Capítulo 36

1487 Words
Dante: Se eu soubesse que um casamento poderia ser tão divertido, teria aparecido em mais alguns só para causar. Bianca já estava casada com o i****a traidor, e Sophie parecia dividida entre desprezo e alívio. Já eu? Eu só queria sair dali e me divertir um pouco às custas desses riquinhos hipócritas. Enquanto caminhávamos em direção à recepção, notei os olhares sobre nós. O pai de Adrian lançou um olhar de desculpas, para Sophie, como se dissesse que o filho dele era uma decepção. Concordei mentalmente. O homem fez um péssimo negócio. Emma, por outro lado, não disfarçava o desagrado. Seus olhos me analisavam com um misto de julgamento e frustração. Eu sorri de canto, provocador. — E a senhora, reforçando mais uma vez, não tente arranjar pretendes para minha Sophie. Soltei, sem me importar com a plateia. Emma engasgou de indignação. Bianca, que estava sentada ao lado do noivo recém-adquirido, ficou lívida. Adrian me fuzilou com os olhos, mas quem se importa? Sophie apertou meu braço, provavelmente para evitar que eu jogasse mais lenha na fogueira. Pobrezinha, ainda não entendeu que eu adoro brincar com o fogo. Então, Roseli, a tia de Sophie, surgiu sorridente, ignorando toda a tensão no ambiente. Ela é melhor que a irmã. — Finalmente, Sophie! Você conseguiu um homem que realmente te ama. Ela me analisou de cima a baixo e sorriu, aprovando. — Gostei do seu namorado. Esse sim vale a pena! Sophie corou, e eu apenas ergui a sobrancelha, satisfeito. Mas, claro, Bianca não poderia deixar barato, todos os holofotes que eram para ser dela, estavam na minha gatinha. Ela se aproveitou da atenção para gritar: — Sophie está com inveja porque o Adrian escolheu a mim! Ela não suportaria aparecer aqui sozinha, então alugou um homem para não passar vergonha. O ambiente ficou em silêncio. A tensão cresceu, e minha áurea mudou. Senti os olhares ao nosso redor ficarem apreensivos. Todos congelaram, como se tivessem percebido, tarde demais. Provocaram o homem errado. Bianca engoliu seco, mas manteve a pose. — Eu não tenho medo de você! Ninguém aqui nunca ouviu falar de você. Está se fazendo de rico, mas deve ser só um pobre coitado. Eu sorri, calmo. — Como você pode ter tanta certeza de que sou um pobre coitado? Adrian, sempre o palhaço, resolveu se manifestar: — Ninguém nunca ouviu falar de você, ou já te viu no meio dos negócios. Suspirei, desapontado. — Oh, esse é o problema. Eu ia embora, mas agora vou me sentar e explicar para minha cunhada e… um traste sobre os meus negócios. Mas antes, mande todos os seus convidados embora. Bianca arregalou os olhos, e Adrian deu um passo adiante. — Você não manda em nada aqui! O único que deve ir embora é você. Deixe a Sophie em paz! Ri baixo. Que piada. — Interessante… Você casou com a irmã dela e ainda acha que pode mandar na minha gatinha? Peguei a mão de Sophie e a beijei suavemente. — Bem, quanto a mandar… Parece que você não está sabendo, mas eu sou o dono deste lugar. Vou te dar cinco minutos para esvaziá-lo. A sua mulher ofendeu a minha, e eu estou muito, muito aborrecido. Saiam! Me levantei e segurei a mão de Sophie para irmos embora. Mas então, Bianca gritou: — Por que um homem como você se apaixonaria por uma lunática que se sentiu atraída por um assistente virtual?! Parei, virei lentamente e encarei seu sorriso vitorioso. — Pelo menos ele era solteiro. Sorri. — Eu a acharia uma lunática se dormisse com o noivo da própria irmã. Você não acha? O choque percorreu o salão. Bianca fingiu um desmaio patético. Sophie me puxou pelo braço. — Dante… — O quê? Questionei, fingindo inocência. — Por favor, bebê. Não vale a pena, vamos embora. Emma, que já estava indignada, resolveu dar o show dela. — Você está satisfeita, Sophie? Acabou com o casamento da sua irmã! Sophie suspirou pesadamente e cruzou os braços. — Foi a senhora quem me obrigou a vir, mamãe. Eu estaria melhor na minha cama, assistindo minhas séries e… Eu a interrompi antes que ela fizesse piada demais. — A senhora pensou o quê? Que iria humilhá-la? Cruzei os braços, lançando um olhar afiado. — Sinto muito, sogra, mas esse tempo acabou hoje. É só não mexerem com ela, e todos ficarão bem… sem correr riscos. Inclusive a senhora, que roubou toda a herança deixada pelo