Capítulo 39

1065 Words
[...] Já se passaram duas semanas desde que Sophie parou de se comunicar comigo, desde a última reunião, para ser mais exato. O problema é que minha gatinha não consegue esconder mais seus ciúmes e o que sente por mim. Suspiro, às vezes, as mulheres são complicadas. Ela sabe que sou completamente apaixonado por ela, não há como haver outra em minha vida, a não ser ela. Além disso, eu entendo que minha gatinha tem estado bastante estressada. O Natal está se aproximando, e sei que essa época do ano traz lembranças que ela prefere esquecer. A relação dela com a mãe e a irmã não melhorou, e agora que a Empire voltou a ser conduzida por ela, as duas têm tentado se reaproximar. Elas a convidaram para a ceia, mas o que não percebem é que, desta vez, Sophie não está sozinha. Se acham que podem usar qualquer artimanha para manipulá-la... bem, vão se arrepender. Observando o relógio, percebo que está quase na hora de ir embora. Começo a arrumar minhas coisas, já que ela não apareceu na minha sala. Sim, porque ela está de birra comigo. Pego as chaves do carro e me dirijo até a sala dela. Ao sair, me choquei com a nova funcionária. Até eu estou começando a me irritar com ela. Fecho os olhos e conto mentalmente até dois, pois minha paciência é curta. O aroma do café toma conta do ambiente. — Desculpe, senhor Ravelli. Ela diz com uma voz excessivamente doce, que não combina nada com ela. — Você é cega, p***a? Grito, tentando afastar a mão dela de mim. — Deixa eu limpar, senh... Ela começa, mas a empurro com força. Ela se desequilibra propositadamente e logo percebo o porquê. Olho à frente e vejo a minha Sophie parada ali. Com os punhos cerrados, ela nos observa com os olhos cheios de lágrimas. Empurro a mulher que caiu no chão e corro na direção do elevador antes que as portas se fechem. — Sophie... Ela estende a mão, impedindo que eu fale. Respiro fundo, tentando conter a raiva. Para nossa surpresa, a mulher também entra no elevador e, com um sorriso provocador, comenta: — Derrubei café sem querer na camisa do seu irmão. Mordo meu lábio com força, lutando para não atacar essa cobra. Antes que eu pudesse dizer algo, Dante interrompeu. — Quem foi que te contou que ela é minha irmã? Ela deu um passo para trás, atordoada pela abordagem brusca. — As pessoas andam comentando na empresa. Eu estreitei os olhos enquanto Dante a observava de forma ameaçadora. — Então você já sabe que está errada. Se você curte fofocas, viu nos jornais que ela é minha futura ESPOSA! Ele gritou, fazendo-a encolher. — Não seja ridícula. — Sério mesmo? Ela é tão sem graça. Perdendo a paciência, segurei os cabelos dela. — Você vai será demitida hoje! Para fora, está despedida. Sua v***a! Ela se irou e avançou em minha direção, mas Dante a deteve. — Não se atreva! Agora me diga, quem te mandou aqui? Ela olhou para Dante, claramente nervosa. — N-niguém. Ela gaguejou. — Quanto você está recebendo para fazer esse teatro? Dante insistiu em perguntar. Mas ela desviou o olhar e tentou puxar o braço, sem sucesso. — Posso me apaixonar. Sou livre! O tapa ressoou no ar. Eu já havia atingido meu limite e não conseguiria suportar ouvir aquela audaciosa afirmar que quer o MEU HOMEM! Não importa se eu ainda não decidi aceitar, ele pertence a mim. Minha respiração estava descontrolada, subindo e descendo freneticamente. — A partir de hoje, você está demitida. Não venha mais à minha empresa. Olhei para Sophie, que parecia claramente nervosa. Afastei a mulher com um puxão e a abracei, mas ela se soltou e saiu do elevador. Fui atrás dela, mas antes me virei para a mulher e avisei: — Vou descobrir quem te mandou. Prepare-se. Você desafiou a única mulher que deveria ter mexido. Ela arregalou os olhos, visivelmente assustada. Corri em direção a Sophie, mas ela não estava disposta a conversar comigo. Conseguia sentir a tensão que emanava de cada parte do seu corpo. Respirei fundo e a puxei para fora do carro. — Olhe para mim, meu amor. Sabe que sou leal a você. Jamais faria algo que a machucasse, gatinha. Ela desviou o olhar, mas eu a abracei, rompendo sua resistência. Sua respiração começou a ficar ofegante, e quando nossos olhares se encontraram... Não resisti e a aconteceu... O mundo ao meu redor se desvanece. Tudo que importa agora é ela. Minha gatinha. Minha Sophie. Eu a abracei firmemente, percebendo seu corpo tremendo de emoção, de raiva, de tudo que a tomava naquele instante. Sua respiração descompassada, seus olhos ardendo nos meus... E eu tinha plena consciência. Sabia que não havia como voltar atrás. Nunca a beijei antes. Na verdade, nunca beijei ninguém. Mas isso não fazia diferença. Pois o que estava acontecendo, ela, era algo inevitável. Meus dedos deslizavam pela sua pele quente, subindo até sua nuca, onde entrelacei seus cabelos. Inclinei meu rosto devagar, dando a ela a oportunidade de me impedir. Mas ela não fez isso. Quando nossos lábios se encontraram finalmente, foi como se tudo dentro de mim desmoronasse. Uma explosão silenciosa, um choque que percorreu cada célula do meu corpo. Sophie arquejou contra meus lábios, surpresa, e isso foi o suficiente para que eu intensificasse o beijo. Minha língua desenhou o contorno dos seus lábios antes de se aventurar para dentro, explorando, saboreando aquele gosto irresistível. Ela correspondeu com fervor, os dedos apertando minha camisa como se precisasse de um ponto de apoio. Ou talvez fosse eu quem estivesse se agarrando a ela. O beijo era intenso, possessivo, mas havia algo mais. Algo que eu nunca soube que conseguiria expressar: ternura. Eu desejava consumi-la, mas ao mesmo tempo queria estender cada instante. Queria que ela sentisse, que percebesse que nunca houve lugar para mais ninguém. Que aquele momento, aquele toque, aquele beijo... sempre foram exclusivamente nossos. Quando nos afastamos, ela estava sem fôlego, os lábios inchados e os olhos meio perdidos. Meu polegar acariciou sua boca, involuntariamente. — Agora você sabe, gatinha... Minha voz saiu rouca, carregada de uma nova profundidade. — Eu sou seu. Sempre fui. Sempre serei. E enquanto ela me fitava, como se estivesse enxergando algo que nunca notou antes, tive a certeza de que Sophie finalmente compreendia.
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