Claro que precisava! Come logo antes que a velinha derreta. Eu soprei a velinha, rindo baixinho enquanto ela jogava confetes sobre mim. Alguns caíram no meu cabelo e ombros. Era uma comemoração pequena, quase boba… mas foi o suficiente para aquecer um pedacinho meu que vivia congelado. Estávamos rindo de algo que Clara falou quando o telefone da recepção tocou. Ela atendeu, franziu a testa e olhou para mim. _ Cabana 3 pediu um cobertor extra. Disseram que está mais frio do que esperavam. Suspirei. Era meu trabalho. _ Eu levo. Já terminei aqui mesmo. Peguei um cobertor de lã macia, daqueles que os hóspedes ricos adoram, e saí pela trilha. O sol já estava baixo, pintando a floresta de tons dourados e alaranjados. Enquanto caminhava, um sorriso bobo ainda permanecia no meu rosto. Alguém tinha lembrado. Alguém tinha se importado, mesmo que fosse só um bolinho simples e confetes. Eu me sentia… leve. Só quando parei em frente à porta é que percebi. Cabana 3. A mais isolada. A que tinha sido reservada para o novo hóspede. A porta se abriu antes mesmo que eu batesse. O homem estava ali, sem camisa, apenas com uma calça de moletom preta baixa na cintura. A luz quente do interior iluminava os músculos definidos do peito e abdômen. Ele parecia ainda maior do que na cozinha. Seus olhos desceram por mim devagar, parando nos meus ombros. Um confete rosa brilhava preso na minha blusa. Ele estendeu a mão e, com surpreendente delicadeza, tirou o pequeno pedaço de papel colorido do meu ombro. Girou-o entre os dedos, curioso. _ O que é isso? _ Perguntou com a voz grave e baixa. _ Confete… _ Respondi, sentindo o rosto esquentar. _ Eu estava comemorando um aniversário. Ele ergueu uma sobrancelha, claramente interessado. _ De quem? Engoli em seco. Por um momento considerei mentir. Mas para quê? _ Meu... _ Respondi, levantando o queixo levemente. _ Hoje é meu aniversário. _ Hum... e quantos anos você está fazendo hoje, Magdalena? _ Mais uma vez ele proferiu meu nome daquele jeito estranho. _ Trinta e cinco... _ Murmurei Por um segundo ele ficou em silêncio. Então um sorriso lento se abriu em seu rosto. Um sorriso largo, predatório, que deixou à mostra as presas afiadas. Seus olhos amarelos brilharam com algo perigoso, uma certa diversão misturada com fome. _ Trinta e cinco. _ Murmurou, como se já soubesse. _ Interessante… Ele deu um passo para o lado, abrindo mais a porta. _ Entre, Magdalena. Você pode colocar o cobertor na minha cama pessoalmente. Meu coração disparou. O ar entre nós pareceu engrossar. Parte de mim queria virar as costas e correr. A maneira como esse hospede se comporta é muito estranha e assustadora. Porém, eu já vi homens assim. Arrogantes e prepotentes. Porém, havia uma pequena parte que queria tentar entender qual era o problema desse maluco. E ele continuava sorrindo, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.
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