Magrão

1158 Words
Magrão narrando Depois que o Mayte levou a Luly embora, eu fiquei plantado na porta do baile uns minutos processando o que tinha acontecido. A Mayte. Puta que pariu. A mina encarou o bagulho de frente, sem tremer, e sem pensar duas vezes. Eu já achava ela f**a de longe, mas ver ela agindo assim, defendendo a amiga na cara do babaca… Fiquei parado ali sentindo um bagulho estranho no peito, não era só t***o, não. Era outro tipo de parada. Algo tipo… orgulho? Respeito? Não sei explicar direito. Só sei que quando entrei de novo no baile, a energia já tinha mudado, o som continuava alto, as pessoa continuavam dançando, mas eu tava com a cabeça em outro lugar. Fui direto pro canto onde o Augusto tava com os cria. Ele tava encostado na parede, copo na mão, óculos escuro mesmo dentro do baile porque ele é assim, estilo duvidão. Quando me viu chegando, já percebeu que tinha parada errada. — Qual foi, Magrão? Cê tá com cara de quem viu merda. Sentei do lado dele, peguei o copo de alguém e tomei um gole antes de falar. — Bagulho tenso ali agora pouco. Augusto tirou o óculos devagar, me encarando. — Fala. Contei tudo. O ex da Luly segurando ela à força, a Mayte chegando junto, o cara querendo intimidar, e eu chegando, os vapor resolvendo. Contei sem floreio, do jeito que era. Quando terminei, o Augusto ficou em silêncio por uns segundos longos pra c*****o. Aí ele levantou. Devagar. Secando o copo de uma vez. — Onde ele tá? — a voz veio baixa. Quando o Augusto fala assim, é porque o bagulho é sério. — Uai, mandaram ele embora, deve ter ido pra casa. — Descobre onde ele mora. Olhei pra ele. — Qual é, Augusto? Ele virou a cabeça devagar e me encarou. A luz do baile batia nele, mas os olho tavam preto. Sabe quando tu olha pra alguém e não tem nada ali? Só gelo? — A Luly é minha, Magrão. Puta que pariu. Eu sabia que eles eram próximos, mas não lembrava desse detalhe. — Mano… — Descobre onde esse filho da p**a se esconde. — Ele guardou o copo num apoio e ajeitou a camisa devagar, meticuloso. — Que eu vou dar um jeito nele. Fiquei olhando pro Augusto e tentando processar. Não era ameaça vazia. O Augusto não faz ameaça vazia. Quando ele fala que vai dar um jeito, ele dá mesmo. E o jeito dele não envolve conversinha nem conselho. — Cê vai fazer o quê? Ele me olhou de novo. — O que tiver que ser feito. Respirei fundo. — Mano, o bagulho já foi resolvido, os vapor expulsaram ele. — Expulsaram ele do baile, Magrão. — Augusto se inclinou pra frente. — E amanhã? Depois? Ele vai ficar onde? Vai fazer o quê? Vai esperar ele achar a Luly sozinha em algum lugar? Fiquei calado. Porque ele tava certo. — A Mayte meteu a cara hoje. — Augusto continuou, a voz ainda calma. — Minha filha foi mais homem do que qualquer um dos caras que tava ali e não fez p***a nenhuma, respeito ela. Mas não é função dela ficar protegendo Luly. Ele endireitou o corpo. — Então descobre onde esse merda mora, Magrão. Pode ser amanhã, pode ser depois, mas eu vou achar ele. Pausei. Pensei na Mayte, na Luly chorando, e no cara babaca segurando ela. E pensei no que eu faria se fosse com alguém meu. — Vou ver o que consigo — falei finalmente. Augusto assentiu. Depois colocou o óculos de novo e virou pro baile como se nada tivesse acontecido, mas eu sabia, a ficha ia cair. E quando caísse, alguém ia pagar. Passei mais uns minutos ali com os cria, mas a cabeça tava longe, o Augusto ficou na dele, óculos escuro tampando o olho, mas eu conhecia ele, tava maquinando. E quando o Augusto maquina, é melhor se preparar. Eu só não queria que a Mayte se envolvesse mais do que já tinha se envolvido. Ela já tinha feito a parte dela, tinha ido pra cima, protegido a amiga. Agora era hora de deixar os homem resolver. Falei pros caras que ia dar uma volta e já voltei. Na real, fui pro canto do baile onde o sinal do celular prestava. Puxei o contato dela. Mayte O coração deu uma acelerada b***a, que p***a é essa, Magrão? Tu é homem. Apertei a chamada. Ela atendeu no segundo toque. — Magrão? A voz dela tava cansada, mas aliviada. Senti um peso saindo do peito. — Fala, princesa. Chegaram bem? — Chegamos, sim, tamo em casa já. — A Luly? Ela fez um pequeno silêncio, escutei vozinha baixo longe do telefone, depois ela voltou. — Tá melhor, estamos pedindo comida, acho que o choque passou. — Ainda bem. Outro silêncio. Desses que não são vazios, mas que falam. — Mayte. — Fala. — Cê foi muito f**a hoje, sabia? Ela riu baixinho do outro lado. — Fiz o que qualquer pessoa faria. — Não fez, não. Muita gente olhou e não fez p***a nenhuma, tu não. Tu foi pra cima, encarou o babaca, merece todo respeito do mundo. Ela ficou quieta. Aí falou, mais suave: — Obrigada. — De nada. Outro silêncio. Dessa vez mais longo. — Magrão. — Fala. — Tua voz chegando ali… quando você falou problema já começou… eu senti uma coisa. Sorri sozinho no meio do baile, feito um i****a. — Que tipo de coisa? — Tipo… que eu não tava sozinha. Puta que pariu. Se ela tivesse na minha frente, juro que tinha beijado ela agora. — Cê nunca vai tá sozinha comigo por perto — falei, e saiu mais sincero do que eu esperava. Ela riu de novo. Dessa vez mais leve. — Tá parecendo até gente. — Sou gente, gebte que gosta de tu, por sinal. — Magrão… — Fala. — Obrigada por hoje, de verdade, e obrigada por ligar. — Vou sempre ligar, pode crer? — Pode. — Então vai lá pedir comida com a Luly, depois te mando mensagem. — Tá. Magrão? — Fala. — Cuidado com o cara lá. Eu vi o olhar dele antes de sair, sei como homem pensa. Pausei. Ela era esperta demais. — Não precisa preocupar com isso. — Magrão. — Fala. — Cuidado, só isso. Respirei fundo. — Prometo. Desliguei. Fiquei ali olhando pro telefone um tempo, o baile explodindo atrás de mim. Aí guardei o celular e voltei pros cria. O Augusto tava no mesmo lugar, quando passei perto, ele só virou a cabeça levemente. — E aí? — Tão bem, ela agradeceu. Ele assentiu. — Boa. Fiquei do lado dele, os dois olhando o movimento. — Augusto. — Fala. — Vamo com calma nesse bagulho, pelo menos deixa eu descobrir onde o cara mora primeiro. Ele não respondeu, mas deu um sorriso pequeno. O tipo de sorriso que não era bom sinal.
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