conhecendo Celina

1323 Words
Quando chegou na casa de Joyce, descobriu que ela morava com Celina e os dois maridos e Bruno. Os pais moravam em uma casa na mesma rua. A mãe era oficialmente casada com o outro marido de Celina, mas ela vivia e viajava com o pai biológico de Joyce. O pai era casado com uma pedagoga muito mais jovem que ele e tinha dois filhos adolescentes com ela. E todos viviam nessa outra casa... — Eu não entendi muito bem essa sua configuração familiar. Meio que meu cérebro bugou... — Relaxa bebê, minha mãe era uma safada mesmo e tornou tudo muito complicado pra entender. Vou fazer um resumão: a safada deu pro Henrique que era casado com Giselle e não podia ter filhos. Aí quando ficou grávida, jogou o BO pra cima do Carlos, com quem casou. Teve um casal de gêmeos, que é o Caio e a Helena. Deu o Caio pra Giselle que levou ele pra França, e criou Helena. Depois ficou grávida da Celina e ficou com raiva do Carlos por ter enchido o bucho dela de novo. Depois que a Lina nasceu, maltratava a menina e metia gaia no Carlos. Aí conheceu meu pai biológico e meteu eu na barriga e achou que meu pai não sabia. Mas ele sempre soube e não largava ela pra não matar a Celina de tanto maltratar. Mas aí ele conheceu a Andreza e meteu um filho atrás do outro nela. Há cinco anos, todo mundo descobriu tudo! Caio voltou para nós e ficou sob os cuidados da minha mãe, Carlos casou com a Andreza depois do divórcio e Celina colocou todo mundo pra morar na mesma casa. Como ela queria nossos irmãos longe dessa merda* toda, ela comprou uma escola pra Andreza ser diretora e nós três estudar. Entendeu? — Mais bem explicado impossível. Mas você não falou como acham tão natural sua irmã ter dois maridos. — Acho natural porque quando ela casou com Luís e meteu Marcos na parada toda, fizemos uma reunião onde ficou decidido que não somos fiscais de periquito e cada um da o seu pra quem quiser! Agora se você quiser saber detalhes sórdidos da relação dos três, vai ter que perguntar a eles. Como nunca me interessou e eu não sou fiscal, nunca perguntei. — Não, não quero saber. Mas posso fazer outra pergunta? — Pode. Imaginei que você teria um milhão depois de conhecer nossa família totalmente disfuncional... — Você disse que Caio tem uma gêmea, onde ela está? — Helena se casou com o chefe do conselho da máfia francesa e vive lá com ele. — Então ela é mais poderosa que a Celina? — Na França, sim. Aqui no Brasil, Celina é regente da máfia. — Não entendo o que significa. — Celina comanda todos os negócios da máfia francesa aqui no Brasil. Por ser chefe de família e por direito adquirido. — Então ela tem que responder a eles? — Sim, no que se refere aos negócios deles aqui, sim. Mas não pense que isso é r**m. Na verdade, ela é uma intermediária e até mais poderosa que todos eles lá. Aqui, temos nossas regras e ela nos faz seguir as diretrizes da máfia, mas ela comanda todo o país sozinha, praticamente sem sair daquela cadeira no escritório dela, só delegando, e risco mínimo. Lá, eles tem muitos chefes de famílias mafiosas. Cada família tem seu chefe e todos respondem as diretrizes do conselho. Isso quer dizer mais ou menos que eles tem uma família para cada segmento: drogas, assaltos, tráfico... Já Celina domina todos os segmentos criminosos no Brasil, sozinha! Sem contar no acordo de cavalheiros: o país é grande, tem suas próprias gangues. Lugares onde a máfia não tem permissão para entrar. Podem até fazer alguns negócios, mas ninguém tem domínio. — Como o comando vermelho no Rio de Janeiro? — Exatamente! Ou os outros comandos aqui em São Paulo e... — A organização do Luís! — Muito bem, até que você não é tão burra. As duas riram e antes que Joyce pudesse se controlar, Beatriz mandou na lata: — Caio é gay? — Você disse que ia fazer mais uma pergunta só e essa já é a segunda. Não sei, já disse que não sou fiscal de piriquito e também não sou fiscal de cu*. Vai ter que perguntar pra ele. — Já entendi. Você tem permissão para falar as coisas por cima, mas não da i********e deles... — Eu não preciso de permissão de ninguém pra falar o que eu quiser, Beatriz. Mas desde cedo aprendi que a vida dos outros não me pertence e quanto menos eu falo, mais eu vivo. E isso não quer dizer só no crime, na máfia ou na organização do Luís e sobre minha família disfuncional. É sobre brincar de vida mesmo. Cada um cuida da sua, valendo... — Desculpe. Não é curiosidade nem fuxico... — Pensa que não sei? Está apaixonada pelo meu irmão e pensou que eu poderia te ajudar com isso... — Como você sabe? — Vejo como você olha pra ele, e como ele te evita! — Ele me disse que não tem interesse por mulheres, e não me respondeu se é gay! Mas eu sinto ele me olhando, como se o sentimento fosse recíproco e de verdade, não entendo! Beatriz se jogou na cama novamente, com expressão totalmente frustrada. — Olha Beatriz, tem muito mais coisas nessa família que você não sabe, mas como eu te disse, que não me pertencem. Mas são coisas muito graves e que definitivamente não sou eu que vou te falar. E se você aceita um conselho, deve pular fora dessa canoa furada. — Você acha que não tentei? Mas é muito mais forte do que eu. Eu quero seu irmão. Eu nunca quis ninguém, nunca namorei... — Espera. Você é virgem? — Claro! Você não? — Menina, nem lembro mais quando deixei de ser virgem! Acho que tinha uns treze anos e foi um moleque boca aberta que me fez... — E ele era tão sedutor e misterioso quanto seu irmão? — Não vejo nada de anormal em meu irmão, Beatriz. Mas já dormi com outros homens do porte dele. E já tive que matar outros do mesmo naipe por não saberem ficar de boca fechada. — Credo, você é r**m! — Como disse, minha família não é cor de rosa como você cresceu. — Você é muito experiente. Me ajuda a conquistar seu irmão? — Não vou te ensinar nada, porque tudo o que eu sei não vai funcionar pra você. Mas posso te ajudar com que ele não te evite mais e você mesma o conquiste por seus méritos. Pode ser? — Nossa, seria um sonho. Mas como você vai conseguir isso? — É simples. Celina me avisou ontem que vai contratar uma segurança pra se passar por minha dama de companhia... — Eu não posso fazer isso, Joyce. — Ué, vai dizer que não tem treinamento de auto defesa? — Claro que tenho! Mas não poderia te defender com isso... — Não se preocupe. Eu sei me defender! O que Celina quer e eu também admito que preciso, é de alguém que esteja ao meu lado e evite que um lunático coloque um lenço no meu nariz. Se tiver uma pessoa que possa entrar no banheiro comigo e pelo menos gritar antes que isso aconteça, não sobra nada do infeliz que tentar! — Assim eu posso trabalhar e ficar perto de Caio... — Mais do que isso, Beatriz. Além de Caio não conseguir evitar ficar perto de você, ainda vai ter que te treinar, pois essa é a função dele. — Não é função de meu irmão? — Não. É função dele! Seu irmão ocupa a minha função, de ajudante. Mas a obrigação é toda dele. — Interessante. E será que sua irmã vai me aceitar? — Tenho certeza que sim, vamos falar com ela...
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