O ronco distante do motor do carro da Lara desapareceu pela estrada sinuosa que levava até a entrada principal do condomínio. Fiquei parado no jardim por mais alguns segundos, sentindo o frio noturno cortar a pele. Não era o frio do vento — era o frio que vinha de dentro, aquele tipo que se instala no estômago quando você sabe que algo r**m não acabou, só foi adiado. Quando voltei para dentro, o ambiente da festa já estava se desfazendo. A música, antes alta e vibrante, havia diminuído para um jazz suave toca. Meu pai estava sentado em uma poltrona de couro no canto. A Isadora, ao lado dele, parecia mais relaxada, rindo baixinho de alguma coisa. Quando ela percebeu minha aproximação, levantou a taça de vinho num gesto quase automático, como se me incluísse na conversa sem precisar de pala

