A Vida Real do Hospital

805 Words
Alguns meses depois, uma nova fase começou para Agatha na faculdade. Os estágios. E ela logo descobriu que aquilo era muito mais intenso do que apenas estudar em sala de aula. Agora ela precisava viver a rotina real de um hospital. Plantões longos. Pacientes graves. Emergências inesperadas. Naquela manhã, a professora entrou na sala com uma pilha de papéis. — Atenção, turma. Hoje vamos distribuir as escalas de estágio. Os alunos ficaram atentos. — Vocês começarão os plantões no hospital universitário. Alguns turnos serão de manhã… outros à noite. Agatha pegou sua escala quando a professora entregou. Ela arregalou um pouco os olhos. — Plantão das 19h às 7h… Uma colega ao lado riu. — Bem-vinda à vida da enfermagem. Agatha sorriu nervosa. Naquela noite, quando chegou à mansão, encontrou Douglas na sala. Ele percebeu que ela parecia cansada. — Dia difícil? Ela se jogou no sofá. — Você não faz ideia. Douglas sentou ao lado dela. — O que aconteceu? Agatha mostrou a folha da escala. — Começaram os estágios… e os plantões. Douglas pegou o papel e leu. — Doze horas? — Sim… Ela suspirou. — Vai ser puxado. Douglas segurou a mão dela. — Mas você consegue. Agatha sorriu um pouco. — Eu sei… só vai ser estranho sair à noite e voltar de manhã. Douglas pensou por um momento. — Então vamos organizar isso direito. — Como assim? — Nos dias de plantão eu mesmo te levo e busco no hospital. Agatha arregalou os olhos. — Douglas, você não precisa— — Eu quero. Ela sorriu. — Você vai acabar dormindo no carro esperando. Ele riu. — Não seria a primeira vez que um empresário vira motorista. Agatha deu um leve empurrão nele, brincando. — Bobo. Alguns dias depois veio o primeiro plantão. O hospital estava cheio, barulhento e movimentado. Agatha colocou o uniforme branco e prendeu o cabelo. Seu coração batia rápido. Uma enfermeira mais experiente se aproximou. — Primeira noite? — Sim… — Então se prepara. Hoje está lotado. E realmente estava. Durante o plantão, Agatha ajudou a cuidar de pacientes, levar medicações, acompanhar procedimentos e até ajudar numa emergência. Foi cansativo. Mas também foi emocionante. Quando o relógio finalmente marcou 7h da manhã, ela saiu do hospital exausta. Do lado de fora, viu um carro familiar estacionado. Douglas estava lá. Encostado no carro, com um café na mão esperando por ela. Agatha sorriu cansada e caminhou até ele. — Você veio mesmo. Douglas entregou o café para ela. — Eu disse que viria. Ela tomou um gole e suspirou. — Foi a noite mais cansativa da minha vida. Douglas abriu a porta do carro para ela. — Então vamos para casa… enfermeira. Agatha entrou no carro sorrindo. Porque mesmo com todo o cansaço… ela estava vivendo o sonho dela. O carro seguia silencioso pelas ruas ainda vazias da manhã. Agatha estava encostada no banco, segurando o copo de café que Douglas havia lhe dado. Ela parecia exausta. Douglas olhou para ela por um instante enquanto dirigia. — Foi tão pesado assim? Agatha soltou um pequeno suspiro. — Muito. Ela virou o rosto para ele. — Teve uma senhora que chegou passando muito m*l… eu fiquei ajudando a enfermeira com ela quase a noite inteira. Douglas ouviu com atenção. — E? Agatha sorriu um pouco. — Ela melhorou… quando o médico disse que ela estava estável eu quase chorei. Douglas sorriu orgulhoso. — Está vendo? Você nasceu pra isso. Agatha apoiou a cabeça no banco. — Mas eu nunca imaginei que seria tão cansativo. Douglas riu baixo. — Bem-vinda ao mundo real. Ela deu uma risada fraca. — Eu acho que vou dormir dois dias seguidos. Alguns minutos depois eles chegaram à mansão. Assim que entraram, Rute já estava na sala tomando café. Quando viu a filha naquele estado, abriu um sorriso cheio de orgulho. — Olha só minha enfermeira. Agatha caminhou até a mãe e deu um abraço. — Estou acabada, mãe. Rute riu. — Isso significa que você trabalhou de verdade. Douglas colocou a mão no ombro de Agatha. — Ela foi incrível. Agatha olhou para ele surpresa. — Como você sabe? — Porque eu conheço você. Ela sorriu, emocionada. Rute então falou: — Vai dormir um pouco, filha. Agatha assentiu. — Vou sim… antes que eu desmaie. Ela subiu as escadas lentamente até o quarto. Douglas ficou observando ela subir. Rute percebeu o olhar dele. — Você está muito orgulhoso dela, não está? Douglas sorriu. — Muito. Rute pegou a xícara de chá. — Minha filha sofreu muito na vida… mas nunca perdeu o coração bom. Douglas respondeu calmamente: — Foi isso que me fez me apaixonar por ela. Rute sorriu satisfeita. Enquanto isso, no quarto, Agatha caiu na cama e adormeceu quase imediatamente. Mesmo com todo o cansaço… ela nunca tinha se sentido tão realizada.
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