Capítulo 22 ARTHUR NARRANDO Tava ali, suado, ofegante, tentando descarregar na barra aquele peso que nem eu sabia de onde vinha, quando o celular começou a vibrar no banco do lado. Olhei o visor sem muito interesse. Val. Claro. A modelo. Corpo escultural, zero profundidade. Daquelas que falam mais com emoji do que com palavras. A gente se vê de vez em quando, sem vínculo, sem sentimento, só… distração. Exatamente como eu quero. Atendi no viva-voz mesmo, enquanto pegava a toalha pra secar o rosto. — Fala, Val. — Arthur… — a voz dela veio carregada de malícia — Tá onde, gato? — Na academia do prédio. — respondi direto, sem enrolação. — Hmm… e depois, vai fazer o quê? Suspirei, já prevendo onde aquilo ia dar. — Sei lá… descansar. Hoje é domingo. — Descansar? Ah, não… que desperd

