Seis

1329 Words
Larissa tremia as pernas enquanto ia para casa. Agora restava saber, se era pelo susto das sirenes e a velocidade dos carros, ou por ter visto Jonathan.  *** Jonathan passara as últimas duas semanas envolvido até os ossos no caso, que intitularam como Safira. A bela jovem não pode sair da delegacia nem um dia sequer, pois o risco que corria era enorme. Improvisaram uma cama para ela na sala de descanso da delegacia, e tinha companhia policial 24 horas. Jonathan não aguentava mais essa loucura que sua vida tinha se tornado. E Rebeca ainda estava de férias, e ele não pediria para ela voltar, sabia que ele merecia aquelas férias, mais do que ninguém. E ao lembrar-se dela, vinha Larissa a sua mente. Ainda não tivera tempo de encontrá-la, ou ao menos conversar com ela. Esperava que ela não ficasse zangada com ele. Ele havia prometido um passeio e um sorvete, e ainda não cumprira, mas logo que esse caso finalizasse faria isso.  - Safira.. - Ele tinha a voz cansada e rouca.  Safira levantou da cadeira em que estava encolhida desde o início da manhã. - Jonathan... - Ela sabia que eles estiveram atrás de Holandês e os traficantes maiores.  - Pegamos eles! - Jonathan falou se jogando em uma poltrona próxima, passando as mãos pelo rosto. - Não foi fácil, mas conseguimos Safira. Conseguimos! - Ele a olhava com alívio, com cansaço, mas com muita satisfação. Safira se levantou e foi até ele, se ajoelhando a sua frente. - Vocês os pegaram? Pegaram mesmo?  Jonathan segurava as mãos trêmulas de Safira. - Sim... os pegamos. Todos eles.  Safira se agarrou as pernas de Jonathan. - Oh meu Deus, obrigada, obrigada. - Ela chorava de alívio e felicidade.  - Mas ainda não acabou, você sabe né...?  - Sim, eu sei... - Ela disse com o olhar preocupado. - O julgamento né. - Suspirou.  - Vai dar tudo certo. Agora que os pegamos teremos mais testemunhas e vítimas falando. - Ele apertou as mãos dela entre as suas. - Vamos repassar tudo antes do julgamento, você sairá dessa.  *** Uma semana depois... No Dia do julgamento do caso Safira. Safira tremia igual vara verde, estava acompanhada de pelo menos 15 moças que deporiam também, ou seja, a chance de ganharem eram infinitamente maior agora. Viu quando o promotor chamou-a para depor.  - Jura falar a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade?  - Juro. - Safira respondeu, sem levar o olhar para os homens que estavam sentados nos acentos do réu.  O advogado do Holandês era bom, muito bom. Tentava fazer Safira se trair, ou se perder nas declarações, mas se tinha um coisa que Safira aprendera com o próprio Holandês, era não se deixar afetar, era ignorar tudo a sua volta, e era exatamente isso que ela fazia nesse momento. Fixou os olhos nos jurados e as respostas eram dadas de maneira fria e contida. Mas então o advogado pediu para ela olhar para os réus e identifica-los.  Safira piscou algumas vez, olhando para o advogado. Então lentamente foi virando os rosto em direção aos réus. Ela foi chegando aos rostos conhecidos e temidos, eles a olhavam com fúria, se pudessem a matariam ali mesmo e ela sabia disso. Sentiu suas pernas começarem a formigar, um gelo subindo por suas costas, um arrepio que vinha desde o estômago, trancando em sua garganta. Era como se tivesse levado uma punhalada na cabeça, o ar começou a ficar pouco para seus pulmões, a fazendo arfar, sentiu uma náusea forte, que a fez retorcer a boca. Ela nunca havia se sentido assim antes, era como se seu coração estivesse parando, enquanto a cabeça vibrava, arrepiava e latejada.  