Quinta à noite. O som da chuva batendo na janela era o único barulho no quarto. Eu estava deitada, com o celular na mão, tentando não pensar nele. Tentando. Mas o destino adora testar a gente. O celular vibrou, e por um segundo, juro que meu coração parou. “Mathias Ferrari”. Abri a mensagem devagar, com medo do que vinha. Mathias: Precisamos conversar. Fiquei encarando aquelas duas palavras por minutos. “Precisamos conversar.” Duas palavras que podiam significar tudo — ou nada. O medo me fez querer ignorar. Mas a curiosidade venceu. Tiana: Sobre o quê? Mathias: Sobre a gente. Tiana: Não existe mais “a gente”. Mathias: Então me deixa te provar que ainda existe. Respirei fundo. E foi aí que percebi: não adiantava mais fingir que eu não ligava. Eu ligava. Mais do que devia.

