Dominic Bellandi
Assim que a vi, meu primeiro instinto foi simples: Desejá-la.
Aquela coisinha petulante parecia ter sido criada especificamente para testar a paciência de um homem.
O vestido preto colado ao corpo dela não deixava espaço para interpretação.
Curto demais. Justo demais. Provocativo demais.
Como se alguém tivesse decidido transformar uma mulher inteira numa tentação ambulante.
Meus olhos percorreram cada detalhe antes que eu pudesse impedir e isso, por si só, já era um problema. Meu sangue ferveu num nível que odiei reconhecer e precisei travar a mandíbula para não reagir como um i****a.
Porque, por um segundo…um único segundo… meu próprio corpo respondeu.
Tive que esconder a p***a da ereção enfiando as mãos nos bolsos da calça.
Por sorte, a brasileira estava ocupada demais me desafiando com aquele olhar insolente para perceber. Cazzo.
Como se não bastasse, ela ainda deu uma voltinha lenta no meio do quarto, exibindo o corpo perfeitamente esculpido.
Um impulso primitivo rugiu dentro de mim na mesma hora.
Tranca ela aqui.
Não deixa nenhum bastardo olhar.
Nenhum homem merece ver ela assim.
Fechei a porta atrás de mim e o clique da fechadura fez Alina erguer levemente as sobrancelhas. Surpresa, só isso. Porque a brasileira nunca demonstrava medo, nem quando deveria.
— Vim ver se estava tudo certo — falei num tom firme.
— Estou ótima. Não está vendo?
Então se aproximou, parando perto demais, em seguida cruzou os braços diante do corpo e o movimento puxou ainda mais o tecido contra os s***s.
A respiração dela fazia o vestido subir e descer lentamente, piorando uma situação que já estava longe de ser controlável.
— Espero que ele seja bonito pelo menos — comentou, alisando o próprio quadril com a palma da mão.
Meu olho chegou a tremer num tique nervoso.
— O quê? — perguntei, incrédulo.
Ela me encarou como se estivesse explicando algo ridiculamente óbvio.
— Você ouviu. Espero que ele seja bonito… assim como você.
Fez uma pausa curta e continuou com a maior naturalidade do mundo:
— Se for assim… talvez não seja tão difícil perder a virgindade.
Cazzo.
O mundo desacelerou por um segundo, não percebi quando me movi e só notei quando ela já estava presa contra a parede.
Minha mão ficou ao lado do corpo dela, presa contra a parede.
Testa encostada na dela, nossa respiração misturada.
Perto demais. Muito perto, p***a.
Os olhos de Alina não desviaram.
Nem por um segundo, nem um maldito milímetro.
— Você é louca?
Ela sustentou meu olhar como se não entendesse o efeito que causava ou pior como se entendesse perfeitamente.
— Que p***a de mulher é você… que não tem medo de ser vendida?
O ar entre nós ficou pesado.
Denso. Quase sufocante.
— Eu não tenho escolha.
Não soube o que responder, a maneira como as palavras saíram da boca dela.Sem drama, apenas um fato aceito à força.
E naquele instante eu deveria ter recuado, ter lembrado quem eu era, o que aquela situação significava e o que estava acontecendo naquele lugar.
Mas não recuei e quando percebi o que estava prestes a acontecer já era tarde demais.
Senti os lábios dela tocarem os meus de forma hesitante, quase tímida e por um segundo pensei em interromper aquilo.
Mas, c*****o…não consegui.
Minhas mãos envolveram a curva estreita da cintura dela, puxando seu corpo contra o meu com uma urgência que eu já não conseguia controlar. O impacto entre nós foi imediato. A falsa delicadeza de Alina contra a rigidez do meu corpo arrancou um impulso quase violento de dentro de mim.
Segurei sua nuca, enterrando os dedos nos fios ruivos macios e inclinando seu rosto exatamente pra onde eu queria.
Então tomei sua boca.
Devagar no começo, saboreando cada reação dela enquanto minha língua deslizava pelos seus lábios antes de entrar de vez, o gosto dela era puro desafio.
Mantive Alina presa contra meu peito enquanto aprofundava o beijo, consumindo cada pequeno som que escapava dela e quando prendi seu lábio inferior entre os dentes numa mordida provocativa, um gemido baixo atravessou sua garganta.
Foda… eu já estava no limite antes.
Agora estava fodido.
Não queria me afastar, não queria parar. Mas a pequena safada me empurrou do mesmo modo que iniciou aquilo … de repente.
Afastei o rosto apenas o suficiente para encará-la.
Os lábios dela estavam inchados, a respiração descompassada, as bochechas coradas e por um breve segundo, o olhar da brasileira vacilou entre confusão e choque.
Alina sustentava meu olhar sem baixar a cabeça, mas havia algo diferente agora.
Como se tentasse entender o próprio erro ou o meu.
— Não — ela respondeu.
Simples. Direto.
E aquilo me atingiu de um jeito estranho. Porque não era medo, era um limite que ela estava colocando entre nós.
Algo dentro de mim se irritou imediatamente com isso.
Mas não demonstrei e o quarto agora pareceu pequeno demais para nós dois.
Antes que qualquer um de nós dissesse outra palavra…
A porta abriu e Ivan entrou rápido, objetivo como sempre.
— Don.
Meu olhar bastou para ele parar no meio do caminho.
— Atlas pousou em Palermo há quarenta minutos. Se quisermos chegar em Castelbuono antes deles, precisamos sair agora.
Confirmei com a cabeça.
A viagem pelas estradas da Sicília levaria pouco mais de duas horas, principalmente subindo a região montanhosa perto da propriedade.
Tempo suficiente para organizar tudo antes da chegada do cliente.
— Andiamo.
Ivan assentiu imediatamente.
Então caminhou até Alina e segurou o braço dela para fazê-la levantar.
No mesmo instante, ela puxou o braço de volta com força.
— Eu consigo andar sozinha.
A resposta saiu carregada de irritação.
Ivan pareceu prestes a retrucar.
— Deixa ela andar sozinha.
Ele soltou o braço dela no mesmo instante.
Alina ajeitou o vestido indecente antes de me encarar novamente, desafiadora e orgulhosa.
Porra. Aquela garota tinha mais coragem do que era saudável.
Saí primeiro do quarto, ouvindo os passos deles logo atrás pelos corredores privados da boate. Os homens da segurança já estavam posicionados na saída subterrânea. SUVs pretas com vidros blindados.
Lucca fumava encostado em um dos carros quando nos viu aproximar.
Os olhos dele foram direto para Alina, depois para mim e o i****a percebeu na hora que alguma coisa tinha mudado.
Marco fechava os últimos detalhes da segurança pelo telefone enquanto homens armados circulavam pelo estacionamento privado.
Tudo pronto e organizado do jeito que sempre funcionava.
Mas, pela primeira vez em muito tempo eu não estava gostando da sensação que carregava no peito.