Jonathan observava cada micro expressão de Safira, ele podia sentir o medo dela, e sabia que eles também, pois estavam com um meio sorriso nos lábios, por um momento ele achou que ela não conseguiria, mas então ela se levantou da cadeira e começou a chorar, a gritar os nomes deles, as idades, as marcas nos corpos, ela começou e não parou mais, mesmo o advogado dizendo que chegava, e o juiz pedindo ordem, ela gritava atrocidades que foram feitas com ela e com outras garotas. Jonathan mais uma vez via seu coração sendo destroçado com aquela cena, sabendo que dificilmente essas mulheres se recuperariam do que viveram.  O advogado tentara fazer com que ela tivesse medo e recuasse ao enfrentar cara a cara seus raptores. Mas o que ela fez acabou com eles, ninguém tinha dúvida do que elas passaram nas mãos daqueles monstros. Exames tinham sido feitos nas garotas que foram encontradas na boate, mostrando as marcas que ficariam nelas para sempre. Muitas não podiam mais engravidar, outras tinha sido marcadas a ferro. Era cada história que fazia o júri se arrepiar. As imagens faziam as pessoas levarem as mãos ao peito ou a boca. - O júri chegou a um veredito ? - O juiz perguntara depois de menos de meia hora da decisão dos jurados.  - Sim, chegamos.  - E qual o veredito ?  - Declaramos, com unanimidade, que pelos crimes, de tráfico de mulheres, homicídios triplamente qualificados, prostituição, cárcere privado... os réus são culpados!  O salão entrou em alvoroço, com as mulheres gritando, chorando e comemorando, enquanto os réus tentavam se soltar e precisaram ser contidos por vários policiais.  Não era sempre que a justiça dos homens dava certo, não era sempre que viam um caso tão difícil sendo resolvido, não era todos os dias que pegavam uma quadrilha enorme de traficantes. Não era todos os dias que pessoas boas tinham novas chances.  Safira decidiu voltar para sua cidade com sua família. Mas Jonathan deixou seu número com ela, e pra qualquer coisa que ela precisasse podia ligar para ele, a cobrar mesmo. Ele vendeu seu apartamento extra e transferiu todo o dinheiro para uma conta em nome dela.  - Jonathan eu não posso aceitar! - Pode sim, e vai! - Ele dissera a abraçando no aeroporto. - Você merece isso e muito mais. Desejo que você se recupere e seja muito feliz.  Safira limpou uma lágrima que insistia em rolar por sua bochecha. - Obrigada. - Eu que agradeço, sem você não conseguiríamos. - Ele a soltara do abraço. - Você foi corajosa demais. E você sabe né, que o seu depoimento fez toda a diferença. Todos viram sua emoção, sua verdade. Graças a você todas aquelas moças estão livres.  Safira já não segurava mais o choro. - Obrigada Jonathan, obrigada de coração.  Assim, Safira voltou para o México, para depois de muito tempo, protagonizar a sua própria vida de novo, e quem sabe encontrar o seu verdadeiro amor.  *** Safira descera do avião com uma pequena mala preta nas mãos. Ela estava de volta, depois de longos 7 anos, estava de volta ao lugar de onde nunca devia ter saído. Caminhava devagar, enquanto olhava cada detalhe do aeroporto que ela m*l reconhecia. Ela parava para olhar para os rostos das pessoas do seu país, rostos cansados, rostos animados, rostos sérios, mas eram os rostos aos quais ela tanto sentiu falta.  Caminhado eufórica em direção aos táxis, não viu quando um homem alto, forte, moreno, cabelos que lhe caiam levemente na testa, vestido de terno social preto, gravata azul e uma pequena mala preta nas mãos, corria em direção contrária a ela.  Eles se esbarraram de forma tão brusca que Safira quase caiu para trás. Mas ele a segurou a tempo. A encarando severamente. - Ei, não olha por onde anda, não?  Safira se encolheu de susto e baixou a cabeça. Ela não se sentia segura perto de homens, não depois de tudo que acontecera, e muito menos com homens ríspidos. - Desculpe senhor. - Abaixou-se, pegou sua m*l e correu para um táxi.  Henrique enrugou a testa, estava atrasado para pegar o voo, e ainda esbarrava em uma doida. Pegou sua mala e retomou seu caminho até o local de embarque de seu voo.
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