CAPÍTULO 25

2386 Words
Ele está me olhando, e sinceramente eu não sei como vou sair dessa, tudo que sei é que eu não quero ter um filho. -Eu não quero fazer esse exame. Digo firme. -E porque? Ele me pergunta olhando sério para mim. -Christian qual é o problema em nosso casamento? Pergunto não querendo responder a pergunta dele, e ele franze a testa. -Não temos problema nenhum, pelo que saiba, ou você acha que temos? -Não, não temos, então porque quer um filho agora? -Não entendi Anastásia sua pergunta, ou o seu raciocínio. Você quer dizer que um filho seria um problema para nós dois, para nosso casamento? Ele questiona já irritado. -Eu não quis dizer isso, mas eu não quero ter um filho agora. -Porque? Indaga ainda irritado. -Christian, acabamos de nos casar, achei que passaríamos mais um tempo só nós dois. Quero ainda poder curtir o nosso casamento. -Podemos fazer isso tendo um bebê. Droga, eu não quero ter um filho. -E como eu fico? Meus planos, minha faculdade. -Você está casada, seus planos tem que está incluído sua vida de agora. Eu tenho que está incluído nos seus planos, assim como um futuro filho. Eu não faço planos sem você está incluída neles. Então comece a fazer o mesmo. -Você não acha demais para mim? Eu tive que concordar com suas vontades desde o começo. Eu aceitei nosso casamento. Eu estou fazendo de tudo para darmos certo. Agora eu tenho que te dar um filho, por exigência sua. E deixar tudo que eu quero para depois, ou nunca. -Não vejo assim. Me casei com você para constituímos família. Me casar com você só foi um passo para a nossa felicidade, e agora podemos ser mais felizes com um filho. -Eu não quero ter um filho. Digo já com lágrimas nos olhos, ele não se importa comigo, com meus objetivos, meus sonhos. -Não quer ter um filho? Como assim Ana? Vamos passar a vida toda sendo só nós dois? -Eu não quero ter um filho agora. -E quando? -Depois que me formasse, estivesse bem na minha carreira. Christian eu perdi um semestre na faculdade, e na profissão que escolhi isso não podia ter acontecido, pois se trata de um atraso na minha formação. -Você quer que a gente tenha filhos após 8 a dez anos de casados? Eu não quero esperar muito. Sua formação levará oito anos, e até você está bem na sua profissão isso dará quase uns 10 anos. Eu não vou esperar isso tudo para ter um filho com você. Então sugiro que você faça o exame para ver se você tem algum problema. -Eu não vou fazer. Eu não quero ter um filho agora. Você não pode querer que eu desista dos meus sonhos, para satisfazer uma vontade sua. Eu acredito que já aceitei muito de você. E a decisão de ter um filho não está somente em você, está em mim também. Então, não teremos um agora. -Você sabe que eu sou inseguro quando se trata de você. -E? Com um filho eu mudaria essa insegurança sua? Não, pode parar. Cure essa insegurança com outra coisa, mas não vou te dar um filho para isso. Eu já estou com você, e nada vai mudar isso, e se você pensa que eu vou ficar com você por causa de um filho, está muito enganado. Eu estou com você porque eu quero, e não é um filho que vai mudar isso. Digo já saído da cozinha e deixando ele. Não é possível isso, ele não pode está tão inseguro assim, para garantir nosso casamento através de um filho. Eu não vou sair do lado dele. Eu me conformei com esse casamento, e não sairei dele. Jurei perante ao juiz e ao padre que esse casamento seria para vida toda. E será, independente de filhos. Tomo um banho e coloco uma roupa de ginástica, vou correr um pouquinho. Eu preciso sair um pouco. Eu sei que deveria ter dito a ele sobre o contraceptivo, mas não me ocorreu dizer naquele momento. Eu sei que vou piorar as coisas, mas eu prefiro contar em outro momento. Merda, quando eu achei que as coisas estavam bem, vem uma bomba dessa. Acabo de me arrumar e desço, ele não está na sala e nem na cozinha. Deve estar no escritório. Vou para lá avisá-lo que vou sair para correr. A porta está aberta, então entro. Ele me olha com uma expressão de raiva. -Vou sair para correr um pouco. Falo, já pronta para virar para sair. -Não adianta você fugir, pois essa conversa não terminou. E eu ainda tenho que resolver outra coisa com você. Ele diz levantando. -O que você tem ainda para falar comigo? Pergunto me virando para encará-lo. -Como sua faculdade está sendo paga desde