Emily narrando
Eu ainda tava sem acreditar no que tinha acabado de viver. Tinha atendido o dono do morro da Providência. Lobão. Só de falar o nome já dá um frio na barriga. Todo mundo fala dele, mas viver aquilo na pele, foi uma delícia.
Ele não era daqueles fortões, tipo academia, mas tinha o corpo marcado, músculos na medida certa, e as tatuagens deixavam ele ainda mais irresistível. Eu não conseguia tirar os olhos dele desde a hora que nos encaramos pela primeira vez. E quando me tocou, eu soube que ia ser diferente.
O que eu mais gostei? Ele não foi daqueles que só pensa em si. Me devorou, me chupou com vontade, me fez goz@r várias vezes. Eu tava entregue, sem força, mas querendo mais. Quando olhei no relógio e vi que já eram quatro da manhã, eu tava exausta, louca pra dormir.
Lobão: Vai no banheiro ali, toma um banho e te arruma.
Emily: Agora?
Lobão: Agora. Tá liberada.
A voz dele era firme, sem espaço pra discussão. E, pra falar a verdade, eu agradeci por dentro. Já não aguentava mais. Entrei na porta que ele indicou, tomei um banho rápido, a água quente me relaxou o corpo todo. Me arrumei na frente do espelho, passei batom de leve, ajeitei o cabelo e respirei fundo antes de sair.
Quando fui atravessar a sala, ele me parou. Me puxou pela cintura, encostou os lábios nos meus e me deu um beijo intenso, quente, que quase me fez esquecer do cansaço.
Lobão: Tu é uma delícia.
Emily: Obrigada - sorri sem graça.
Fiquei sem reação, só consegui sorrir e seguir. As outras meninas já estavam descendo também, rindo, comentando baixinho sobre a noite. Eu desci junto, mas ainda sentia o gosto dele na boca.
No pé do morro, chamei meu Uber. Enquanto esperava, uma delas veio puxar assunto. Era a Lorraine, toda montada, com aquele olhar de quem não tava muito feliz.
Lorraine: Então, tu que ficou com ele a noite toda, né?
Emily: Foi, a gente se deu bem.
Lorraine: Estranho. Porque aqui a gente costuma dividir. Ele não é de ficar só com uma.
Emily: Pois é, mas comigo foi diferente. Ele não quis dividir nada. Da próxima tu tenta - dei um sorriso de canto
Ela fez uma cara feia, meio engolindo a raiva. Eu mantive o sorriso. Não ia bater boca ali, ainda mais no pé do morro. Logo o carro chegou e eu entrei sem olhar pra trás.
As ruas ainda estavam escuras, a cidade meio adormecida. Encostei a cabeça no banco e deixei o vento do ar-condicionado bater no meu rosto. Tava cansada, mas a lembrança daquela noite me fazia sorrir.
Peguei o celular e vi a notificação, o depósito tinha caído. Era dinheiro suficiente pra pagar minha mensalidade da faculdade e ainda me dar uns dias tranquila. Suspirei aliviada. No fim das contas, tinha valido a pena.
Fechei os olhos e deixei minha mente voltar praquela madrugada. O jeito que ele me segurava, firme, como se meu corpo fosse só dele. O olhar intenso, as tatuagens que percorria com a ponta dos dedos, e principalmente a forma como ele me fez sentir prazer. Isso nesse mundo é bem difícil, geralmente os clientes querem meter, goz@r e a mulher de se fod@.
Emily: Caralh0, se todas as noites fossem assim, eu ia me acostumar fácil.
Quando cheguei em casa, o sol já começava a nascer. Entrei no meu quarto em silêncio, deixei a bolsa na cadeira e me joguei na cama sem nem tirar a maquiagem. O corpo cansado pedia descanso, mas a mente ainda vibrava com cada detalhe.
Sorri sozinha. Eu sabia que tinha arriscado muito indo pra lá. Mas, naquela noite, o risco valeu cada segundo.
E, entre nós, eu já sabia que aquela não ia ser a última vez que eu ia cruzar com Lobão, até porque ele gostou também.
Acordei ainda cansada, mas não dava pra faltar na faculdade. Me arrumei rápido, prendi o cabelo num r**o de cavalo e coloquei uma calça jeans com uma blusinha preta. O corpo ainda lembrava da noite passada, mas a mente já tava focada em outra coisa. Peguei um café e fui direto pra aula.
Cheguei um pouco atrasada, como sempre, e vi a Yasmin acenando pra mim no fundo da sala. Sentei ao lado dela, e o sorriso dela já entregava que queria fofoca.
Yasmin: Então, me conta, como foi ontem?
Emily: Amiga, foi pesado - ri baixo.
Yasmin: Pesado bom ou pesado r**m?
Emily: Bom demais. Atendi o dono da Providência.
Yasmin: O Lobão?! Tá de sacan@gem.
Emily: Tô falando sério. O homem é lindo, tatuado, não é fortão, mas tem músculo. E, amiga, que disposição. Me chupou, me devorou, eu g0zei horrores.
Yasmin: Credo, tu fala assim logo cedo?
Emily: Ué, tu perguntou - falei rindo.
Yasmin: Ele não Foi daqueles que só pensa em si.
Emily: Nada, ele fez questão de me dar prazer. Quando vi já era quatro da manhã e eu tava morta. Aí ele mandou eu tomar banho e ir embora. Ainda me deu um beijo na boca antes de eu sair e disse que eu era uma delícia.
Yasmin: Caraca. e o pagamento?
Emily: Caiu certinho. Valeu cada segundo.
Yasmin: Sabia que tu ia curtir. Mas cuidado, amiga. Lobão não é qualquer um.
Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou. Olhei a tela, era minha mãe. Atendi na hora, porque ela não liga assim durante a manhã.
Emily: "Oi, mãe."
Érica: "Filha, tua avó passou m@l. Tô no hospital com ela."
Emily: "O quê? Como assim, mãe?"
Érica: "Ela desmaiou, filha. Trouxeram correndo. Os médicos tão dizendo que ela precisa de uma cirurgia de emergência."
Emily: "Meu Deus, eu já tô indo."
Desliguei sem pensar duas vezes. Yasmin percebeu na hora que algo tava errado.
Yasmin: Que foi?
Emily: Minha vó, passou m@l. Tá no hospital, vai precisar de cirurgia, estou indo lá.
Yasmin: Vai, amiga. Não pensa duas vezes. Depois me avisa.
Saí correndo da sala, o coração batendo forte. Chamei um carro pelo aplicativo e fui tentando me acalmar no caminho, mas a cabeça só pensava na minha avó, naquela mulher que sempre foi minha base, que nunca deixou faltar carinho.
Quando cheguei ao hospital, encontrei minha mãe no corredor, com os olhos vermelhos e as mãos trêmulas.
Mãe: Filha, eles vão levar ela agora. É urgente.
Emily: Vai dar tudo certo, mãe. Eu tô aqui - Segurei a mão dela.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti medo de verdade, minha vó tem auzaimer já sofre tanto e mais essa.