Capítulo 1- Passado
Nossa história tem início na cidade de Teresina, capital do Piauí, em 12 de março de 1898, no finalzinho do século XIX... Na igreja central de São Benedito, um noivo ansioso no altar, esperava ansioso pela chegada de sua noiva, para dar início ao seu casamento, os convidados, amigos e familiares vinham ainda chegando, alguns ainda dispersos.
Brigida, era amiga dos noivos e também seria a madrinha de casamento dos dois... Assim que Estevão, o noivo se afasta um pouco para fumar um charuto, ela que não tirava os olhos dele, vai até onde ele estava, se aproximando, com cuidado para não ser vista, ela tapa seus olhos...
— Advinha quem é? Vou dar uma dica... Fizemos loucuras na noite anterior, em sua despedida de solteiro... Diz Brigida.
Estevão rapidamente se recompõe, afastando-se dela...
— Será que por acaso perdeu o juízo? O que acontece se os pais de Marta nos encontram em situação embaraçosa? Já parou para pensar? Diz Estevão.
— Está nervoso? Ansioso? Oras... Depois de tanto carinho e tanto prazer que te dei ontem... Achei que estaria mais relaxado hoje... E não se preocupa, os pais da trouxa da sua noiva, estão ocupados recebendo os convidados... Diz Brigida.
— Se estou nervoso? Ansioso? Claro que estou! Estou casando por interesse, com uma mulher que não amo... E tenho certeza que ela não me ama também! Ela gostado tal do Gaspar Castilho...
— Não se preocupe, eu dei meu jeito, fiz Marta acreditar que Gaspar ficou com outra, mulher, aquela é teimosa e orgulhosa como uma mula, nem deixou ele se explicar, melhor para os pais dela que sempre fizeram questão dela casar com você! Assim, depois de casados e você colocar amão no dote dela, ainda será o único herdeiro, caso algo aconteça com ela... Não é? Diz Brigida sorrindo.
— Eu sei, eu sei disso, está bem? Que saco! Diz ele jogando o charuto fora.
— Não vem, afinal de contas não vai ser tanto sacrifício assim a noite de núpcias... Ela é bonita e sei como vocês homens são...
Estevão então agarra Brigida e a beija, mas ela logo o empurra e se sai dele...
— Ficou louco? Quer por tudo a perder? E se alguém nos vê aqui? Vai casar, eu serei sua amante e continuaremos próximos mutualmente, até darmos um jeito de nos livrar da Marta, aí ficamos com tudo dela e vamos embora daqui! Viveremos ricos e felizes! Diz Brigida se retirando de perto de Estevão que fica olhando para ela…
Enquanto isso, Marta estava terminado de se arrumar, vestida de noiva, ao lado sua melhor amiga, Sueli, ela estava pronta e determinada a se casar...
— Finalmente estou pronta! Meus pais estão na igreja, bem como os demais convidados... Meu futuro marido me espera! Diz Marta.
— Oras! Minha amiga, minha querida amiga! Pense bem! Pense bem no que vai fazer! Afinal de contas... casamento é para sempre...
— Sueli! Nem comece! Eu não vou voltar atrás...
— Mas você ama o Gaspar! O Gaspar te ama também! Marta! Por favor... Escuta!
— Sueli, a Brigida me levou até onde o Gaspar se encontra com a amante dele! Eu vi os dois abraçados! Eu... Eu não caiu nessa mais, meus pais sempre me falaram que o Gaspar não era homem para mim, quer saber? Eles estavam certos... Vou casar, sim, eu não amo o Estevão, mas ele é um homem bonito, gentil... Com o tempo hei de gostar dele, sim, eu tenho certeza! Agora vamos? Se não tem mais nada a me dizer.... Diz Marta toda orgulhosa...
— E o que vai fazer? O que vai fazer na noite de núpcias quando seu" marido" descobrir que você não é mais virgem? Já parou para pensar nisso? Ele pode te expor Marta! Ele pode devolver você para seus pais! Arruinar com a reputação da sua família...
— Ele não fará isso, sei que não fará! Agora vamos?
— Como sabe que ele não fará? Insiste Sueli.
— Sabendo que ele não fará isso! Agora vamos indo?
Mais tarde na igreja, a carruagem chega com a noiva, dela sai uma noiva linda e deslumbrante, Marta tinha uma beleza única e era uma moça muito bela... Seu pai ia ao seu encontro, para entrar na igreja com ela, Marta então avista Gaspar de longe, atrás de uma árvore lhe observando...
— Vamos filha! Seu noivo a espera! Você está linda filha! Tanto quanto sua mãe, no dia que nos casamos... Diz o pai de Marta.
Ela contém as lágrimas e segue com o pai na direção do altar, Sueli havia avistado Gaspar a vai até ele...
— Sueli… Ela vai casar mesmo? Vai acreditar na mentirosa da Brígida! Vai casar com aquele vigarista?
— Gaspar, eu fiz de tudo, mas você sabe como a Marta teimosa como uma mula quando empaca... Eu tentei abrir os olhos dela!
— Tudo bem... Muito obrigado, ao menos você... Você acreditou em mim... Aquela garota que a Marta me viu abraçado, ela era…
— Eu sei Gaspar, eu conheço a garota, mas a Marta não deixou nem que eu explicasse, ela um dia vai se arrepender de ter confiado na Brígida
Enquanto isso, na igreja... Cada passo de Marta em direção ao altar, seu coração apertava, as lágrimas brotavam de seus olhos... Mas ela não volta atrás... Seu pai a entrega para o noivo…
— Estevão, agora você faz parte de nossa família, só peço que cuide bem da minha filha...
— Pode deixar meu sogro, farei de tudo para fazer Marta muito feliz... Diz Estevão enxugando uma lágrima dela e a direcionando ao local para o início da cerimônia...