Jonathan dormiu com safira nos braços. Ela chorara até dormir, falando coisas sem sentido e se desculpando. Ao acordar sentiu seu braço dormente devido ao peso da cabeça dela.
- Oii.. Safira... - Chamou-a.
Ela espreguiçou-se e abriu os olhos. Levantando em um pulo. - Ai meu Deus, que horas são ?
Jonathan olhou. - São 10 horas... mas hoje é domingo. - Disse alongando os braços.
- p**a m***a! O Holandês vai me m***r!
"Holandês, era o cara que ele procurava" - Calma, como assim ? Vamos tomar um café primeiro. - Jonathan dissera tentando parecer calmo, não podia perdê-la de vista.
- Não... não, não dá. Tenho que ir... - A cara dela era de puro desespero.
- Não vai! - Jonathan pensou que era tudo ou nada. - Eu posso te proteger.
Safira piscou sem entender. - Me proteger?
- Me escuta, até o final, e se não quiser, pode ir embora e nunca mais me verá.
Safira franziu o cenho. Sentou-se na ponta do sofá. - Fale.
Jonathan explicou, que era um policial detetive, que sua equipe buscava alguém com coragem para depor contra a máfia Holandesa, que havia um bando de traficantes de mulheres, que várias moças tinham morrido ou desaparecido, mas eles precisavam de pelo menos uma vítima para poderem prender esse tal de Holandês. Falou que a protegeriam até o julgamento, e depois ela estaria livre. Mostrou seu distintivo, disse seu nome completo e de qual delegacia era.
A cada frase Jonathan percebia incerteza, medo, coragem, esperança, passando pelos olhos de Safira, a cada novo detalhe que dava a ela, via que ela queria acreditar nele e queria sair daquela vida. Teve pena da bela jovem a sua frente.
Safira ouvia tudo com o coração aos saltos. Pela primeira vez em 7 anos via uma esperança, uma saída. Mas e se fosse uma cilada? Ela o encarou com os olhos azuis amedrontados, mas ela já não tinha mais muito a perder. - Jura que me protegerá?
Jonathan soltou o ar que vinha segurando. - Juro!
Safira assentiu. - Eu não quero voltar. - Seus olhos marejando.
- Não precisa voltar. - Jonathan a abraçou, sentindo que ela tremia. - Quer me contar sua história?
Safira demorou para responder, mas por fim assentiu. - Eu vim faz 7 anos.
Jonathan fechou os olhos, tentando imaginar pelo que aquela garota já tinha passado.
Ela falava com os olhos distantes, como se estivesse revivendo tudo. - Eu tinha 18 na época, minha família era muito pobre. Tínhamos esperança de eu me tornar modelo e mudarmos e vida. Me inscrevi em um site que dizia que treinava moças para serem modelos. Vieram até minha casa e disseram que me levariam para outro estado porque era lá que as coisas aconteciam. Mas me trouxeram para cá, o Brasil.
- De onde você é ? - Jonathan perguntou.
- México. - Ela limpou uma lágrima. - Eu fui obrigada a aprender a falar bem o Português, ou me batiam. Estive um mês presa dentro de um quarto sem janelas e sem banheiro. - Ela levou a mão ao peito, sentindo o ar lhe faltar. - Eles me tiravam de lá, me davam banhos gelados, me mandavam comer e depois eu ia... - Ela parou, quase engasgando. Ela ergueu os olhos e encontrou os olhos amendoados de Jonathan. - É difícil... - Ela fechou os olhos com força. - Me levavam para um quarto enorme, onde eu era violentada. Repetidas vezes, até desmaiar, acordava suja e dolorida, jogada naquele quarto sem janelas de novo. - Ela falava com uma cara de nojo. - Achei que ia morrer. Mas então me tiraram de lá e comecei a fazer aulas de português, me comportava bem e ganhava comida, não reclamava mais quando era estuprada, e comecei a agir como eles queriam. Assim fui tendo um pouco mais de paz. Foi assim por seis meses, quando me levaram para uma boate e lá eu era obrigada a me prostituir. - Ela olhou novamente para os olhos de Jonathan, e pela primeira vez na vida, ela não viu julgamento, ela viu apenas indignação pela situação pela qual ela passou. Então conseguiu continuar. - Foi h******l. Foi humilhante, foi desesperador. Há cerca de um ano atrás um cara lá de dentro da máfia, se encantou por mim. O Rogério. - Ela sorriu de modo sarcástico. - Só ele podia me comer dali em diante. Eu só atendia os fregueses, mas nunca aceitava sair ou ir para cama com ninguém. Ele fez tudo que queria comigo, mas semana passada, veio uma moça nova. - Ela fez cara de nojo de novo. - Ele disse que essa seria minha última semana com ele, e então eu voltaria para a vida de sempre.
- Meu Deus, Safira... - Jonathan estava com o coração estraçalhado.
