A cabine do elevador privativo subia com uma suavidade cirúrgica, quase imperceptível, se não fosse pela pressão incômoda que se acumulava nos ouvidos de Han Sora. O indicador digital incrustado no espelho de fundo passava pelos andares sem parar. Setenta. Oitenta. Os números mudavam com uma rapidez vertical avassaladora, deixando para trás a realidade mundana das ruas de Seul. O silêncio ali dentro não era apenas a ausência de som; era uma matéria densa, metálica e hermética, que parecia sugar o oxigênio. O isolamento acústico era tão severo que Sora conseguia ouvir sua própria respiração, curta e irregular, batendo contra o titânio escovado.
Ela manteve os braços cruzados à frente do corpo esguio, uma tentativa racional de conter o tremor que subia por seus pulsos. Sob a ponta de seus dedos, a textura áspera e dura do algodão da blusa servia como um lembrete macabro. A manga estava manchada de sangue seco. Não era dela. Pertencia à testemunha que ela não deveria ter visto cair no subsolo do edifício — um homem cujos olhos sem vida ainda assombravam a retina de Sora. A urgência daquele vislumbre violento destruíra qualquer vestígio de ingenuidade. Ela não estava ali para uma entrevista de emprego de TI. Estava ali porque havia tropeçado em uma engrenagem que esmagava qualquer um que ousasse olhar direto para ela.
Um bipe eletrônico de frequência baixa ressoou. As portas de titânio se abriram deslizando para as laterais, revelando a penumbra da cobertura de luxo localizada no octogésimo andar.
O ar condicionado industrial invadiu a cabine imediatamente, carregando o cheiro de sândalo misturado ao metal da tempestade que se aproximava de Seul. A eletricidade estática estalava no ambiente monumental, recortado por paredes inteiras de vidro que exibiam a imensidão da metrópole lá embaixo como uma miragem inalcançável.
No centro da Sala de Comando, sete silhuetas observavam a intrusa. Sete silêncios distintos que preenchiam o espaço como uma névoa espessa, sufocando qualquer tentativa de racionalidade. Eles permaneciam espalhados pela cobertura como sombras acostumadas com a violência.
Kim Namjoon foi o primeiro a dar um passo à frente, emergindo da meia-luz. Vestindo um terno de alfaiataria impecável e ajustando os óculos de armação fina, ele assumiu o domínio do espaço com uma voz calma e cirúrgica. Não havia raiva em seu semblante, tampouco piedade pelo estado deplorável da garota. Havia apenas a frieza de quem dita uma equação matemática imutável.
— A partir de hoje — declarou Namjoon, o tom de barítono preenchendo o vazio do mármore —, você pertence à organização. Você cometeu um erro de percurso lamentável no subsolo, Senhorita Han. Ninguém deixa este lugar depois de conhecer os nossos rostos.
O coração de Sora falhou uma batida completa. O pavor lógico inundou suas veias, e seu instinto de sobrevivência a fez recuar imediatamente, buscando o recuo familiar da cabine espelhada. Suas costas bateram contra o batente metálico. Ela estendeu a mão direita para o painel de controle, pressionando o botão de emergência com força.
Nada aconteceu. As portas de titânio já haviam se fechado à sua frente com um estalo pneumático pesado, travando-as por completo.
— O sistema não responde a comandos manuais, Sora — Namjoon continuou, observando-a com uma curiosidade analítica, como um enxadrista que prevê a inutilidade do movimento de um peão. — Você descobriu a existência dos Sete Pecados. Não existe saída do elevador sem autorização criptografada. A sua vida anterior acabou.
Sora sentiu o peso dos olhares dos outros cinco membros que permaneciam ao fundo, avaliando a nova prisioneira em um silêncio pesado e calculista. Min Yoongi mantinha os olhos semicerrados de um canto escuro, exalando uma indiferença que parecia hipervigilante. Kim Seokjin exibia um sorriso polido que não alcançava a frieza de seus olhos aristocráticos. Park Jimin, encostado em uma pilastra, mantinha uma postura relaxada que exalava uma promessa perigosa, enquanto Kim Taehyung e Jung Hoseok registravam cada reação trêmula dela. Eles não viam uma funcionária; viam um ativo humano sob custódia definitiva.
No entanto, a verdadeira gravidade da sala parecia emanar da silhueta mais jovem e imponente que se moveu do sofá de couro.
Jeon Jungkook deu um passo à frente, quebrando o distanciamento formal que os outros mantinham. Ele vestia roupas pretas minimalistas que acentuavam seu físico atlético e predatório. Diferente da burocracia fria de Namjoon, Jungkook exalava uma urgência física palpável. Ele caminhou com passos deliberados até parar a centímetros de Sora, encurralando o corpo esguio da garota contra a barreira metálica das portas trancadas.
Ele não disse uma palavra de início. Seus olhos negros e fixos desceram lentamente pelo braço dela, detendo-se exatamente na manga manchada de sangue seco. Ao notar o vestígio da testemunha que ela vira morrer, o maxilar de Jungkook travou com tanta força que uma linha tensa subiu pelo seu pescoço. Em vez de repulsa ou violência cega, um vislumbre doentio cruzou suas feições. Jungkook ergueu os olhos e sorriu de forma predatória.
Era o sorriso de quem encontrou algo precioso e condenado. A Avareza que o definia não tolerava perdas, e ver o sangue de outra pessoa marcar a garota pareceu acender um rastilho de pólvora em seu peito. Jungkook demonstrou uma obsessão imediata pela protagonista, uma necessidade territorial que ignorava a presença de Namjoon ou dos outros líderes.
Ele estendeu a mão longa, os dedos firmes e frios segurando o pulso esquerdo de Sora, bem acima da mancha escura. O aperto não era doloroso para machucar os ossos, mas era absolutamente inabalável — uma promessa de confinamento eterno.
— Esse sangue na sua roupa é um belo contrato, pequena — Jungkook sussurrou, a voz densa e territorial vibrando tão perto que Sora conseguiu sentir o calor de seu hálito contra o rosto pálido. Seus olhos negros devoravam a imagem dela, gravando cada detalhe de sua postura cautelosa. — Ele garante que você não tem para onde voltar. O mundo lá fora não quer saber a sua versão da história.
Sora manteve o queixo erguido, embora a pequena cicatriz na têmpora direita latejasse violentamente sob o bombardeio de adrenalina. Suas mãos escondidas estavam frias, mas ela forçou seus olhos escuros a sustentarem o olhar predatório dele. A mente analítica de TI que ela usava para decifrar linhas de código começou a processar o ambiente: a tranca eletrônica era gerida remotamente, Namjoon controlava a lógica, mas o homem à sua frente operava sob a frequência da posse absoluta.
— Eu não pertenço a vocês — Sora respondeu, a voz firme, embora sussurrada pelo eco do medo que o confinamento provocava. — Um sistema trancado ainda tem falhas. Eu vou encontrar a saída deste andar.
Jungkook inclinou a cabeça ligeiramente, o sorriso predatório alargando-se nos lábios enquanto seu aperto no pulso dela se tornava um pouco mais firme, demarcando o território diante de todo o conselho dos Sete Pecados.
— Tente — ele desafiou, o tom baixo e denso selando o destino dela dentro daquela cobertura. — Mas tudo o que entra nesta Sala de Comando vira propriedade nossa. E você... você acabou de virar a minha heresia favorita.
Lá fora, o primeiro relâmpago da tempestade iluminou o horizonte de Seul, projetando as sombras longas dos sete homens sobre o mármore n***o da Sala de Comando. Sora estava presa no labirinto de vidro, e as portas do elevador nunca pareceram tão distantes.