Gaspar não diz nada, faz fica intrigado com o fato, ele apenas abraça Marta, era algo que ele havia evitado pensar até então, pois o despertar de sua memória o deixou tão impressionado, que ele sequer havia pensado sobre isso, sobre o fato ser diferente de Marta...
Mais tarde, depois que Marta foi deitar-se, Gaspar levanta-se da cama a deixando dormir e vai até o banheiro, olhar-se no espelho, analisar-se... E sim, era sua consciência em um outro corpo, muito parecido com ele, sim, mas que não era ele, Eduardo tinha uma tatuagem nas costas e outra no braço, coisa que ele não possuia, fora todo o conhecimento do presente, como aquilo era possível? E uma crise de existência se instala em sua mente...
— Quem sou eu? Afinal de contas... Sou Eduardo ou sou Gaspar? Por que estamos aqui? Diz ele.
Forçando um pouco a memória, ele se lembra da noite em que foi atrás de Marta no Hotel onde ela iria passar a noite de núpcias...
— Aquela noite, fui até a recepção do hotel e fui barrado pelo Estevão... Ele me empurrou para fora do hotel, começamos a brigar, trocamos socos... Foi isso! Paramos quando ouvimos alguém dizer... Ela vai cair! Sim! Nessa hora corremos para o hotel, e... Era tarde demais, Marta não estava mais no quarto, eu novamente troquei agressões com Estevão e foi quando fui baleado... Mas por quem? Quem atirou em mim? Se esta pessoa me matou, como estou aqui? Aliás, como estou aqui? Se a Marta também deve ter morrido, por que só eu estou em outro corpo? Se questiona Gaspar.
Logo após, outra lembrança, só que de Eduardo agora... Gaspar lembra de um jantar de negócios, ele toma uma taça de vinho com um cliente seu e passa mau logo em seguida, sua vista escurecendo, e logo todos os pensamentos ficam confusos, depois lembra de acordar no hospital....
— Minha cabeça! Minha cabeça parece girar! Todos estes pensamentos, me deixam confusos! Eu não consigo encontrar uma resposta, uma ordem para organizar tudo, parece que tudo aconteceu ao mesmo tempo! Eu... Eu não consigo também me lembrar do rosto da Amanda, não lembro dela, desde que minhas memórias de Gaspar despertaram... Será que tudo isso é um pesadelo?
Enquanto isso, em São Luiz do Maranhão, Amanda levanta no meio da noite, depois de Hugo desmoronar de sono, ela pega seu celular e vai até o banheiro escondida dele... Manda uma mensagem para Eduardo...
— Amor, estou com saudades... Acho que vou voltar antes do combinado, está tudo bem com você? Diz Amanda na mensagem.
Ela olha no relógio, são 4 horas da manhã... Hugo dormia profundamente... Amanda lembra do episódio em que Eduardo foi há um jantar de negócios com um cliente e ao tomar um vinho, havia passado mau, cliente este que estava em Teresina, justamente quando Hugo também estava para ir lhe visitar...
— Seria o golpe perfeito! Eu me casar com Eduardo, nós aplicaríamos um golpe nele, estávamos dispostos até o matar, para depois... Depois ficarmos com tudo e curtir o luxo, viver do bom e do melhor... Mas, acho que... Acho que o inesperado aconteceu, eu vim para investigar se havia sido mesmo o Hugo por trás disso, e sim, ele quer matar o Edu! Mas eu... Eu não vou permitir isso, por que eu... Eu me apaixonei de verdade por ele!
Amanda chora e pega uma arma de sua bagagem, coloca um silenciador e aponta na direção de Hugo, efetuando três disparos...
— Me desculpa Hugo, mas nossa parceria acabou, eu amo o Edu, não vou dividir o dinheiro dele com você, porque eu vou ficar com tudo! Inclusive com o ele! Diz Amanda que em seguida coloca luvas e limpa todos os locais que lembra de ter tocado, para não deixar digitar, depois descarta sua identidade falsa, desde que chegou ao hotel, tinha cuidado de sempre estar de óculos, lenço na cabeça, tudo para evitar ser reconhecida, todas as contas eram pagas com o cartão no nome de Hugo...
Ela ainda beija a boca de Hugo, baleado na cama e se despede...
— Até que vou sentir falta do sexo, mas encontrei algo melhor que isso, melhor do que você pode me oferecer... Adeus... Querido! Diz Amanda indo embora do hotel...