Nove horas da manhã e o seu celular a desperta. Tem que correr para o banho, hoje será o grande dia. Primeiro Demet grava a a******a da série e algumas cenas sem o Can. A cena do beijo estava programada para duas, três horas da tarde, senão tivesse atrasos. O telefone toca e ela espera sinceramente que não seja seu ex. Aliás, hoje mesmo ela falaria com a operadora, pedindo que trocasse o número. Depois da cena de ontem, ela não queria nunca mais ouvir sua voz. Estava encantada com a atitude máscula do Can. Que homem era esse? Nenhum homem jamais a defendeu assim. Ao contrário, eles só faziam era oprimi-la, nunca se sentiu protegida desse jeito. Não! Não! Para Demet. Ele só fez o que achou certo, por impulso. Tira logo isso da cabeça, garota. Onde que um homem lindo como ele, não teria compromisso? Demet sentiu o ciúme acender dentro do peito. Can teria compromisso? A cena do táxi voltou a sua cabeça. Ele havia segurado sua mão o tempo todo. Por quê? Já estava ela novamente sonhando. Será que já estava incorporando o personagem, que iria viver? Será que Samia e Demet teriam que carregar o mesmo fardo de amor? Ela ainda não tinha certeza. Mas que droga de ansiedade era essa?
– Alô. Mamãe.
– Você está bem filha?
– Estou.
– Estou te ligando pra desejar boa sorte.
– Obrigada, vou precisar.
– Que Alah te proteja minha filha. Vai dar tudo certo.
– Mamãe, ontem na festa adivinha quem apareceu e fez uma cena na frente do Can?
– Não me diga...
– Eu não sabia onde enfiar minha cara.
– Que rapaz gentil e com atitude é esse Can, filha? Demet...
– Fala mamãe.
– Olha o que nós conversamos. Não vá se apaixonar viu?
Demet sabia que dessa vez não daria para atender ao pedido de sua mãe. Ela estava envolvida desde dia que ficou frente a frente, com Can Yanki.
Se tem alguma coisa, que Can ame fazer, é dormir e comer chocolate. Mas dessa vez o sono foi embora e Can está sentado à mesa do café às 10 horas da manhã, pensando nela.
– Certamente, ela já foi gravar. Espero que saia tudo como ela planejou. (ele pensa)
Mas o que é isso? Está com ela nos pensamentos, a essa hora da manhã? Can, seu doido! Ela acabou de sair de um relacionamento e você também. Não vá querer estragar tudo agora. Na série Samia tem uma consciência com quem ela conversa, quase que diariamente. Mas na vida real, é Can quem fala com a sua.
Empregada – Seus ovos mexidos, Can.
– Obrigado.
– Trouxe também borek.
Can agradece e começa comer. Demet termina de gravar a cena da a******a e os atores que estão escalados para gravar na parte da manhã comentam entre si, que talentosa é essa menina.
Alp chegou ao fim da gravação de a******a, mas mesmo estando no finzinho, pode ver sua amiga brilhando ao dançar. Por volta das 13 horas, Can chega e vai direto a uma sala onde eles estavam assistindo Demet dançando na a******a. Can ficou encantado.
– Que linda, ela ficou aí!
Diretor – Você precisava ver essa garota dançando e interpretando Can. Que talento! Vem ver, ela começar gravar agora, a cena na agência "Gübre Fikir" com Alp. Can acompanha-o calado e assisti fascinado.
A cena que Demet grava é aquela que Aziz e Emin estão com smoking e Lale chega com Samia.
Can já viu o quanto será difícil, segurar suas emoções diante dela e de toda a equipe. Ela parece ter sido feita sob medida, para si. Como ela estava linda naquela roupa contracenando. E por falar em roupa ele teria que trocar duas vezes a sua. Já que colocaria o terno e o tiraria em seguida, para dar a entender na trama que ela não o viu como "Albatroz".
Pronto, já colocou a roupa de Can Yanki, que na série faz Can Duglü. Demet termina a gravação e corre para rolete (van) para se trocar para cena mais importante do dia de hoje. A cena do beijo.
Ao chegar a sua rolete, percebe que há várias mensagens no seu celular, mas só uma lhe chama atenção. Can havia lhe escrito algo.
– Iyi günler (boa tarde) Demet. Já cheguei sabendo que você arrebentou em cena dançando e interpretando. Assisti no vídeo e vi pessoalmente o finalzinho da gravação na agência "Gübre Fikir" . Você é demais! Nos vemos daqui a pouco, para que você possa roubar a cena outra vez. Beijos Can.
