A princípio, Marta fica com certo dó de Amanda, ao ver o seu estado, ao ver o seu semblante que deixava transparecer raiva, revolta e amargura, lembrando o que ela mesma sentiu, ao ver Gaspar no passado com sua irmã, a quem ela também chegou a confundir no passado com uma possível traição, só que... Ali não havia traição, Amanda se envolveu com Eduardo, quando este nem tinha consciência de quem realmente era, explicar isso, era algo que desafiava a lógica, como chegar para alguém e dizer: eu vim do futuro! Em seu caso, ou dizer... Estou no corpo de alguém... Como era o caso de Gaspar.
Por outro lado, nem marta e nem Gaspar faziam ideia das intenções de Amanda, nem sabiam o que ela tinha feito, suas mentiras e sua vida criminosa que ela escondia muito bem, estava tensa, nervosa e tremendo muito...
— Eu não mereço! Eduardo, eu não mereço! Você... Enquanto eu tinha ido visitar meus pais, falar de nosso casamento, resolver a nossa situação, pois te falei desde o início que eles eram contra a gente se casar... Eu rompi com eles! c*****o! Você faz isso comigo? Eu rompi com minha família para ficar com você! Eu não mereço isso, eu não mereço uma covardia dessas! Diz Furiosa.
— Olha... Diz Marta tentando falar alguma coisa para Amanda com certo dó, mas logo é cortada de maneira ríspida...
— Cala a boca! Vagabunda! Se não quiser que eu arranque seu cabelo fora agora! Diz Amanda.
— Mas é muito atrevimento, muito descaramento mesmo! Tenta pra você ver! Diz Marta.
As duas ameaçam nova briga, mas Gaspar intervém.
— Chega! Não vão brigar, não vão brigar, olha Amanda, eu não traí você, não posso explicar isso agora, mas eu não te traí! Por favor, só peço que aceite isso, olha eu vou te indenizar, vou te dar um valor para reparar o tempo que perdeu comigo…
— Pega seu dinheiro e enfia no meio do seu....
Amanda pega sua bolsa caída no chão, estava furiosa...
—Você vai se arrepender Eduardo! Vai se arrepender e muito de ter me traído, de ser tão covarde assim! Você vai se arrepender! Diz ela transtornada.
Logo ela encara Marta, a encarando com fúria...
— Vagabunda! Isso não vai ficar assim! Sua cafona! Sua... Sua...
Amanda então se retira furiosa da chácara, batendo a porta da casa e sai em arrancada com seu carro, mas ela faz questão de bater de ré, uma, duas, três vezes no carro de seu ex-noivo e sai cantando pneu...
— Marta, me desculpa, me desculpa por fazer você passar por tudo isso... Você, uma moça de família, educada, gentil...
— Amor, eu... Eu quero ficar um pouco sozinha, por favor... Diz ela.
— Mas por quê? Indaga Gaspar.
— Só quero assimilar tudo isso, já não estava sendo fácil assimilar toda esta situação, agora me dei conta que o que ela passou, foi o mesmo que eu passei no passado com você, ao ver abraçando sua irmã, mas diferente dela, eu não tive coragem de confrontar no momento, isso teria feito toda a diferença, nós... Nós não estaríamos aqui, nesta situação agora. Diz Marta.
Seu coração nobre, permitia que Marta sentisse certo dó de Amanda, por toda a situação causada, ela sente-se desconfortável, no momento inicial, pelos insultos e pelo ciúme, ela a enfrentou, mas agora sentia-se confusa...
Gaspar, por sua vez, não podia negar, sentia certo aperto no coração, ele mesmo, não sentia nada por Amanda, Mas Eduardo, parecia que sim, ela parecia ser importante para ele como Eduardo... Ter duas consciências para Gaspar, lhe causava certas dúvidas... em sua mente, as memórias de Eduardo começavam a fluir, lembrando ele de quando se conheceram, em São Luiz do Maranhão, na praia aquele dia... Lembrando das transas enlouquecidas... O que o deixava confuso...
Marta vai para o quarto, mas Gaspar senta-se ali no sofá, confuso...
— MAs o que está acontecendo comigo? Eu amo a Marta! Eu desejo a Marta, mas por que estou triste por terminar com uma mulher que não amo? Lembranças que nem são minhas, começam a surgir…
Gaspar então inquieto, coloca uma dose de whisky para beber... Para tentar se acalmar...
Nisso, Amanda para na estrada, arrasada, chorando muito...
— Eu larguei tudo! Eu matei o Hugo, eu deixei tudo para trás, eu mudei por causa dele! E agora... Agora ele faz isso comigo? Quanto tempo aquela vagabunda está enfiada naquela chácara? Não, isso eu não posso perdoar, isso eu não consigo perdoar! Como eu pude ter sido feita de boba dessa forma? Eu não consigo entender! Eu sempre fiz todos os seus desejos e taras, fiz tudo que um homem deseja que uma mulher faça, posso estar sendo cassada agora pela polícia por causa dele e sou traída! Eu não merecia isso! Diz Amanda em lágrimas...
Ela então abre o porta-luvas do seu carro e tira uma arma, ela puxa o pente de munição e fica admirando sua pistola...
— Edu... Eu não vou deixar você me escapar assim... Não vou mesmo... Você se prepare v***a, eu não vou entregar ele fácil para você, ele vai ser meu, por bem, ou por mau, nem que para isso eu tenha que tirar você do meu caminho... Diz Amanda.
Enquanto isso, Gaspar quanto mais bebia, mais impaciente ficava, as memórias de Eduardo e sua vontade começavam a se sobressair sobre a dele, as memórias e desejos, sentimentos... Tudo...
Até que ele pega a chave do carro, bem no momento em que Marta chega...
— Amor! Aonde você vai? Diz ela.
— Você? Me chamou de amor? Diz ele.
Marta caminha até sua direção e o abraça, deixando ele confuso, naquele momento, ele era mais Eduardo que Gaspar, a sua consciência era a do mesmo homem que havia salvo Marta na areia do rio caída e que emergiu por algum tempo, deixando mais Gaspar no comando...
— Amor, me desculpa, eu fiquei orgulhosa vendo como você me defendeu, como falou para ela sustentando que ficaria comigo... Fiquei confusa mas... Ela vai sobreviver... Agora… Agora eu quero só te recompensar, por que eu te devo desculpas por ter duvidado, sentido, ciúmes... Enfim, estamos aqui, nesse tempo, talvez com uma missão...
— Missão? Como assim? Mas do que está falando? Diz ele.
— Eu tinha que ver, que descobrir como você me ama, me livrar de todos os meus pudores e conceitos e viver aqui ao seu lado, apenas eu e você... Diz Marta despido-se diante dele.
Eduardo, ao ver o corpo nu de marta, tenta ainda reagir, falar algo, mas é calado por ela, sem poder se explicar de nada, beijado por Marta que coloca as mãos dele em seus seios...
— Amor, eu quero ser sua, todos os dias, o tempo todo... Eu quero ser sua, toda sua! Você me deixou viciada e maluca em você!
Mesmo confuso e sem entender o que estava acontecendo, Eduardo não resiste a beleza de Marta e a beija, colocando ela nos braços e levando-a até sua cama, esquecendo tudo a sua volta, tomado de desejos...
— Mas, o que está havendo comigo? Que loucura é essa? O que estou sentido? Quem sou eu? Agora isso não importa...