Quatro

1602 Words
Jonathan bebia uma cerveja em um bar do centro da cidade com Safira. Até agora ele não haviam conversado sobre nada. Andaram de mãos dadas até o local, e neste momento bebiam e se encaravam enquanto sorriam um para o outro.  - Então... qual sua profissão ? - Safira perguntara com os olhos nos olhos de Jonathan, que não desviava.  - Sou gerente de uma empresa de automóveis. - Pelo menos conseguira mentir sua profissão, pensou Jonathan achando graça. - E a sua? - Devolveu a pergunta.  Safira pareceu um pouco desconcertada, o que agradou Jonathan. - Bem... eu sou garçonete. - Sorriu meio sem jeito. Era até engraçado para Jonathan vê-la sem graça. Ela parecia tão segura de si.  - Sempre quis fazer isso ? - Ele disse bebendo um gole de sua cerveja. E algo nos olhos dela chamou sua atenção. Era tristeza.  - Na verdade, eu queria ser modelo. - Ela riu. - Mas não era o que o destino me reservava.  Jonathan sentiu um nó no peito. - Você ainda é jovem... porque não tenta mais um pouco ?  Ela ficou séria. - Não quero falar sobre isso.  Terreno perigoso, Jonathan sabia que dificilmente arrancaria algo dela. - Ok, me desculpe. - Disse erguendo as mãos. - Qual sua idade ? Ela sorrira. - Hoje é meu aniversário de 25 anos.  - Sério? - Jonathan ficara verdadeiramente surpreso. Ela assentiu. Jonathan ergueu seu copo. - Proponho um brinde então, que todos os seus sonhos se realizem, que você encontre a verdadeira felicidade. - Ele viu os olhos dela marejarem.  - Obrigada. - Disse ela erguendo seu copo de cerveja. - Obrigada. - Repetiu ela.  - O que acha de irmos para outro lugar ? - Ele perguntara querendo levá-la para cama. Não era seu intuito inicial, mas agora vendo-a um pouco mais como humana, sabendo que era seu aniversário, e que se ela estava ali com ele em um dia tão especial, um completo estranho, era muito provável que ela não tivesse amigos ou família por aqui. - Acho uma ótima ideia. - Dissera ela terminando sua cerveja.  Jonathan pagou a conta e saíram de mãos dadas. Jonathan levou-a a um apartamento que ele tinha para situações como essa, em que estivesse disfarçado, ou que não quisesse levar uma mulher para sua casa.  O apartamento era pequeno, com um quarto suíte, uma sala com sofá e televisão, uma cozinha pequena, estilo americana e uma lavanderia pequena.  Ao entrarem Jonathan ofereceu uma água, que ela aceitou. Sentou-se com ela no sofá. Virou-se para ela e pegou suas mãos. - Você é linda... - Ele fixou seus olhos nos olhos azuis vibrantes, e eles pareciam tão sinceros, que quase se perdeu. - Acho que tenho um presente pra você. - Saiu em direção ao quarto, abriu uma gaveta, com coisas aleatórias que ele guardava ali. Vasculhou e achou o que procurava. Era uma caixinha preta de veludo, fina e pequena. Sorriu, e voltou para sala, encontrando-a da mesma maneira que a deixou.  - Pra você. - Ele entregou a caixinha.  Ela sorriu e abriu. Ao abrir seus olhos arregalaram, sua boca entreabriu. Era uma pulseira de brilhantes, brilhantes reais. E ela sabia disso, pois fechou e disse. - Não posso aceitar. - Devolveu para ele.  - Pode sim. Estou te dando. É seu aniversário.  - Mas são brilhantes...  - Eu sei... eram da minha irmã... - Jonathan sentia algo diferente por aquela moça, como um dever de protegê-la, ajudá-la, mesmo sem ainda saber do que ou porque. Aquela pulseira fora um presente que comprou para sua irmã de aniversário, mas antes que pudesse entregar, sua irmã sofrera um acidente de carro e morrera. Deixando a pulseira ainda nova em sua caixinha. Ele guardara por muito tempo, como item de apego, mas não fazia mais sentido. Não depois de tanto tempo.  - Ela não ficará zangada? - Ela perguntara com os olhos ainda arregalados.  Jonathan sorriu e balançou a cabeça. - Não... eu garanto. Pode aceitar.  Ela tirou a pulseira da caixinha, Jonathan ajudou-a a colocar no pulso, e ficou perfeita. Ela não parava de olhar, admirada com a beleza da pulseira. - Muito obrigada. Nunca tinha ganhado algo tão lindo. - Ela sorriu para ele, com aqueles dentes brancos e tortinhos.  Jonathan se aproximou dela e a beijou. Safira correspondeu o beijo, um beijo calmo, contínuo, sem vontade de terminar. Aos poucos foi ficando mais rápido, mais urgente, Safira foi erguendo a camisa de Jonathan, que ajudou-a a tirar a sua blusa.  Ele ergueu-a no colo rumo a cama, ela tinha cheiro de baunilha, um cheiro suave e refrescante ao mesmo tempo. Quando chegaram na cama e Jonathan terminara de despi-la, sentiu como se algo afetasse sua mente. Ela parecia tão legal, talvez estivesse sendo obrigada a tudo aquilo também... Respirou fundo, fechou os olhos, e quando abriu de volta encontrou-a séria encarando-o.  - Você quer.. isso ? - Ele perguntara com os olhos sérios. - Não estou te obrigando, podemos só deitar e assistir um filme... - Ele queria que ela soubesse que tinha escolha.  Safira piscou os olhos repetidamente como se tentasse entender o que o homem a sua frente dizia. - Está falando sério ? - Ela sentara-se na cama encarando-o.  "m***a! m***a! m***a!" Jonathan não sabia o que ele realmente queria que ela dissesse. Assentiu com a cabeça.  Ela deu-lhe o maior e mais belo sorriso até agora. Pulou da cama juntando suas roupas. - Você tem sorvete ? - Ela perguntou animada. - Quero assistir uma comédia romântica! - Disse enquanto se vestia. Jonathan tentava se controlar e não parecer incrédulo, mas a mulher sedutora a sua frente tinha se transformado em uma menina animada com a ideia de olhar um filme comendo sorvete. Sorriu de lado, talvez não tivesse errado tanto quando algo nela lhe chamou a atenção.  - Não tenho sorvete, mas posso pedir uma tele entrega. Logo chega. - Começou a vestir-se e pegar o celular para pedir. - A vida era uma caixinha de surpresas mesmo. Assistiram o filme Como perder um homem em dez dias. E Safira chorara com o filme. Jonathan ria, mas era da situação, pegara a moça em uma boate de prostituição, toda segura de si, e agora ela chorava em seu ombro enquanto assistiam uma comédia romântica.  - Ai... - Disse ela limpando as lágrimas. - Quem dera eu poder viver um romance desses um dia...  - Ué... tudo é possível na vida. - Jonathan disse passando o pote de sorvete para ela.  - Hummmm, esse sorvete, é o melhor que comi na vida! - Ela não tentava mais seduzir, ela não tinha mais olhos astutos, eram olhos felizes e inocentes. Algo não estava batendo naquela situação...  - Safira...  - Hummm... - Disse ela com a boca cheia de sorvete.  - Você está feliz ?  - Uhuuummm, muito... - Respondeu ela metendo outra colherada na boca.  - Que bom, o dia do aniversário é um dia legal né... eu gosto. - Ele sorriu, ele amava fazer aniversário, ganhar presentes, fazer uma festa... Mas, como faria para saber se ela estava lá obrigada... - Onde você mora Safi? - Ele chamou-a por um apelido que achou legal na hora, que fez com que ela se virasse para ele, com a colher no meio do caminho. - Porque me chamou assim ? - Ela mudou a expressão, ela tinha os olhos arregalados, a boca tremendo levemente.  Jonathan até se assustou um pouco. - Não sei, só achei um bom apelido. Não gosta? Desculpe...  Ela se levantou e largou o pote. Os olhos dela não brilhavam como a poucos minutos atrás.  - Desculpe senhor Jonathan, eu achei que falara sério... podemos ir para cama...  Jonathan estranhou o comportamento dela. - Como assim? Senhor?  Safira começara a tremer. - Por favor, o senhor pode fazer o que quiser comigo, mas não diga nada que não quis deitar com o senhor, eu só achei que pudesse... - Ela se virou para a televisão. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos.  - Safira... mas desculpe, mas não estou te entendendo, não chore.. - Jonathan se aproximou e ela fechou os olhos. - Safira... olha pra mim. - Ela abriu os olhos. - O que está acontecendo ?  Ela engoliu seco. Parecia que ar lhe faltava. Então ela falou. - Vo.. você não vai me obrigar ? Jonathan se perdera no caminho dessa noite, pois não entendia mais nada do que acontecia naquele apartamento. - Obrigar você? A que ? - Ele virou a cabeça de lado, estreitou os olhos, entendendo a que ela se referia. - Safira, eu nunca te obrigaria a nada... porque achou isso ?  Então Safira se atirou nos braços dele e chorou. Jonathan a abraçou ainda meio perdido, mas entendendo que talvez tivesse encontrado a pessoa certa. E isso o deixava feliz, mas o assustava em sobremaneira também. *** Larissa passara o fim de semana enlouquecida com Maxon e América, de agora em diante seus livros favoritos seriam da Saga de A Seleção. Ela m*l dormiu e m*l comeu o fim de semana, vidrada, desesperada por terminar cada um dos livros da série. Sua mãe já estava preocupada, por ser domingo a noite e ela ainda estar com a cara dentro dos livros.  - Lari... você precisa dormir. Amanhã você tem aula menina.  - Eu sei mãe, é só mais um capítulo tá, daí vou dormir.  - Hummm, mais um capítulo, sei... Boa noite, e vê se dorme.  - Tá mãe, boa noite. - Dissera Larissa com os olhos focados em mais um ataque rebelde à realeza.
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