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HERDEIRA ROUBADA

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intro-logo
Blurb

Eu fui sequestrada e entregue à máfia italiana como uma encomenda.

Um magnata pagou milhões para me ter.

O plano era simples: me manter obediente até a entrega.

Só esqueceram de um detalhe importante.

Eu não sei obedecer.

Na primeira semana dentro da La Corona, destruí um lustre de cento e vinte mil euros, quase arranquei as bolas do irmão do Don e transformei um clube inteiro num inferno tentando fugir.

Dominic Bellandi deveria ter me vendido.

Era o lógico.

O lucrativo.

O inteligente.

Mas o mafioso simplesmente se recusou.

Agora homens estão desaparecendo por minha causa, negócios estão sendo afetados e a própria Famiglia começa a perceber que o Don da La Corona está quebrando regras perigosas demais para manter uma brasileira problemática perto dele.

Dominic diz que ninguém pode tocar em mim.

Eu continuo tentando fugir.

Ele continua me encontrando.

E quanto mais tempo fico presa naquele mundo nojento de tráfico, drogas, violência e homens doentes… mais percebo que Dominic Bellandi talvez seja o pior deles.

Porque ele não quer apenas me possuir.

Ele quer que eu escolha ficar.

⚠️ AVISO: Esta obra contém temas sensíveis como sequestro, violência, tráfico humano, drogas, linguagem explícita, conteúdo s****l, abuso psicológico, violência física e relações moralmente questionáveis. Indicada para maiores de 18 anos.

Trata-se de um dark romance com personagens fictícios e situações destinadas exclusivamente ao entretenimento.

Nota da autora:

Esta história não romantiza crimes ou violência. Os personagens existem dentro de um universo ficcional sombrio, emocionalmente intenso e moralmente complexo.