agosto? E como você tem pago todos os seus gastos? -Porque essa pergunta? Questionei franzindo a testa. -Porque eu quero saber. Ele diz. -Eu tenho dinheiro na minha conta. Ele me olha e pega um papel. -Um dinheiro que seu pai está depositado todo mês na sua conta sem precisão. Acabou isso hoje. -Porque? Meu pai me disse que iria continuar pagando a minha faculdade e suprindo os meus gastos. Digo séria. -Seu pai não tem obrigação disso mais, então se você não trabalha, a obrigação é minha, e mesmo se você trabalhasse, ainda sim a obrigação é minha. Eu te dei um cartão em agosto que nem foi usado. Então faça o favor de avisar o seu pai que ele não precisará depositar mais dinheiro nenhum para você. Ele diz. -Posso sair agora? Pergunto irritada com essa conversa. -Quero você aqui na hora do almoço. Vamos sair para almoçar. -Ok. Saio sem dizer mais nada. Eu não quero brigar, não quero entrar novamente em uma vida de discussão. Ele precisa me entender. Corro o condomínio todo, depois de uma hora volto para casa. Não o vejo, deve está trancado no escritório. Que bom, pois eu não estou afim de discutir mais. Subo, tomo um banho e visto um short e uma regata, apesar que lá fora está começando o tempo fechar, deve vir um temporal, aqui dentro graças a Deus está quente. Desço para arrumar a bagunça da cozinha antes de ir almoçar. Arrumo tudo. Sinto o olhar dele. Sobre mim. -Meus pais acabaram de ligar querendo vir aqui. Ele diz. -Ok. -Pensei em pedir comida para gente então. -Prefiro fazer. Digo sem olhar para ele. -Tudo bem. Precisa da minha ajuda? -Não. -Não adianta a gente ficar assim. Eu não vou desistir de termos um filho. E quero mesmo que você faça os exames. Eu quero saber se você tem algum problema. Não é possível que em seis meses você não tenha engravidado ainda. -Você quer que tenhamos um filho para eu não ser presente na vida dele? Pois nesse momento eu estou pensando em minha carreira. -E em nosso casamento? Você não está pensando em nós? -Nosso casamento vai seguir sem um filho ou com filho. Christian você sempre procura anular a minha vontade, colocando a sua acima da minha. Será que eu não posso fazer o que quero? Será que eu não posso buscar a minha realização? -Eu não vou esperar dez anos para ter um filho. Ele diz sério e passando as mãos pelos cabelos. -E o que você espera que eu faça? Que eu desista de tudo e realize mais essa sua vontade? E depois que eu realizar eu fique frustrada sendo mãe, esposa e uma dona de casa. -Não acredito que você ficará assim. E eu não estou pedindo que você largue seus sonhos, só estou pedindo para você adia-los. E em outro momento fazer o que você quer. Ele diz, como se fosse a coisa mais natural. -Eu não vou fazer o que você quer. Eu quero concluir a minha faculdade e poder ser médica. -Então faça o exame pelo menos, assim veremos se você tem um problema ou não. Até mesmo se houver um problema podemos ir fazendo o tratamento. É agora ou nunca. Pelo menos contando para ele e se ele ficar zangado será de uma vez. -Eu não tenho problema nenhum. Digo olhando para ele. -Não? Como você sabe? Respiro fundo e essa é a hora. -Eu uso um contraceptivo. Falo mordendo os lábios. Você o que? Quando foi que você começou a usar? Ele me pergunta irritado. -Uma semana antes de você me trancar no quarto. Respondo. -E porque você nunca me disse? Eu achando que tíamos algum problema. -Achei que não precisava te dizer, já que você sabia de cada passo meu. -Mas não sabia disso. Eu quero que você tire. Ele diz firme. Droga, será que ele pode me entender? -Eu não vou fazer isso. Eu já disse que não quero um filho agora. -Eu não vou esperar dez anos para se ter um filho. -Christian entende a minha situação. Eu passo o dia todo na faculdade, eu não tenho tempo para isso. Eu não posso simplesmente ter um filho e não está aqui para cuidar dele. -No máximo que espero é dois anos, mais que isso não vai rolar. Eu quero ter um filho. -Ok, cansei dessa conversa. Digo pegando as coisas na geladeira para fazer o almoço. -Estarei no escritório. Ele diz saindo. Ele quer dominar tudo em mim, mas ele precisa me entender. Que horas eu estarei aqui para cuidar de um filho? Será que mereço ser tão infeliz assim? Será que devo abrir mão da minha vida para ver Christian feliz? Começo a fazer o almoço. Arroz branco, filé de peixe grelhado e