Emily narrando Acordei com a luz do sol atravessando as cortinas pesadas do quarto. O corpo ainda doía, não só pelo que tinha acontecido na noite passada, mas pelo peso da conversa com o Lobão. Passei a mão pelo rosto e senti os olhos inchados. Eu tinha chorado até dormir. Me virei devagar e vi ele sentado na poltrona, só de bermuda, acendendo um cigarro. Os músculos do braço marcado pelas tatuagens se contraíam a cada tragada. O olhar dele estava fixo em mim, sério, sem nenhum traço de sono. Lobão: Dormiu bem? Emily: Mais ou menos - engoli seco. Lobão: Melhor se acostumar. Me ajeitei na cama, puxando o lençol pra cobrir o corpo. Ainda sentia o perfume dele misturado ao meu, impregnado no quarto. Emily: Vai me deixar ir embora? Ele soltou a fumaça devagar, antes de responder. Lo

