Quando voltaram para a pista, a música estava ainda mais animada.
Rick e Penélope foram recebidos pelos amigos dele, que logo perceberam a química entre os dois.
— Então era por ela que você estava distraído a noite toda? — um dos amigos brincou.
Rick apenas riu.
Penélope ficou vermelha e desviou o olhar.
Durante as horas seguintes eles conversaram, dançaram e riram como se se conhecessem havia muito tempo.
Pela primeira vez em anos, Penélope conseguiu esquecer o passado.
Ela esqueceu os medos.
Esqueceu as lembranças ruins.
Esqueceu até mesmo o homem que havia encontrado no banheiro.
Já passava das três da manhã quando os dois saíram para a varanda da mansão.
A música chegava distante dali.
O céu estava estrelado.
E uma brisa agradável balançava os cabelos de Penélope.
— Então — disse Rick — você sempre dança daquele jeito ou foi só para chamar minha atenção?
Ela riu.
— Convencido.
— Então era para chamar minha atenção.
— Sonha.
Os dois riram.
Havia uma leveza rara naquele momento.
Uma paz inesperada.
Mas o celular de Penélope vibrou.
Ela olhou a tela.
O sorriso desapareceu imediatamente.
Rick percebeu.
— O que houve?
Ela bloqueou a tela rapidamente.
— Nada.
— Penélope...
Ela suspirou.
— É ele.
— O homem da festa?
Ela assentiu.
Rick estendeu a mão.
— Posso ver?
Por alguns segundos ela hesitou.
Então entregou o celular.
A mensagem era curta.
"Você pode fugir de mim por mais alguns dias, mas não para sempre."
Rick fechou a expressão.
— Esse cara está te perseguindo?
Penélope abaixou a cabeça.
— Há anos.
— Por quê?
Ela permaneceu em silêncio.
Rick não insistiu.
Mas percebeu que aquilo era muito mais sério do que imaginava.
Então ela finalmente falou.
— Porque eu fui embora levando algo que ele queria muito.
— O quê?
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Minha liberdade.
Rick ficou em silêncio.
Não precisava saber de todos os detalhes para entender que aquele homem representava um capítulo sombrio da vida dela.
— Você mora sozinha?
— Moro.
— E ele sabe onde você mora?
Ela demorou para responder.
— Acho que sim.
Rick sentiu um aperto no peito.
— Então você não vai voltar para lá sozinha hoje.
— Rick...
— Não estou perguntando.
Ela o encarou surpresa.
— Você acabou de me conhecer.
— E mesmo assim não vou deixar você ir embora com alguém te ameaçando.
Penélope tentou protestar, mas desistiu.
No fundo, parte dela se sentia segura perto dele.
Uma sensação que não experimentava há muito tempo.
Pouco depois, os dois deixaram a festa juntos.
Mas do outro lado da rua, dentro de um carro escuro estacionado nas sombras, um homem observava tudo.
As mãos apertadas sobre o volante.
Os olhos fixos em Penélope.
E principalmente em Rick.
— Então é ele agora...
Sua voz saiu fria.
O motor do carro ligou lentamente.
E enquanto o veículo desaparecia na escuridão, uma única certeza ocupava sua mente:
Ele não pretendia deixar Penélope seguir em frente tão facilmente.
A viagem até o apartamento de Penélope aconteceu em silêncio.
Ela observava as luzes da cidade passando pela janela enquanto tentava organizar os pensamentos.
Rick dirigia atento, mas de vez em quando lançava um olhar para ela.
Quando chegaram ao prédio, ele estacionou e desligou o carro.
— Você está bem?
Penélope soltou uma pequena risada.
— Depois dessa noite? Não faço ideia.
Rick sorriu de leve.
— Resposta justa.
Ela olhou para a entrada do prédio e seu sorriso desapareceu.
A porta principal estava entreaberta.
Seu coração acelerou.
— Não...
— O que foi? — Rick perguntou imediatamente.
— Eu tenho certeza que fechei aquela porta quando saí.
Rick ficou sério.
— Fica aqui.
— Rick...
— Fica no carro.
Ele saiu e caminhou até a entrada.
Alguns segundos depois voltou.
— A fechadura foi forçada.
O sangue sumiu do rosto de Penélope.
— Meu Deus...
Rick pegou o celular.
— Vou chamar a polícia.
Mas antes que pudesse ligar, ela segurou seu braço.
— Não.
— Penélope, alguém invadiu seu apartamento.
— Eu sei quem foi.
Rick a encarou.
— Tem certeza?
Ela assentiu.
— Ele fazia isso antes. Entrava sem avisar. Mexia nas minhas coisas só para mostrar que podia.
Rick sentiu a raiva subir.
— Isso acabou.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Você não entende. Ele nunca desiste.
— Então ele ainda não encontrou alguém disposto a enfrentá-lo.
Por um instante ela ficou apenas olhando para Rick.
A firmeza na voz dele a fez sentir algo que há muito tempo não sentia.
Segurança.
Os dois subiram juntos.
Quando a porta do apartamento foi aberta, Penélope levou a mão à boca.
A sala estava completamente revirada.
Almofadas rasgadas.
Quadros no chão.
Gavetas abertas.
Mas havia algo pior.
Sobre a mesa da cozinha havia uma única rosa vermelha.
E um bilhete.
Penélope já sabia de quem era antes mesmo de pegar.
Suas mãos tremiam enquanto lia.
"Você continua sendo minha."
— Filho da mãe... — Rick murmurou.
Penélope começou a chorar.
Não pelo bilhete.
Mas porque percebeu que o passado que tanto tentou deixar para trás a tinha encontrado novamente.
Rick se aproximou.
Sem dizer nada, apenas a abraçou.
Por alguns segundos ela resistiu.
Depois desabou.
Escondeu o rosto no peito dele e chorou tudo que vinha guardando durante anos.
Rick a segurou com cuidado.
— Você não está sozinha.
Ela fechou os olhos.
Pela primeira vez desde que fugira daquela vida, alguém estava ao seu lado sem pedir nada em troca.
Mas enquanto os dois permaneciam abraçados, nenhum deles percebeu que, do outro lado da rua, uma câmera fotográfica registrava cada movimento.
E, alguns minutos depois, as fotos chegaram ao celular do homem que os observava.
Ele encarou a tela em silêncio.
Depois sorriu.
Um sorriso frio e perigoso.
— Se ele quer entrar na história... então vai fazer parte dela.