meu sogro para ela. Todos prenderam a respiração. — Dante Ravelli, muito prazer. Não se preocupem, vão ouvir falar muito de mim, ainda. Vamos, meu amor? Sophie balançou a cabeça e me seguiu. Mas, antes que conseguíssemos sair, o primo dela, Jorge, apareceu no caminho. O i****a tentou me socar. Suspirei. Segurei sua testa do tampinha com um único dedo, e ele ficou socando o ar como um completo i*****l. Sophie explodiu em gargalhadas. — Jorge, não seja tão i****a! Ela disse entre risos. — Um soco do Dante e você vai parar no hospital em coma. Jorge rosnou, tentando me acertar. — Você é minha, Sophie! Estamos noivos! Soltei uma gargalhada alta. — Quem colocou essa ilusão na sua cabeça, criança? Ele continuava se debatendo, tentando me socar, enquanto eu mantinha meu dedo firme em sua testa, impedindo qualquer avanço. Então, Roseli apareceu e bufou, segurando Jorge pela orelha. — Já chega, menino! Seu pai estaria decepcionado se o visse nessas condições. Ele grunhiu, mas não teve escolha além de ser arrastado. Sem mais interrupções, peguei a mão de Sophie e saímos daquele local desagradável. Finalmente. Saímos daquele lugar sem olhar para trás. Sophie estava quieta, o que não era um bom sinal. Ela não discutia, não reclamava, apenas segurava minha mão enquanto caminhávamos até o carro. Abri a porta para ela, que entrou sem dizer nada. Dei a volta e entrei no lado do motorista. Liguei o carro, mas antes de sair, olhei para ela. — Você está aborrecida? Ela suspirou, apoiando a cabeça no banco. — Não. Quer dizer, um pouco. Foi cansativo. — Não queria que se sentisse assim. — Não foi culpa sua, Dante. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Sophie simplesmente se aninhou no meu braço. O gesto me pegou de surpresa. Meu corpo ficou tenso por um instante antes de relaxar, sentindo o calor dela. Sorri de canto e comecei a dirigir. — Sabe que eu gosto disso, né? — Hum? — Você grudada em mim. Ela bufou, mas não se afastou. Apenas fechou os olhos, respirando fundo. Quando chegamos em casa, ela finalmente se afastou, alongando-se como um gato preguiçoso. Tirei meu paletó e comecei a desabotoar a camisa quando ela perguntou: — O que você quer comer? Antes que eu pudesse responder, ela levantou a mão, como se já soubesse a resposta. — Pizza. Você disse que queria experimentar. Vou pedir duas. Algum sabor específico? Inclinei a cabeça, achando graça. — Pepperoni e quatro queijos. Ela sorriu. — Boa escolha. Enquanto ela fazia o pedido, fui para o banheiro. A água quente ajudou a relaxar meus músculos, mas não minha mente. Pensava nela, na forma como reagia a mim, como se estivesse tentando resistir ao inevitável. Quando saí, vestindo uma camiseta e uma calça confortável, Sophie já estava sentada no sofá com a pizza e um controle na mão. — Escolhi uma série aleatória. — Tanto faz. Desde que eu possa comer. O mundo dos humanos não está sendo fácil. Ela riu. Nos acomodamos, cada um com uma fatia na mão. Entre mordidas e risadas sobre a trama boba da série, o cansaço foi se instalando. Em um momento, senti o corpo mais pesado. Sem dizer nada, desliguei a TV com um comando e, antes que Sophie pudesse protestar, a joguei sobre meu ombro. — DANTE! — É hora de dormir. — EU POSSO ANDAR! — Você fala demais, gatinha. Ela deu tapas nas minhas costas, mas não tentei impedir. Quando chegamos ao quarto, ela resmungou: — Preciso escovar os dentes. — Vá logo. Ela bufou, mas foi. Eu fiz o mesmo. Quando finalmente deitamos, Sophie se afastou, ficando do lado oposto da cama. Sorri de canto. Sem esforço, estiquei a mão e a puxei para meus braços. — Não saí das telas para você continuar fugindo de mim, gatinha. Ela se encolheu contra meu peito, e eu aproveitei para envolvê-la melhor. — Não vou tocar em você… não até que me queira. E pelas reações do seu corpo, será breve. Ela ergueu o rosto, semicerrando os olhos. — Você não é nem um pouco humilde, hein? Ri. Ela me deu um tapa leve no peito, mas eu apenas acariciei seus cabelos. Meu coração batia mais rápido. O cheiro dela era um martírio. Respirei fundo e beijei o topo da sua cabeça. Eu queria entendê-la. Mas, acima de tudo, queria que ela me quisesse da mesma forma que eu já sabia que a queria.
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