James
No momento em que entrei na casa e vi a situação em que Becca estava, perdi a cabeça. Eu tinha ouvido seu pedido de ajuda quando abri a porta da frente, mas só quando a vi realmente percebi o quanto ela estava desesperada por alguém que a salvasse.
O garoto a tinha imobilizado, e a cada movimento que ele fazia, eu via tudo ficar vermelho.
— Que diabos está acontecendo aqui? — retruquei, estreitando os olhos para o homem à minha frente. Eu queria mais do que tudo estraçalhá-lo e assistir ele morrer lentamente em minhas mãos.
Ainda assim, não sabia por que eu queria tanto aquilo. Punir ele, sim, eu faria isso por qualquer mulher.
Mas matá-lo... parecia algo mais pessoal.
Observei o garoto olhando por cima do ombro para mim e fazendo uma careta.
— Se mete na sua vida, velho.
Velho?! Ele queria morrer hoje, não é? Os jovens não têm mais respeito por nada.
— Como é? — retruquei, esboçando uma careta. — Acho que você precisa sair... agora.
Ele riu, e com esse riso, decidi não esperar que ele concordasse.
— Você me ouviu...
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, eu o agarrei e o joguei no chão. Minha mão estava em seu pescoço enquanto eu o olhava com raiva.
— Eu sou o dono dessa casa, e se você não sair agora, vou garantir que o seu futuro em Miami acabe aqui. Você ENTENDEU?
O medo tomou conta dos olhos do jovem enquanto eu o encarava. Ele percebeu que havia se metido em encrenca, e não havia mais volta para o que ele tinha feito.
Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, Trevor e Zane entraram na cozinha e arrastaram o homem para fora. Eles eram responsáveis pela segurança e já sabiam o que fazer sem que eu precisasse dizer uma palavra.
Eu queria saber quem ele era e quem era a sua família. Todos eles iriam pagar pelo desrespeito que ele demonstrou não só a mim, mas também à Becca.
Becca...
Virei para ela e a encontrei de joelhos, tentando recuperar o fôlego. Ela estava abalada e parecia tentar se recompor.
— Você está bem? — perguntei enquanto seus olhos se levantavam para encontrar os meus, e ela se levantava com dificuldade. Minha mão se estendeu para ajudá-la, e ela assentiu.
— Acho que sim — ela suspirou. — Me desculpe por isso, Sr. Valentino...
— Quantas vezes eu vou ter que te pedir para me chamar de James? — A risada suave que saiu dos meus lábios fez suas bochechas corarem. Eu estava a deixando desconfortável, mas, meu Deus, toda vez que ela fazia isso, tudo o que eu queria era beijá-la.
— Me desculpe... James. — Ela sussurrou, — Eu acho que deveria ir.
Ela tentou passar por mim, indo em direção ao corredor, mas, mesmo a observando partir, eu não queria que ela fosse.
Meus pensamentos sobre ela estavam errados, mas algo em estar perto dela parecia certo.
**
Becca
— Espera. — A voz dele me parou no lugar, e, quando me virei, vi ele se aproximando de mim. Seus punhos estavam cerrados, e seu maxilar estava tenso de uma forma que me deixou desconfortável.
— O que aconteceu—
— Eu não posso deixar você ir sabendo que poderia estar em perigo. Tem certeza de que está bem? — As palavras dele não eram o que eu esperava, mas meu coração se aqueceu ao saber que ele estava preocupado.
— Eu estou bem, mas obrigada por se preocupar. Não precisa fazer isso.
Ele me olhou com as sobrancelhas franzidas, claramente confuso.
— Por que eu não precisaria?
Fiquei abrindo e fechando a boca, tentando encontrar palavras que se recusavam a sair. De repente, estava com medo de dizer algo errado na frente dele.
— Eu sei que sua preocupação é só porque eu sou amiga da sua filha. Como eu agradeço por você ter me salvado daquele cara... Eu não quero que você sinta que precisa se preocupar comigo.
— Você não é uma obrigação. — A resposta rápida dele me pegou de surpresa, e, conforme ele se aproximava, percebi que estava encostada na parede. — Eu quero garantir que você esteja sempre bem.
— Obrigada. — Não havia muito o que eu pudesse dizer, mas, ao olhar para ele, percebi que ele era sincero. — Eu realmente agradeço por você ter intervenido para impedir aquele cara.
Ele deu um passo à frente, envolveu meus ombros com os braços e me puxou para seu peito em um abraço. Eu nunca tinha sido abraçada por esse homem antes, mas algo sobre a maneira como me senti em seus braços parecia certo.
— James... — Sussurrei suavemente enquanto ele continuava me segurando mais tempo do que deveria. O som dele inalando o cheiro do meu cabelo era evidente quando ele se afastou lentamente e olhou para mim.
— Nenhuma mulher merece ser tratada da maneira como você foi tratada, Becca. Como eu disse, eu sempre vou garantir que você esteja bem. Porque você merece ser tratada como uma rainha, não como um pedaço de propriedade.
As palavras dele me deixaram atônita, e antes que eu pudesse dizer algo, ele se virou rapidamente, cerrando e descruzando os punhos, e caminhou pelo corredor em direção ao seu escritório.
Eu não sabia exatamente o que acabara de acontecer, mas tinha certeza de uma coisa:
James tinha salvo minha vida de uma maneira.
Meus olhos ficaram fixos no corredor muito tempo depois que a porta do escritório dele se fechou. Eu não sabia o que devia fazer agora, mas ao me virar, vi Tally flertando com um cara.
— Tally, — disse calmamente, tentando me controlar, — podemos conversar?
