Beatriz esperou o irmão chegar do médico com as crianças e pediu para falar com ele. Questionou se o chefe era gay mesmo e falou do seu interesse por Caio.
— Olha, Bia. Sinceramente, não sei. A família Costelli inteira são muito reservados. Tanto que anos trabalhando pro Luís e pro pai dele, nunca tinha nem visto ninguém da família da mulher dele. Só descobri o porque dessa reserva toda, quando assumi meu posto agora na outra organização da mulher dele.
— E porque? Qual o motivo de serem tão fechados no mundo deles?
— Primeiro porque a p***a* toda que dona Celina comanda é muito maior do que a organização do Luís. Se trata de máfia internacional.
— Por isso essa segurança toda em volta de nossa casa depois que o filho deles passou a vir pra cá...
— Sim. Esse menino é o herdeiro de tudo, das duas organizações!
— E não coloca em risco nossa família inteira e nossos filhos, Pablo? - Sophia saiu do quarto das crianças pra participar da conversa do marido e da cunhada.
— Está brincando, mulher? Quando meus pais morreram em uma emboscada pra atingir o Luís, estávamos a Deus dará! Depois disso ele me deu uma ótima indenização e essa casa, sem necessidade né? Porque quem entra nessa vida, sabe ao que está sujeito! E o pai dele também morreu! Hoje vocês tem segurança. Você, Beatriz e os meninos estão tão protegidos quanto a casa do patrão, e aquilo é uma fortaleza! Aqui tem mais segurança do que a casa dos pais da dona Celina.
— Mas também, é pra cá que vem o principezinho!
— Exato, e tiramos a sorte grande.
— E essa dona Celina? É velha? Luís deu o golpe em alguma francesa coroa?
— Caio é irmão dela, Celina é brasileira e uma morena típica da mistura de branco com preto. Tem cabelo e nariz de preto, a pele é um pouco mais clara, mas passa por n***a* tranquilamente. E deve ter sua idade, ou um pouco mais velha!
— Uau, deve ser linda...
— Ela é de parar o quarteirão!
— Que isso, Pablo? Tá de olho na chefe?
— Tá brincando, mulher? Ela é bonita, mas não chega aos seus pés! E outra coisa, o Luís é um endemoniado com aquelas estrelas do m*l e fatiou um pênis quando era uma criança! Qualquer homem que olhar pra mulher dele, pode virar um eunuco! Qualquer homem, menos o senhor Marcos.
— E quem é Marcos?
— O marido francês da dona Celina!
— O que?
— Isso mesmo, ela é Dona Flor.
— Por isso a discrição com a família dela!
— Sim, pensa na homarada a serviço do Luís sabendo que ele divide a mulher com um francês?
— Isso não é da conta de ninguém, né?
— Não, eles dificilmente fazem aparições. Quando dona Celina tem que resolver algo da Organização, ela vai com o Luís. Quando é da máfia, com o senhor Marcos! As poucas vezes que a vi depois que assumi meu posto, tudo com muito decoro e educação. Não é com p*****a que eles levam seus relacionamentos.
— E o que se faz entre quatro paredes, é da conta do casal!
— Pra mim é uma pouca vergonha, mas como Caio disse, não somos fiscais de piriquita. Fazemos nosso serviço e ganhamos por ele. E acabou.
— E Caio, lhe parece gay?
— Beatriz, vou te dizer o que eu acho. Nunca vi o chefe com nenhuma mulher. Eles são muito humildes e nada parecidos com a máfia que a gente vê na televisão. Caio se mistura, sai com a rapaziada, bebe com eles e muitas vezes vai pra casa das primas. Mas ninguém nunca o viu com mulher. Mas também nunca viram com homem. Ele trata todos com respeito e não parece que é chegado na fruta.
— Então você acha que ele não é gay?
— Eu acho que ele é assexuado.
— Como isso?
— Desse jeito, Beatriz. Ele não demonstra interesse nem por homem e nem por mulher.
— Isso não é verdade! Já peguei umas olhadas dele pra Bia!
— Olhadas. Eu tentei beijar e ele correu. Disse que não se interessa por mulheres.
— Minha opinião é que você não deve se atirar pro chefe não. Se ele gostar mesmo de homens e se ofender com você e mandar te fatiar?
— Não escuta seu irmão, Bia! Se você quer, podemos fazer um plano pra descobrir a verdade!
E assim Sophia e Beatriz passaram seus dias, pensando em formas de Bia se aproximar de Caio e descobrir toda a verdade. Mas nem em seus piores pesadelos imaginaram que a oportunidade cairia em seu colo de forma tão violenta e traumática!
Era uma sexta feira e Bruno dormiria com os meninos. Sophia estava preparando o quarto para os meninos brincar de cabana e Beatriz se preparando para servir os homens da casa. Um pouco antes, Sophia tinha cochichado que Beatriz acertou no decote, que Caio deu uma bela olhada disfarçadamente e pra ela aproveitar! Sophia tinha combinado de ela ficar perto deles, que ia derramar alguma coisa nela pra acabar que Caio tivesse que ajudar, pra ver a reação dele. Sophia prometeu que ia ficar bem de olho se alguma coisa ia subir na braguilha de Caio.
Beatriz revirou os olhos enquanto se preparava para servi-los, pensando em porque ela iria realmente fazer aquele papel de adolescente!
Quando estava se aproximando da mesa onde eles estavam no quintal, ouviu o rádio do irmão. Era o segurança de Joyce dizendo que ela precisava de roupas urgente, que tinha acontecido um acidente feminino e que as roupas dela estavam muito manchadas, que ela não tinha como sair do banheiro sem se trocar. Pablo disse que ia providenciar e Beatriz interferiu.
— Algo está errado.
— Com o que, Beatriz?
— Eu não sou o tipo de mulher que tem TPM, minha menstruação passa que m*l percebo, graças a Deus. Mesmo assim, sinto desconforto, sinto descer. E antes que me suje, consigo evitar a vergonha. Nós mulheres sabemos! Mesmo que não fosse um reloginho, meu corpo avisa quando estou para menstruar. E sei quando Sophia vai menstruar também!
— Onde está querendo chegar? — Caio se interessou.
— Se sua irmã sabia que estava para menstruar, ela estaria preparada. Roupa pra troca na bolsa para um eventual acidente, absorventes e em alerta para que na hora que descesse, ela correr para o banheiro antes de a tragédia feita!
Caio arregalou os olhos, pegou seu rádio e gritou, enquanto corria pra moto:
— Invada o banheiro, chego em 5 minutos!
A partir dali, foi uma correria. Pablo começou acionar outros seguranças enquanto já se encaminhava para o local de carro, pois sabia que se tivesse que tirar Joyce do prédio, não poderia ser de moto.
E Beatriz ficou apreensiva. Era a primeira ação do irmão na nova posição, e realmente parecia muito mais perigoso do que quando servia só Luís. E Sophia comentou que sim, era mais perigoso. Luís era um fantasma e todos em sua organização eram. Dificilmente corriam esses riscos que agora Pablo estava correndo.
Beatriz estava muito nervosa quando uma hora depois, trouxeram Joyce desacordada e com um taio de uns doze centímetros na lateral do corpo. Sabia que não tinha mais tempo para pensar! Nada de hospital para a mafiosa em sua casa. Ela tinha que cuidar das crianças e manter a normalidade, para Sophia fazer sua mágica, afinal, ela e o irmão se conheceram justamente quando Sophia foi a médica contratada da organização do Luís...