CAPÍTULO 110 BEATRIZ NARRANDO Entrei no closet ainda com o corpo meio mole, a alma leve… e o coração carregado de coisa boa. O Arthur tinha esse poder. De me fazer sentir em paz mesmo quando eu percebia, no fundo, que ele tava segurando tempestade no peito. Escolhi um vestidinho de alcinha, solto, com um tecido leve que dançava com o vento. Prendi o cabelo num coque mais arrumado, passei só um rímel e um gloss, nada demais. E quando voltei pro quarto, ele já tava de pé, de camisa branca de linho e calça clara, encostado na parede, com aquele olhar que parecia me despir inteira. — Tá linda — ele soltou, com a voz baixa, rouca, daquele jeito que me desmontava por dentro. — Você também tá, né? — sorri de canto, andando até ele e ajeitando a gola da camisa. — Parece que saiu direto de um

