Quando chegou na casa de Joyce, descobriu que ela morava com Celina e os dois maridos e Bruno. Os pais moravam em uma casa na mesma rua. A mãe era oficialmente casada com o outro marido de Celina, mas ela vivia e viajava com o pai biológico de Joyce. O pai era casado com uma pedagoga muito mais jovem que ele e tinha dois filhos adolescentes com ela. E todos viviam nessa outra casa...
— Eu não entendi muito bem essa sua configuração familiar. Meio que meu cérebro bugou...
— Relaxa bebê, minha mãe era uma safada mesmo e tornou tudo muito complicado pra entender. Vou fazer um resumão: a safada deu pro Henrique que era casado com Giselle e não podia ter filhos. Aí quando ficou grávida, jogou o BO pra cima do Carlos, com quem casou. Teve um casal de gêmeos, que é o Caio e a Helena. Deu o Caio pra Giselle que levou ele pra França, e criou Helena. Depois ficou grávida da Celina e ficou com raiva do Carlos por ter enchido o bucho dela de novo. Depois que a Lina nasceu, maltratava a menina e metia gaia no Carlos. Aí conheceu meu pai biológico e meteu eu na barriga e achou que meu pai não sabia. Mas ele sempre soube e não largava ela pra não matar a Celina de tanto maltratar. Mas aí ele conheceu a Andreza e meteu um filho atrás do outro nela. Há cinco anos, todo mundo descobriu tudo! Caio voltou para nós e ficou sob os cuidados da minha mãe, Carlos casou com a Andreza depois do divórcio e Celina colocou todo mundo pra morar na mesma casa. Como ela queria nossos irmãos longe dessa merda* toda, ela comprou uma escola pra Andreza ser diretora e nós três estudar. Entendeu?
— Mais bem explicado impossível. Mas você não falou como acham tão natural sua irmã ter dois maridos.
— Acho natural porque quando ela casou com Luís e meteu Marcos na parada toda, fizemos uma reunião onde ficou decidido que não somos fiscais de periquito e cada um da o seu pra quem quiser! Agora se você quiser saber detalhes sórdidos da relação dos três, vai ter que perguntar a eles. Como nunca me interessou e eu não sou fiscal, nunca perguntei.
— Não, não quero saber. Mas posso fazer outra pergunta?
— Pode. Imaginei que você teria um milhão depois de conhecer nossa família totalmente disfuncional...
— Você disse que Caio tem uma gêmea, onde ela está?
— Helena se casou com o chefe do conselho da máfia francesa e vive lá com ele.
— Então ela é mais poderosa que a Celina?
— Na França, sim. Aqui no Brasil, Celina é regente da máfia.
— Não entendo o que significa.
— Celina comanda todos os negócios da máfia francesa aqui no Brasil. Por ser chefe de família e por direito adquirido.
— Então ela tem que responder a eles?
— Sim, no que se refere aos negócios deles aqui, sim. Mas não pense que isso é r**m. Na verdade, ela é uma intermediária e até mais poderosa que todos eles lá. Aqui, temos nossas regras e ela nos faz seguir as diretrizes da máfia, mas ela comanda todo o país sozinha, praticamente sem sair daquela cadeira no escritório dela, só delegando, e risco mínimo. Lá, eles tem muitos chefes de famílias mafiosas. Cada família tem seu chefe e todos respondem as diretrizes do conselho. Isso quer dizer mais ou menos que eles tem uma família para cada segmento: drogas, assaltos, tráfico... Já Celina domina todos os segmentos criminosos no Brasil, sozinha! Sem contar no acordo de cavalheiros: o país é grande, tem suas próprias gangues. Lugares onde a máfia não tem permissão para entrar. Podem até fazer alguns negócios, mas ninguém tem domínio.
— Como o comando vermelho no Rio de Janeiro?
— Exatamente! Ou os outros comandos aqui em São Paulo e...
— A organização do Luís!
— Muito bem, até que você não é tão burra.
As duas riram e antes que Joyce pudesse se controlar, Beatriz mandou na lata:
— Caio é gay?
— Você disse que ia fazer mais uma pergunta só e essa já é a segunda. Não sei, já disse que não sou fiscal de piriquito e também não sou fiscal de cu*. Vai ter que perguntar pra ele.
— Já entendi. Você tem permissão para falar as coisas por cima, mas não da i********e deles...
— Eu não preciso de permissão de ninguém pra falar o que eu quiser, Beatriz. Mas desde cedo aprendi que a vida dos outros não me pertence e quanto menos eu falo, mais eu vivo. E isso não quer dizer só no crime, na máfia ou na organização do Luís e sobre minha família disfuncional. É sobre brincar de vida mesmo. Cada um cuida da sua, valendo...
— Desculpe. Não é curiosidade nem fuxico...
— Pensa que não sei? Está apaixonada pelo meu irmão e pensou que eu poderia te ajudar com isso...
— Como você sabe?
— Vejo como você olha pra ele, e como ele te evita!
— Ele me disse que não tem interesse por mulheres, e não me respondeu se é gay! Mas eu sinto ele me olhando, como se o sentimento fosse recíproco e de verdade, não entendo!
Beatriz se jogou na cama novamente, com expressão totalmente frustrada.
— Olha Beatriz, tem muito mais coisas nessa família que você não sabe, mas como eu te disse, que não me pertencem. Mas são coisas muito graves e que definitivamente não sou eu que vou te falar. E se você aceita um conselho, deve pular fora dessa canoa furada.
— Você acha que não tentei? Mas é muito mais forte do que eu. Eu quero seu irmão. Eu nunca quis ninguém, nunca namorei...
— Espera. Você é virgem?
— Claro! Você não?
— Menina, nem lembro mais quando deixei de ser virgem! Acho que tinha uns treze anos e foi um moleque boca aberta que me fez...
— E ele era tão sedutor e misterioso quanto seu irmão?
— Não vejo nada de anormal em meu irmão, Beatriz. Mas já dormi com outros homens do porte dele. E já tive que matar outros do mesmo naipe por não saberem ficar de boca fechada.
— Credo, você é r**m!
— Como disse, minha família não é cor de rosa como você cresceu.
— Você é muito experiente. Me ajuda a conquistar seu irmão?
— Não vou te ensinar nada, porque tudo o que eu sei não vai funcionar pra você. Mas posso te ajudar com que ele não te evite mais e você mesma o conquiste por seus méritos. Pode ser?
— Nossa, seria um sonho. Mas como você vai conseguir isso?
— É simples. Celina me avisou ontem que vai contratar uma segurança pra se passar por minha dama de companhia...
— Eu não posso fazer isso, Joyce.
— Ué, vai dizer que não tem treinamento de auto defesa?
— Claro que tenho! Mas não poderia te defender com isso...
— Não se preocupe. Eu sei me defender! O que Celina quer e eu também admito que preciso, é de alguém que esteja ao meu lado e evite que um lunático coloque um lenço no meu nariz. Se tiver uma pessoa que possa entrar no banheiro comigo e pelo menos gritar antes que isso aconteça, não sobra nada do infeliz que tentar!
— Assim eu posso trabalhar e ficar perto de Caio...
— Mais do que isso, Beatriz. Além de Caio não conseguir evitar ficar perto de você, ainda vai ter que te treinar, pois essa é a função dele.
— Não é função de meu irmão?
— Não. É função dele! Seu irmão ocupa a minha função, de ajudante. Mas a obrigação é toda dele.
— Interessante. E será que sua irmã vai me aceitar?
— Tenho certeza que sim, vamos falar com ela...