Emily narrando
Passei a tarde inteira me arrumando. Dessa vez, não queria parecer apenas mais uma. Eu sabia que o Lobão tinha pedido todas, mas algo dentro de mim dizia que ele ia me notar de novo. E eu queria isso.
Escolhi um vestido curto, preto, justo no corpo, com decote na medida. O tecido brilhava de leve sob a luz, realçando cada curva. Nos pés, salto fino, vermelho, que me fazia parecer mais alta. Deixei o cabelo solto, liso, caindo pelas costas, e marquei os olhos com delineador preto. Finalizei com um batom vermelho e borrifei meu perfume preferido, aquele doce-amadeirado que sempre me faz sentir poderosa. A cada movimento, o aroma se espalhava pelo quarto.
Emily: Se for pra encarar o Lobão de novo, vou chegar pronta.
O carro me deixou na entrada do morro. Lorraine e outras meninas já estavam lá, conversando. Ela me olhou de cima a baixo e fez uma cara de quem engolia seco.
Lorraine: Tá se achando, né?
Emily: Só tô pronta pra noite.
Lorraine: Veremos.
Subimos juntas, de moto. O vento bagunçava meu cabelo, mas o perfume continuava forte. Quando chegamos na mansão, a música já ecoava. A casa tava lotada: luzes coloridas, garrafas de whisky e vodka nas mesas, cria espalhado por todo canto. Era aquela bagunça organizada que só a casa do Lobão tinha.
Assim que entrei, senti os olhares sobre mim. Alguns dos rapazes comentaram baixo, e até umas meninas cochicharam. Fingindo não ligar, fui até o bar e pedi uma taça de champanhe.
De repente, ouvi a voz que fazia meu coração disparar.
Lobão: Chegou.
Virei devagar. Ele tava encostado na parede, camisa preta colada no corpo, tatuagens à mostra, olhar pesado. Não sorria. Apenas me observava, como se me medisse de cima a baixo.
Emily: Oi...
Lobão: Tá se achando gostosa, é? - falou se aproximando.
Emily: Só tô sendo eu - sorri de canto.
Ele riu de leve, mas o olhar continuava sério. Chegou tão perto que senti o calor do corpo dele e o perfume amadeirado que misturava com o meu.
Lobão: Da outra vez tu me fez perder a noção. Hoje eu quero ver se foi sorte ou se tu é tudo isso mesmo.
Emily: Pode descobrir.
Ele segurou meu queixo, me obrigando a encarar os olhos dele. Senti um arrepio percorrer meu corpo.
Lobão: Sabe que aqui dentro ninguém brinca comigo, né?
Emily: Eu sei.
Lobão: Então não vacila, Emily.
O jeito que ele falou meu nome fez meu coração acelerar. Ele se afastou um pouco e fez sinal pra eu seguir. Caminhei atrás dele até um dos quartos da mansão. O barulho da festa ficou distante, abafado pela porta pesada que ele fechou atrás de nós.
O quarto tinha luz baixa, cheiro de incenso e garrafas abertas na mesa. Ele se jogou no sofá e ficou me olhando, como quem esperava um show.
Lobão: Mostra pra mim se valeu eu mandar te trazer de novo.
Engoli seco, mas mantive o sorriso. Caminhei até ele, cada passo fazendo o salto ecoar no chão. O perfume que eu havia borrifado antes parecia tomar conta do espaço. Senti o olhar dele percorrendo cada detalhe do meu corpo.
Emily: Espero que não se arrependa.
Lobão: Arrependimento não existe no meu vocabulário.
Me aproximei, e ele me puxou pela cintura, me sentando no colo dele. O toque firme fez meu corpo estremecer. A boca dele roçou no meu pescoço, e o arrepio foi imediato.
Eu sabia que a noite tava só começando.
Assim que me sentei no colo dele, senti a respiração acelerar. Lobão me olhava como se fosse me devorar inteira, e eu deixei. Ele deslizou as mãos fortes pelas minhas coxas, subindo devagar, enquanto minha pele queimava sob o toque dele. O beijo veio quente, urgente, e eu me entreguei como se não houvesse amanhã.
Ele me puxou pro quarto de novo, jogou meu corpo na cama e se deitou por cima. Cada movimento dele era firme, intenso. O jeito como mordia minha boca, como passava a língua pelo meu pescoço, eu gemia sem conseguir controlar.
Emily: Ah... assim...
Lobão: Fica quietinha, só sente.
As mãos dele deslizavam pelo meu corpo, marcando minha pele. Quando me chupou, perdi a noção do tempo. G0zei gemendo alto, agarrando os lençóis, completamente entregue. Ele sorria de canto, satisfeito com cada reação minha. Depois me penetrou com força, me olhando nos olhos, como se quisesse me possuir por inteiro. G0zei de novo, exausta, suada, sem forças pra pensar em mais nada além dele.
Quando percebi, já era madrugada. Eu deitada ali, ofegante, o corpo ainda tremendo. Ele se levantou, pegou o celular e mandou mensagem.
Pouco tempo depois, ouvi as outras meninas rindo no corredor, arrumando as coisas. A porta se abriu e uma delas avisou:
Garota: A gente tá indo, Lobão.
Lobão: Vai, vaza todo mundo.
Ele bateu a porta e trancou. Fiquei surpresa.
Emily: Só eu fiquei?
Lobão: Só tu. - encostado na parede.
O jeito que ele falou me deu um arrepio. Mas o olhar dele agora não era mais só desejo. Era pesado.
Lobão: Sabe, eu não gosto quando tentam me passar pra trás.
Emily: Como assim? - confusa.
Lobão: Da última vez que tu veio, sumiu o celular do Doca. E sabe o que eu descobri? Que tinha uma X9 no meio das meninas. Filha de polícia.
Emily: Tá dizendo que sou eu? - falo assustada.
Lobão: Tô dizendo que a única novidade naquela noite era tu.
Meu coração disparou. Senti as lágrimas começarem a encher meus olhos.
Emily: Não... não, Lobão. Você tá enganado. Eu nunca faria isso. Eu só vim pra trabalhar, eu juro.
Lobão: Choro não cola comigo, Emily. Aqui, X9 não respira.
Emily: Por favor, acredita em mim... eu não sou isso que você tá pensando.
Lobão: Então vai ter que provar - Ele disse segurando o meu rosto.
As lágrimas escorriam, mas ele não desviava o olhar. A mão dele firme na minha pele me prendia tanto quanto as palavras.
Lobão: Tu vai ficar. E vai ficar pianinha. Eu não quero ver tu tentando se explicar pra ninguém. Eu mesmo vou cuidar de ti.
Emily: Ficar... como assim?
Lobão: Vai ser do meu jeito. Aqui, quem manda sou eu.
Senti um arrepio percorrer meu corpo. Era medo, mas também tinha algo estranho dentro de mim, um desejo escondido de me render. Eu sabia que o Lobão não era homem de blefe. Se ele disse que eu ia ficar, era porque já tinha decidido.
Emily: Eu não sou X9...
Lobão: Então mostra que não é. Mas até eu ter certeza, daqui tu não sai.
Ele me puxou de novo pra cama, secou minhas lágrimas com o polegar e me beijou como se quisesse apagar qualquer resistência.
Naquele momento, eu percebi: Eu sou cativa do Dono do Morro.