Capítulo Dois - 2

902 Words
Parte 2... _ Que inferno digo eu - ela falou alto _ Não preciso de ninguém defendendo minha virtude - bateu no colchão irritada _ Isso é ridículo, Jessé! _ Você cale a boca! - ambos disseram ao mesmo tempo, para mais raiva ainda dela. Vitor sabia que tinha cometido um erro. Já estava trabalhando na fazenda há um bom tempo e tinha feito boas amizades ali. Vinha trabalhando muito e duro. Eles confiavam mesmo nele. Não deveria ter feito tal coisa, mesmo ela participando e querendo. Foi algo muito f**o e uma falta de respeito muito grande. Eles o respeitavam e tratavam muito bem, sabiam valorizar seu trabalho e já estava com dinheiro suficiente para ter sua própria fazenda e viver bem. Claro que não seria nada perto do que eles tinham, mas dava para começar a ter um patrimônio e se aquietar, formando seu nome no lugar. Poderia até mesmo começar uma criação de bovinos com o que tinha guardado. E a esposa dele, Briana, já tinha dito que era como se fosse um m****o da família e sempre o convidava para os eventos em casa e até para um lanche ou almoço de vez em quando. Não foi certo o que fez. Apesar de ser um novo tempo, em Andaluz algumas coisas ainda eram como antes. Tudo bem que eles tinham três clubes voltados ao s**o com eventos e até aulas sobre o assunto, mas no geral o resto da cidade seguia o ritmo de sempre, moldando suas vidas como aprenderam. Ter colocado Juliana nessa situação foi errado e se cara f**a matasse, ele estaria seco e esturricado no seu tapete agora com a cara que o irmão dela fazia. Seu olhar era tão penetrante que se fosse possível ele quebraria seus ossos sem nem mesmo tocar nele. Parecia que era um bandido procurado pela polícia e que havia feito o maior crime do mundo. Algo sem fiança. Juliana ficou olhando de um para outro e se aproveitou do momento para falar, enquanto eles se encaravam como dois pitbulls raivosos. _ Será que pode parar com essa babaquice? - levantou puxando o lençol apertado na frente do corpo. O irmão a olhou com o rosto vermelho de raiva e respirou fundo, segurando o ar, tentando se acalmar. _ Olhe aqui, Vitor, isso não se faz - apontou _ Quero que você saia agora da fazenda e não volte. Ela arregalou os olhos. Não podia deixar isso acontecer. Também era culpada. Se aproximou dele apertando o lençol para não cair. _ Não quero que faça isso, Jessé - disse irritada _ E não preciso que você cuide de minha vida. _ Cuido sim! - quase gritou _ Você é minha irmã mais nova e precisa que alguém cuide de você. _ Não preciso de sua p******o - bateu a mão na perna _ Isso é problema meu. _ Você é meu problema - levantou o dedo _ E você - se virou para Vitor _ Saia logo, estou avisando. _ Isso é errado, eu sou maior de idade, sei o que faço. _ Ah, claro - deu uma risadinha _ Percebe-se! Ela inchou de raiva puxando o ar. _ Não seja machista! _ E você não seja burra - fez uma careta. _ E você não seja hipócrita, Jessé! - gritou. Quando ele conheceu a atual esposa, Briana, ela namorava um outro rapaz e estava para se casar. Ele a convidou para ir ao cinema e ver um filme. Nunca viram o filme realmente porque antes de chegar ao cinema, pararam em um local deserto e ali mesmo ele tirou sua virgindade. Não estava apaixonado por ela, mas sentia atração e foi um escândalo quando ela terminou o namoro para ficar com ele. Acabaram se casando às pressas para evitar mais fofocas e confusões. Muitos na cidade ficaram divididos e ele quis evitar um problema maior. Uma parte é moderna até demais, mas tem a outra parte do lugar que ainda insiste em manter os costumes e para azar dele, na época, foi essa parte que mais caiu em cima dele e resolveu que deveria assumir o erro, já que foi ele quem deu em cima de Briana. Mas, hoje em dia eram muito felizes. _ Não me venha com essa, Juliana - ele disse acendendo as narinas _ Não estamos falando do meu passado e sim do seu presente. Não queira mudar o rumo da conversa. _ Será que eu posso... - Vitor tentou falar. _ Você não pode nada... Tem até o meio dia para sair. _ Pelo amor de Deus, isso é ridículo demais - ela disse. _ Não tanto quanto o fato de você estar nua - falou alto _ No quarto de um empregado da fazenda - abriu os braços irritado. _ Ahhh... Então é esse o problema? - ela rebateu. _ Não, mocinha, não é. Você não pode ficar nua no quarto de ninguém... Não importa quem ele seja. _ Você não manda em mim! - bateu o pé com força. _ Vamos ver se não - deu um risinho cínico _ Sorte sua que quem a achou fui eu. Se fosse o Joel você iria até levar uma boa surra. Ela arregalou os olhos e abriu a boca, admirada com o que ele havia dito. Um absurdo. _ Ei... Pare ai - Vitor se intrometeu _ Não pode falar com ela desse jeito.
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