– Iyi günler (boa tarde) Can. Obrigada por ontem e pelas palavras hoje. Você é um gentleman (cavalheiro). Mas não vou brilhar em cena sozinha e muito menos roubá-la do talentoso Can Yanki. Beijos Demet.
Can sentado em sua rolete lê as palavras dela e sorri. Levanta, abre a porta e caminha para sala onde a cena do beijo acontecerá.
Diretor – Olha o Yaman chegando.
– Iyi günler (boa tarde)
Todos – Iyi günler.
Can vai em direção dos atores que fazem Aziz e Emin e cumprimenta-os.
– Estamos prontos? Vai Can e entra na sala onde eles estão.
A cena começa com Can, Aziz e Emin se cumprimentando na sala e em seguida os três saem para sala dos funcionários. Can senta de costa no momento que Samia, Ceyhu e Derya chegam, para verem o motivo de tanta algazarra e gritaria na sala. A cena da selfies com os funcionários continua.
Ceyhu – Ali está o Can.
Samia – Onde?
Samia tenta ver Can, mas não consegue, pois ele havia sentado. Derya chama os dois, pois há muito trabalho a ser feito. Can nesse momento sai para outra cena e quando acaba vai trocar sua roupa de "Albatroz". Estava chegando a grande hora, a partir dali ele e Demet se encontrariam em cenas diárias.
Ele ainda não a tinha visto, estava ansioso e inquieto. Não era bom ficar tanto tempo sem sentir sua presença. Mas o que estava dizendo para si mesmo? Estava de fato ficando doido. Ela não podia ser sua. Talvez nem quisesse ser. Ele teria que tirá-la da cabeça a qualquer custo.
Diretor – Demet, já pode entrar. Preparem os jogos de luzes.
Demet sob as escadas em um vestido lindo prêto. Que marcava bem a silhueta do seu corpo abre a porta e posiciona-se no lugar que já lhe havia instruído o diretor. Can ao vê-la pela tela da TV do diretor percebe o balançar de seus s***s durinhos e pensa.
– Como irei resistir a tanta beleza? Posso imaginar seus s***s por baixo desse vestido a me instigar.
Diretor – Can. Agora é com você.
Can não pensa duas vezes, sobe as escadas, entra no teatro, na direção de Demet, com seu coração acelerado puxa-a e beija-a.
Diretor – Não se mexam! Precisamos filmar vários ângulos.
Que momento mágico, senti-la em meus braços, encostada a meu corpo, era algo que jamais sonhei. Demet estava ali, embora estivesse escuro, eu sabia que era ela. Eu estava beijando-a. Não era ainda o beijo que eu pretendia dar. Mas só o fato de nossos lábios estarem colados, sentindo a sua respiração, estava me levando ao paraíso. Eu estava e******o e precisava me controlar.
Demet também estava envolvida em seus pensamentos. Estava ali nos braços do homem que de fato ela queria estar, tendo apenas que representar algo que ela estava querendo de verdade e não poderia revelar a ninguém.
– Que perfume é esse? Tão peculiar.
Diretor – Olha os sapatos e foge agora Demet.
Demet olha para baixo e vê os sapatos de Can e corre sem que eles possam se ver.
– Quem eu beijei agora?
Diretor – Corta. Magnífico. Basak pode entrar e fazer a cena com Can.
A cena segue e o diretor chama Can lá para baixo onde ele fará a cena com Munis (amigo advogado) revelando a doença de seu pai.
Diretor - Agora vamos lá pra baixo, após o diálogo com Munis, vocês passarão um perto do outro. Já sem o terno Can.
Can - Ok
Can e Demet seguem próximos e para ele é uma tortura não poder olhá-la em cena, já que ela passa em sua frente e sai do teatro, entrando em um táxi. Naquele dia ele sabia que não a veria mais.
Demet chega à casa cansada, mas com a sensação de dever cumprido, deitando em seu sofá. Observa a luz do celular acender, indicando que chegou uma mensagem. É ele! É o Can, quem deixou.
– Demet minha linda, que cena incrível. Uma pena que não pudemos nos falar depois disso. Acredito que esteja cansada e foi para casa.
Nos vemos amanhã as 9 horas. Beijos Can.
– Can, meu querido. De fato estou exausta. Mas prometo entrar no ritmo. Amanhã bem cedo estaremos juntos outra vez. Beijos Demet.