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PRÓLOGO - Alina Montserrat
Viajar sempre fez parte da rotina da minha família. Não apenas como férias comuns. Para Augusto Montserrat, tudo carregava um propósito: negócios, aprendizado e continuidade. Cresci ouvindo que herdeiros não nascem preparados e sim, são moldados, por esse motivo meu pai começou a me preparar cedo. — Está pronta? — a voz grave dele surgiu na porta do quarto. Desviei a atenção do tablet apoiado sobre a cama. Estava revisando alguns relatórios simples que ele havia enviado na noite anterior. Meu pai nunca precisou cobrar disciplina de mim. Eu entendia, desde pequena, o peso do sobrenome que carregava. Fechei o arquivo e me levantei. — Sempre. Os olhos dele passaram rapidamente pela mala já organizada ao lado da poltrona. Um discreto aceno aprovador veio em seguida. Escolhi roupas discretas, mas elegantes: calça de alfaiataria preta, blusa clara e um blazer leve. Meu cabelo ondulado caía solto pelas costas, revelando reflexos acobreados sob a luz suave da manhã. Parei por um instante diante do espelho vendo minha expressão fechada sem nenhum sinal de sorriso.Nunca fui alguém naturalmente simpática. Sorrisos, para mim, precisavam ser conquistados e eu selecionava bem os meus. — A Mavi já chegou — informou meu pai. Aquilo bastou para suavizar meu humor. — Já estou indo. Peguei a bolsa e saí do quarto. Assim que alcancei a sala, encontrei minha prima sentada no sofá, mexendo no celular enquanto balançava a perna sem paciência. Mavi era meu completo oposto. Cabelos negros e lisos caíam até o meio das costas, contrastando com a pele bronzeada e os olhos castanho-esverdeados sempre acesos, vivos demais para passarem despercebidos. Minha prima tinha aquele tipo de presença que puxava atenção sem esforço. Entrava em qualquer lugar e as pessoas a olhavam com interesse e admiração. Enquanto ela iluminava ambientes, eu costumava esfriá-los. — Finalmente! — Ela praticamente cantou, levantando depressa para me envolver em um abraço apertado. Deixei escapar um pequeno sorriso só para ela enquanto retribuía. — Sempre ansiosa. — E você sempre com cara de quem saiu de um retiro espiritual. — Minha mala ficou pronta ontem. — Mas aposto que você passou a madrugada inteira revisando contratos. — Culpada. Sorri de canto. — Você é impossível, Alina. — E você fala por umas três pessoas ao mesmo tempo. — Alguém precisa equilibrar essa família. Meu pai surgiu logo atrás, impecável dentro de um terno feito sob medida, ajustando o relógio caro no pulso enquanto verificava o horário. — O carro está esperando — Augusto avisou, direto como sempre. Saímos da mansão poucos minutos depois. O motorista abriu a porta do veículo, e seguimos pelas ruas ainda movimentadas de São Paulo, enquanto os prédios iluminados deslizavam além do vidro fumê. Enquanto Mavi continuava distraída no celular, digitando rápido demais no grupo da faculdade, eu apenas observava a paisagem pela janela enquanto a mente caminhava longe dali. Metade do ano, férias da faculdade e ainda assim, descanso nunca significava exatamente descanso para mim. Nos últimos meses, meu pai havia começado a me incluir oficialmente em decisões menores do Grupo Montserrat. Reuniões estratégicas, relatórios financeiros e pequenos acordos internacionais que, aos poucos, deixavam de parecer tão pequenos assim. Em breve, deixaria de ser apenas a filha de Augusto Montserrat e me tornaria a continuação dele. — Vocês têm noção de como esse lugar parece surreal? — Mavi comentou de repente, sem nem tirar os olhos da tela. Afastei a atenção da janela. — Já começou a montar roteiro turístico? — Claro. Praias, cassinos, restaurantes absurdamente caros… — E negócios — meu pai completou com calma, sem desviar os olhos do tablet em suas mãos. Nosso destino era Mônaco. O lugar perfeito para investimentos discretos, reuniões milionárias e acordos assinados longe da atenção pública. Chegamos ao aeroporto privado sem atrasos. O embarque aconteceu de forma rápida e impecavelmente organizada e exatamente como meu pai gostava. Augusto Montserrat odiava perder tempo e, honestamente, eu também. Durante o voo, Mavi dormiu boa parte do trajeto completamente largada na poltrona, como alguém que realmente sabia aproveitar viagens sem transformar tudo em responsabilidade. Eu passei algumas horas revisando documentos no tablet, respondendo e-mails e analisando relatórios financeiros até o cansaço começar a pesar atrás dos olhos. Só então deixei o aparelho de lado, reclinei a poltrona e permiti que o sono me alcançasse também. Quando pousamos em Mônaco, a diferença me atingiu no instante em que desci do avião. O ar parecia mais leve, mais limpo, tão diferente de São Paulo, do cheiro constante de fumaça, das buzinas e da correria que nunca realmente parava. Ali, tudo parecia acontecer em outro ritmo. As pessoas caminhavam sem pressa, os carros deslizavam pelas ruas impecáveis e até o tempo parecia desacelerar para acompanhar o luxo daquele lugar. Era ridículo pensar isso, mas a impressão era clara: o próprio ar cheirava dinheiro. Mônaco era o tipo de lugar construído para pessoas acostumadas a mandar, a negociar milhões tomando vinho caro enquanto observavam o mar pela varanda e eu precisava admitir que o lugar era incrível. Seguimos até o hotel em um carro reservado pelo meu pai. Durante o trajeto, Mavi praticamente se grudou na janela, encantada com tudo ao redor. O único que parecia completamente indiferente era Augusto. Para ele, lugares assim eram apenas cenário para negócios. Assim que entramos no lobby, Mavi sumiu por alguns segundos e voltou logo depois segurando um folheto turístico com um entusiasmo quase infantil. — Alina, olha isso. Peguei o papel das mãos dela. Cassino de Monte Carlo. Porto de Mônaco. Jardim Exótico. Palácio do Príncipe. Praias privadas. Restaurantes estrelados. — Nós vamos em todos — decretou, completamente decidida. — Primeiro a gente resolve o motivo da viagem. Mavi soltou um suspiro dramático e levou a mão ao peito, como se eu tivesse acabado de destruir a felicidade dela. — Você consegue transformar qualquer lugar do planeta em uma reunião empresarial. — Porque é exatamente pra isso que estamos aqui. Ela estreitou os olhos na minha direção, fingindo indignação. Meu pai apareceu logo depois, retirando os óculos escuros enquanto nos observava por um momento. — Amanhã teremos uma reunião importante pela manhã — informou calmamente. — Depois disso, vocês estarão livres. O rosto de Mavi se iluminou na mesma hora. — Então perfeito, tio. Negócios e férias. Balancei a cabeça de leve antes de fechar o folheto e devolver para ela. Naquele momento, tudo parecia apenas mais uma viagem da família Montserrat. Mais uma negociação, mais uma etapa da minha preparação para assumir o lugar que meu pai vinha construindo para mim desde criança. Nada parecia fora do normal. Eu ainda não sabia que aquela seria a última viagem antes da minha vida virar do avesso. E que, em poucos dias, eu seria arrancada do meu mundo e levada para um lugar onde dinheiro, influência e o sobrenome Montserrat não valeriam absolutamente nada.

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