O carro seguia pela estrada quase vazia. O céu começava a escurecer, tingido por tons alaranjados que Marta não reconhecia como belos — tudo ali lhe parecia estranho demais para ser admirado. Ela estava sentada no banco do passageiro, as mãos entrelaçadas sobre o colo, o corpo tenso. Jorge dirigia em silêncio, observando-a de relance de tempos em tempos. — Você está tremendo — comentou ele, sem tirar os olhos da estrada. — Não precisa ter medo. Marta engoliu em seco. — Não é medo… é cansaço — respondeu. — É como se eu estivesse perdida há muito tempo. Jorge franziu a testa. — Perdida como? Ela demorou a responder. Escolhia cada palavra como quem pisa em terreno minado. — Tudo aqui é rápido demais. As pessoas falam de coisas que não entendo, usam palavras que não conheço… — ela hesi