- Eu saí com você, porque estando ainda com Rogério eu podia sair de lá, de vez em quando. Quando eu voltasse a ser apenas uma p********a, não poderia mais sair da boate desacompanhada. - Ela sorriu para Jonathan. - Eu gostei de você... - Suspirou. - Ainda bem, que foi você que eu encontrei, ainda bem...
Jonathan fez algumas ligações e disse que conseguira alguém. Precisava ser discreto, para não desconfiarem e nem a pegarem.
- Vamos para a delegacia. Lá estaremos mais seguros. - Jonathan disse a Safira. - Ah e preciso do seu nome verdadeiro.
Safira sorriu, abriu sua bolsa e mostrou a identidade. - Meu nome é Safira Angelique Peréz.
Jonathan sorriu. - Me disse seu nome verdadeiro ? - Ele sentiu-se lisonjeado.
- Meu nome falso é Rubia. Mas não gosto. E lá dentro somente o Holandês me chama de Safi... por isso ontem quando me chamou assim, fiquei apavorada.
Jonathan não conseguia mais ver aquela morena alta e sedutora. Ele via uma menina de olhos arregalados e indefesa. Como as coisas podiam mudar rápido. - Meu nome também é Jonathan... - Ele riu, pois deveria mentir o nome, mas não conseguiu mentir seu nome para ela.
- Eu sei, você me mostrou seu distintivo. - Ela riu. - Obrigada por me falar seu nome de verdade.
Juntos foram para delegacia, ao para o carro Jonathan percebeu que um carro que vira algumas quadras atrás estacionou próximo. - m***a! - Não deu tempo de muita coisa, só de gritar. - Se abaixa Safira!
Safira se encolheu abaixada no banco, enquanto gritava. Logo sirenes foram ligadas, e policiais revidavam os tiros. Jonathan olhava pelo canto dos olhos para Safira, para ver se ela estava bem no meio do caos. E a via com as mãos na cabeça e olhos fechados. Ela era apenas uma menina, não acreditava que pudessem existir pessoas tão cruéis. Esse seu trabalho só servia para provar dia após dia, que o ser humano estava corrompido.
Ao parar os tiros, o sargento de Jonathan abriu a porta de forma desesperada.
- Jonathan, você está bem ?
Jonathan se ergueu devagar. - Tudo bem chefe. Pegaram eles?
- Não! Conseguiram escapar. Carro blindado.
- Mas que m***a!
- Vamos entrar logo, antes que voltem e consigam m***r vocês. - O sargento estava preocupado. Essa era um gangue enorme, e precisavam tirar das ruas o mais rápido possível.
Jonathan ajudou Safira a sair do carro, e levou-a para dentro da delegacia. - Aqui estaremos mais seguros. - Disse a ela, que estava pálida.
O sargento explicou tudo a ela e a Jonathan, como seguiriam dali para frente. Safira corria perigo de vida, ficaria sob p******o até todo o caso ser finalizado.
Safira concordara com tudo, fazendo mais uma vez Jonathan ficar feliz por tê-la encontrado.
- Você é muito corajosa. Parabéns e obrigado. - O Sargento a elogiara.
Safira estava segurando o choro agora. - Eu que agradeço. - Ela via uma saída no fim do túnel, depois de estar no escuro por 7 anos, ela via a luz.
***
Larissa tinha quase esquecido de Jonathan, a escola estava indo bem, sua vida estava voltando ao normal. Caio estava sendo legal e atencioso com ela, o que estava a fazendo se sentir meio apaixonada por ele de novo. Mas ele não tinha falado em ficar com ela nem nada do tipo, o que a estava deixando ansiosa.
Saiu da escola perto do horário de almoço, como de costume foi caminhando para casa. Hoje Caio não se oferecera para acompanhá-la, e ela não ficou chateada, estava mais ansiosa por chegar em casa logo e voltar a ler seus livros, porque ela estava numa vibe muito leitora. Terminara trilogia de A Seleção e todos seus contos. Agora começaria A Rainha Vermelha. Estava perdida em seus pensamentos, quando ouviu uma sirene ao longe, se virou e viu um carro passar voando por ela, atrás várias viaturas. Se assustou e se encolheu em um canto em um muro da calçada. Ao focar seus olhos em uma das viaturas viu-o de novo. Ela tinha se esquecido de como ele era lindo. Era Jonathan, de cenho franzido, boca rígida, mas era ele. Larissa sentiu-se gelar, não sabia ao certo, mas temeu por ele, e por ela também.
Jonathan estava a quase 100km/h atrás dos capangas do Holandês, quando se deu conta que passaram por alguém, ao olhar no retrovisor reconheceu quem era... Era ela. A menina que não saía de seus sonhos, a menina que lhe tirava o sono, era Larissa. Com aqueles olhos verdes claros assustados, os cabelos loiros esvoaçando, a pele branquinha se arrepiando. Desviou o olhar. Precisava se concentrar para acabarem de uma vez com esse caso, ou ficaria louco.