Parte 2...
_ Que inferno digo eu - ela falou alto _ Não preciso de ninguém defendendo minha virtude - bateu no colchão irritada _ Isso é ridículo, Jessé!
_ Você cale a boca! - ambos disseram ao mesmo tempo, para mais raiva ainda dela.
Vitor sabia que tinha cometido um erro. Já estava trabalhando na fazenda há um bom tempo e tinha feito boas amizades ali. Vinha trabalhando muito e duro.
Eles confiavam mesmo nele. Não deveria ter feito tal coisa, mesmo ela participando e querendo. Foi algo muito f**o e uma falta de respeito muito grande.
Eles o respeitavam e tratavam muito bem, sabiam valorizar seu trabalho e já estava com dinheiro suficiente para ter sua própria fazenda e viver bem.
Claro que não seria nada perto do que eles tinham, mas dava para começar a ter um patrimônio e se aquietar, formando seu nome no lugar. Poderia até mesmo começar uma criação de bovinos com o que tinha guardado.
E a esposa dele, Briana, já tinha dito que era como se fosse um m****o da família e sempre o convidava para os eventos em casa e até para um lanche ou almoço de vez em quando. Não foi certo o que fez.
Apesar de ser um novo tempo, em Andaluz algumas coisas ainda eram como antes. Tudo bem que eles tinham três clubes voltados ao s**o com eventos e até aulas sobre o assunto, mas no geral o resto da cidade seguia o ritmo de sempre, moldando suas vidas como aprenderam.
Ter colocado Juliana nessa situação foi errado e se cara f**a matasse, ele estaria seco e esturricado no seu tapete agora com a cara que o irmão dela fazia.
Seu olhar era tão penetrante que se fosse possível ele quebraria seus ossos sem nem mesmo tocar nele. Parecia que era um bandido procurado pela polícia e que havia feito o maior crime do mundo. Algo sem fiança.
Juliana ficou olhando de um para outro e se aproveitou do momento para falar, enquanto eles se encaravam como dois pitbulls raivosos.
_ Será que pode parar com essa babaquice? - levantou puxando o lençol apertado na frente do corpo.
O irmão a olhou com o rosto vermelho de raiva e respirou fundo, segurando o ar, tentando se acalmar.
_ Olhe aqui, Vitor, isso não se faz - apontou _ Quero que você saia agora da fazenda e não volte.
Ela arregalou os olhos. Não podia deixar isso acontecer. Também era culpada. Se aproximou dele apertando o lençol para não cair.
_ Não quero que faça isso, Jessé - disse irritada _ E não preciso que você cuide de minha vida.
_ Cuido sim! - quase gritou _ Você é minha irmã mais nova e precisa que alguém cuide de você.
_ Não preciso de sua p******o - bateu a mão na perna _ Isso é problema meu.
_ Você é meu problema - levantou o dedo _ E você - se virou para Vitor _ Saia logo, estou avisando.
_ Isso é errado, eu sou maior de idade, sei o que faço.
_ Ah, claro - deu uma risadinha _ Percebe-se!
Ela inchou de raiva puxando o ar.
_ Não seja machista!
_ E você não seja burra - fez uma careta.
_ E você não seja hipócrita, Jessé! - gritou.
Quando ele conheceu a atual esposa, Briana, ela namorava um outro rapaz e estava para se casar. Ele a convidou para ir ao cinema e ver um filme. Nunca viram o filme realmente porque antes de chegar ao cinema, pararam em um local deserto e ali mesmo ele tirou sua virgindade.
Não estava apaixonado por ela, mas sentia atração e foi um escândalo quando ela terminou o namoro para ficar com ele. Acabaram se casando às pressas para evitar mais fofocas e confusões. Muitos na cidade ficaram divididos e ele quis evitar um problema maior.
Uma parte é moderna até demais, mas tem a outra parte do lugar que ainda insiste em manter os costumes e para azar dele, na época, foi essa parte que mais caiu em cima dele e resolveu que deveria assumir o erro, já que foi ele quem deu em cima de Briana. Mas, hoje em dia eram muito felizes.
_ Não me venha com essa, Juliana - ele disse acendendo as narinas _ Não estamos falando do meu passado e sim do seu presente. Não queira mudar o rumo da conversa.
_ Será que eu posso... - Vitor tentou falar.
_ Você não pode nada... Tem até o meio dia para sair.
_ Pelo amor de Deus, isso é ridículo demais - ela disse.
_ Não tanto quanto o fato de você estar nua - falou alto _ No quarto de um empregado da fazenda - abriu os braços irritado.
_ Ahhh... Então é esse o problema? - ela rebateu.
_ Não, mocinha, não é. Você não pode ficar nua no quarto de ninguém... Não importa quem ele seja.
_ Você não manda em mim! - bateu o pé com força.
_ Vamos ver se não - deu um risinho cínico _ Sorte sua que quem a achou fui eu. Se fosse o Joel você iria até levar uma boa surra.
Ela arregalou os olhos e abriu a boca, admirada com o que ele havia dito. Um absurdo.
_ Ei... Pare ai - Vitor se intrometeu _ Não pode falar com ela desse jeito.