uma salada verde com molho de manga. Espero que meus sogros gostem. Eles chegam e ficamos conversando sobre tudo. Eles adoram o almoço e nos convida para almoçar amanhã na casa deles. Eu e Christian aceitamos. Eles vão embora três horas depois, mais uma vez o meu pensamento vai em minha nada fácil vida. Fazem quatro meses que ele e Christian não tocamos mais no assunto de filhos, mas sei que ele está meio assim comigo. Porém acho que eu não estou pensando errado. Abrir mão da minha vida para ele, e não custa nada ele me entender também. Estamos reunido na casa dos pais dele. É aniversário de Kate, e ela e Mia tem uma novidade. As duas devem ter aprontado algo, duas loucas. Começo a rir das duas. Vamos para mesa e conversa vai, conversa vem e Mia e Kate estão eufóricas na mesa, estão discutindo quem conta primeiro. Então as duas resolvem falar juntas -Estamos grávidas. Elas dizem, e na hora Christian olha para mim. Minha situação que não estava boa, agora tende a ficar pior. Merda. As duas estão grávidas e muito felizes por isso. Todos na mesa se levantam e vão dá parabéns para elas. Christian abre o maior sorriso para elas, mas quando olha para mim fecha a cara. Eu deve ser muito azarada mesmo. Como essas duas loucas engravidaram no mesmo tempo, e ainda isso recai sobre mim? Elas falam que Kate está de três meses e Mia de quatro. As crianças estão animadas com mais dois membros a caminho. O resto da tarde é bem animado, por parte da família. Eliot e Ethan estão muito felizes e ainda zoaram Christian que já vai fazer um ano de casado e nada. p***a, essa zoação podia ser mesmo de Eliot. Quase ao anoitecer fomos para a nossa casa, viemos em um silêncio mortal. Ele estava com uma cara, que juro que eu não queria que ele abrisse a boca. Nossa discussão daria merda. Quando chegamos em casa, ele já foi logo me puxando para sentar na sala, porém começou a andar de um lado para o outro. -Você não tem nada para me dizer? Ele me pergunta olhando sério para mim. -Dizer o que? O que você quer que eu diga? Pergunto erguendo a sobrancelha. -Minha irmã está grávida do seu segundo filho, Kate lá vai para o terceiro. E nós? -Elas não estudam. Digo somente isso. -Não estudam, mas trabalham. -Na profissão que elas escolheram para elas. -Eu não disse que você não poderia escolher sua profissão. Eu só quero um filho. -Christian elas escolheram a vida delas. Será que eu posso fazer o mesmo? Eu não quero um filho agora. -Elas incluíram suas vidas de casadas em suas escolhas. -Ótimo, porque eu não escolhi me casar aos 21 anos, eu não escolhi está nessa discussão sobre filho. Eu quero pelo menos escolher a minha carreira. -Você não vai me convencer. Daqui a pouco nosso sobrinhos estarão grandes e a gente nem teve os nossos ainda. -E o que importa? Pergunto cruzando os braços. -Eu me importo e não quero isso. -E quando eu vou poder querer alguma coisa? Quando eu vou poder escolher alguma coisa? Quando eu vou parar de abrir mão das minhas coisas, da minha vida, para fazer a sua vontade? -Como disse antes, eu vou te dar dois anos para você colocar isso na sua cabeça. -E se isso não acontecer? Você pretende fazer o que? -Não sei, mas criarei meios para que você engravide. Então acho bom você começar a colocar isso na sua cabeça, pois quando eu quero uma coisa, você sabe que eu consigo. Ele diz irritado. -Você só quer saber do que você quer né? Não importa o que eu quero, e nunca vai importar não é mesmo? Ele me olha e não me responde. Eu quero o divórcio. Não quero mais estar nesse casamento, onde só você tem o direito e privilégio de opinar, de querer. Quem sabe você arrumar uma pessoa que satisfaça essa sua vontade? -Eu nunca vou te dar o divórcio. Ele diz assutado ao mesmo tempo irritado. -Pois amanhã mesmo eu vou procurar um advogado, você queira ou não,eu estou caindo fora dessa vida que você quer me proporcionar. -Você me disse que nunca pediria o divórcio. Que não me deixaria. -Sinto muito, mas eu não sei se você sabe, eu sacrifiquei a minha vida para está nessa p***a de casamento. Eu não queria me casar, e se eu soubesse que você iria fazer a minha vida um inferno para ter filho, eu não teria me casado, teria ficado trancada naquele quarto o resto da minha vida. Então eu só lamento pra você, isso acaba hoje.
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