— Oh, meu Deus! — ela exclamou, se virando para me encarar. — Eu estava me perguntando onde você estava. Vocês dois se deram bem como eu esperava?
Havia um sorriso malicioso no rosto dela enquanto ela piscava, o que me fez estremecer de raiva.
“Se deram bem? Ela está de brincadeira?”
— Uh, não. Definitivamente não. — retruquei com desdém.
Surpresa com minha resposta, ela olhou ao redor antes de seus olhos caírem novamente sobre o homem ao seu lado.
— Então, onde ele está?
Ódio.
Naquele momento, não sentia nada além de ódio por ela e pela maneira como estava agindo. Aquilo era totalmente culpa dela, porque ela nunca deixava as coisas para lá ou ouvia quando as pessoas diziam "não".
Colocando as mãos na cintura, balancei a cabeça.
— Bem, considerando que seu pai o jogou para fora da casa, eu diria que quem sabe onde ele está.
O amigo dela parecia confuso e rapidamente pegou o celular, provavelmente para ligar para o i*****l que tentou me agarrar.
— Becca, — Tally disse rapidamente, se aproximando de mim. — O que aconteceu? Achei que você tivesse gostado dele.
— Você está de brincadeira? — gaspei, surpresa. — Ele era um i****a que não aceitava um não. Não posso acreditar que você tenha dito a ele que eu queria ele depois de eu ter te dito que não.
Sem mais palavras, o cara guardou o celular e fez um gesto para que os outros seguissem. Os olhos de Tally se moveram rapidamente ao redor, surpresa com o que estava acontecendo, e ela correu atrás deles até a porta da frente.
Pensar que ela estava mais preocupada com a saída deles do que com o que aconteceu comigo... Era mais do que devastador, considerando que eu era sua amiga.
Subi as escadas furiosa, indo em direção ao meu quarto, mas antes que eu pudesse fechar a porta, Tally estava bem atrás de mim.
— O que diabos aconteceu? Eles disseram que meu pai jogou ele para fora da casa sem motivo nenhum! — ela gritou, olhando para mim como se eu fosse a louca da história.
— Sério? — respondi, incrédula. — De todos os anos que você me conhece, qual parte disso faz algum sentido para você? Ele me atacou, Tally. Tentou me forçar depois que eu disse várias vezes que não estava interessada.
Ela cruzou os braços sobre o peito e me olhou com desdém.
— Não acredito nisso. Ele é um cara super legal e vem de uma família muito rica.
— É mesmo? — Ri, sarcástica. — Então, por que você não vai perguntar para o seu pai? Ele ouviu a conversa e pode te contar exatamente o que aconteceu.
Sem avisar, Tally saiu do meu quarto, batendo a porta atrás de si. Eu não me importava para onde ela estava indo naquele momento. Ela tinha deixado claro que ia acreditar nesses idiotas ao invés de mim.
Essa era uma linha que ela não deveria ter cruzado, na minha opinião.
Quanto mais eu olhava para como nossa amizade estava indo ao longo dos anos, mais eu percebia o quanto ela havia mudado, e não de uma forma boa.
Ela estava mais egoísta, mais ridícula em suas opiniões de quem se acha no direito de tudo.
Era nojento. Mas, bem, nós duas crescemos com estilos de vida bem diferentes. A única coisa que eu podia fazer era decidir cortar os laços com ela de vez ou simplesmente perdoá-la e aprender a me proteger da próxima vez.
Uma sensação de culpa e agonia se formou no meu peito enquanto uma onda de desconforto me tomava. Eu não queria perdê-la, mesmo que ela tivesse problemas, porque eu sabia que o tipo de pessoa que ela poderia ser não era essa.
Pensando nas minhas opções, eu gemi de frustração e fui até a porta para ir falar com ela, mas assim que a abri, vi ela parada ali com os olhos cheios de lágrimas.
— Becca... — ela gemeu entre um soluço. — Ele me contou. Me desculpa por não ter acreditado em você. Me desculpa tanto por ter causado isso.
Bem, merda. Como vou ficar brava com ela agora?
Eu queria perdoá-la, mas ao mesmo tempo, não queria que ela simplesmente dissesse "desculpa" porque estava se sentindo culpada. Aquela não era a desculpa que eu esperava.
— Tally, eu te falei não. — suspirei. — Por que você não consegue simplesmente me ouvir? Depois de tudo o que aconteceu com o Chad, você sabe como me sinto em relação a estar com outro homem.
Ela assentiu e secou as lágrimas.
— Eu sei. Eu estraguei tudo, Becca. Não achei que o Alejandro fosse ser tão i****a. Honestamente, você deveria ter dado um soco nele.
— É, eu ia dar, mas claro, seu pai apareceu e arruinou meus planos, — brinquei, revirando os olhos. — Da próxima vez, vou tentar fazer isso antes dele chegar.
Ela riu junto comigo enquanto se sentava na beirada da minha cama.
— Eu só quero que você seja feliz de novo, Becca. Não quero que você nunca mais tente encontrar o amor por causa dele.
Havia uma sinceridade em suas palavras que me fez hesitar na resposta. Eu nunca tinha ouvido ela falar assim comigo antes. Normalmente, ela se apressava em afastar qualquer assunto r**m e me dizia para esquecer.
Ainda assim, ali estava ela, bêbada e chorando no meu quarto, quando deveria ser eu a estar chateada.
Talvez ela ainda fosse a garota que eu costumava conhecer.
Mas eu não estava pronta para baixar a guarda ainda.
Algo dentro de mim me dizia para ter cuidado.