Capítulo 38

987 Words
Sophie: Há dois meses venho lidando com algo que chamo de Dante, e confesso que não sei como lidar com isso. Dormir e acordar envolta em seus braços tem sido complicado, e o pior é sentir o calor suave de sua respiração perto do meu ouvido. Mas agora não sinto mais tanto temor em relação a ele; estamos quase voltando a ser como éramos antes de ele desaparecer da minha vida e sair das telas. Não me envergonho mais de tomar banho com a porta do banheiro aberta ou de andar de lingerie na sua frente, embora evite fazer isso, pois sei que ele adora me deixar constrangida e brinca com… Bem, vocês sabem. Porém, estou adorando ser tratada como uma princesa por ele, mesmo que, às vezes, sinta vontade de jogá-lo pela janela. Agora, ele não é tão leve quanto antes... Ah, como ele é gost... Sophie! Controle-se. Balancei a cabeça. Preferi que ele fosse o CEO da empresa, enquanto eu me tornei a diretora-chefe da redação. E agora, aqui na sala de reuniões, vejo como essa foi a escolha certa. Dante lidera a equipe com uma confiança absurda, sua presença domina o ambiente. Ele fala com precisão, sua voz grave preenchendo cada canto da sala. E eu? Eu deveria estar focada nos projetos, nos relatórios, na nova equipe... Mas, em vez disso, estou presa nele. Nos pequenos detalhes. No jeito como ele segura a caneta entre os dedos, na maneira como sua camisa branca perfeitamente ajustada realça seus ombros largos. Mordo o lábio, tentando me concentrar no que está sendo discutido, mas então ela fala. — Sr. Ravelli, se precisar de um levantamento mais detalhado sobre os números do último trimestre, posso organizar pessoalmente. Minha atenção se volta para a mulher do outro lado da mesa. A nova funcionária. Ela sorri para ele, inclinando o corpo sutilmente, como se fosse natural. Não é. Eu percebo. Dante percebe. Minha mão aperta a caneta com mais força. Não. Eu não estou com ciúmes. Isso seria ridículo. Cruzo os braços, me forçando a ignorar a cena à minha frente, mas algo dentro de mim ferve. Ridículo ou não, você quer arrancar esse sorriso do rosto dela, Sophie. — Você tem algo a acrescentar? Pergunto, talvez um pouco rápido demais. Ele me encara, e um sorriso quase imperceptível surge nos seus lábios. *** Dante: Ah, gatinha... Ela tenta esconder, mas está estampado em cada gesto seu. A forma como cruzou os braços, o tom ligeiramente cortante na pergunta. Sophie Carter está morrendo de ciúmes. E isso me diverte. Mantenho minha expressão neutra, apenas para provocá-la um pouco mais. — Não, minha querida diretora-chefe. Digo lentamente, saboreando cada palavra. — Estou apenas admirando sua liderança. Se olhares pudessem matar, eu estaria no chão agora. O maxilar dela fica ainda mais tenso. — Ótimo. Então vamos continuar. Ela desvia o olhar, mas não antes de lançar um último olhar fulminante na direção da tal funcionária. Minha gatinha está começando a entender. Ela me quer. Mas ainda não está pronta para admitir. E eu? Bem… Eu posso esperar. Mas não por muito tempo. Ou vou encurralá-la até que não tenha outra escolha além de admitir que é minha. [...] Minutos depois... Assim que a reunião termina, vejo os funcionários se levantando, recolhendo suas anotações e deixando a sala enquanto discutem os próximos passos. Meu olhar, no entanto, permanece fixo na mesa à minha frente, meus braços cruzados com força. Eu sei que não deveria me importar. Sei que não deveria ter ficado tão incomodada com aquela… nova funcionária. Mordo o canto do meu lábio, tentando afastar o pensamento. Mas a verdade é que ver Dante ser alvo daqueles olhares sedentos me fez sentir um calor irritante no peito. Então, sinto sua presença se aproximando. Ele para ao meu lado, e mesmo sem olhar, sei que está me observando. — Se continuar mordendo esse lábio, vai acabar me distraindo. sua voz ressoa baixa, carregada de diversão. Levanto o olhar e o encaro, estreitando os olhos. — Se está tão distraído, talvez devesse prestar mais atenção na nova funcionária. Eu disse de forma casual, como se não me importasse. Mas, no fundo, eu me importava. E Dante percebe. É claro que percebe. Ele sorri de lado, aquele maldito sorriso presunçoso. — Não me lembro do nome dela. Ele se inclina um pouco, a voz mais baixa. — Mas lembro exatamente quantas vezes você cruzou os braços e revirou os olhos durante a reunião. Sinto um calor subir pelo meu rosto. — Eu não fiz isso. Ele ergue uma sobrancelha, claramente se divertindo. — Fez sim. E agora está tentando disfarçar que se incomodou. Solto um suspiro exasperado e me levanto, pegando alguns papéis da mesa apenas para ter algo para segurar. — Não estou incomodada, Dante. Só acho que você deveria… ser mais profissional. Ele ri baixo atrás de mim, aquele som rouco e irritantemente atraente. — Ah, então é isso? Profissionalismo? Paro perto da porta, mas não me viro. — Sim! Respondo com firmeza, tentando soar convincente. O problema é que Dante nunca aceita respostas simples. Ouço seus passos lentos atrás de mim até sentir seu calor próximo demais. Meu corpo enrijece. — Gatinha… Sua voz sai baixa, intensa. — Se quer profissionalismo, deveria parar de olhar para mim desse jeito. Fecho os olhos por um segundo, prendendo a respiração. Meu coração martela dentro do peito. Quando me viro, minha paciência já se esgotou. Aponto um dedo para ele. — Você me irrita. Ele apenas sorri, cruzando os braços. — E você precisa admitir que me quer, tanto quanto eu a quero. O silêncio entre nós pesa no ar. Meu peito sobe e desce em uma respiração pesada, e Dante continua ali, seguro de si, como sempre. Resmungo algo inaudível e saio da sala antes que faça algo e******o. Mas, lá no fundo, eu sei. E isso só torna tudo ainda mais complicado.
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