Capítulo 9: Ignorando o Chade

1750 Words
— Tally, onde diabos está sua torradeira? — perguntei enquanto vasculhava a cozinha, procurando o único eletrodoméstico que parecia não estar no balcão. — Ah, você realmente está me perguntando isso? — Ela se aproximou do balcão da cozinha, se sentou nele e mordeu uma maçã dourada, observando minha busca frenética pelos armários. Ela não ajudava em nada, e isso já estava me irritando. Eu tinha dormido pouco depois do que aconteceu entre James e eu no dia anterior. Resmungando de frustração, parei e olhei para ela com as mãos na cintura. — Como você não sabe onde está? Esta é sua casa. Dando de ombros, ela revirou os olhos enquanto continuava a comer. Foi só quando James entrou na cozinha que meu corpo ficou tenso, e eu congelei no lugar. Ele passou levemente por mim, indo em direção à cafeteira. — Bom dia, meninas — disse ele com um sorriso e um tom animado na voz. — Bom dia, papai — respondeu Tally, enquanto os olhos dele se voltavam lentamente para mim. — Está tendo uma boa manhã, Becca? De todas as vezes que ele podia falar comigo, escolheu justamente em frente à Tally. De certa forma, fiquei satisfeita por ele ter me notado, mas a lembrança do que aconteceu na piscina girava incessantemente na minha mente. — Ah... sim. — Minha resposta curta passou despercebida por Tally, mas, ao virar para James, percebi os cantos de seus lábios se curvando enquanto um brilho de diversão surgia em seus olhos. — Maravilha. Bem, se não tiverem nada planejado para hoje, eu sugeriria um mergulho na piscina. Está um dia lindo para isso. O rubor subiu ao meu rosto diante do comentário dele, e eu rapidamente limpei a garganta, desistindo de procurar a torradeira. Qual era o ponto, afinal? Minha fome já tinha ido embora. — Não teremos tempo para nadar hoje, pai. Becca e eu vamos para a cidade fazer compras e tomar uns drinks. — disse Tally animadamente, pulando do balcão. Os olhos de James se arregalaram enquanto ele sorria. — Isso parece divertido. Só lembrem-se: se forem beber, me avisem que eu mando um carro buscá-las. — Sim, eu sei, pai — resmungou Tally, me fazendo rir. Nunca deixava de me surpreender como ela podia agir como uma criança. A maioria das pessoas daria tudo para ter pais que se importassem desse jeito, mas ela sempre agia como se fosse um problema. — Tudo bem então — suspirou James. — Bem, preciso ir. Vejo vocês mais tarde. Tentem não arrumar confusão. As últimas palavras foram ditas enquanto seus olhos permaneciam nos meus. Eu não sabia exatamente o que ele queria dizer, mas também não tinha certeza se queria descobrir. — Tenha um ótimo dia, senhor Valentino. O sorriso em seus lábios diminuiu com a minha despedida. A maneira provocante como usei o sobrenome dele, em vez de James, certamente o irritou. Algo que eu tinha certeza de que ele mencionaria mais tarde. ** Algumas horas depois, eu estava sentada à frente de Tally com três amigos dela que eu ainda não conhecia. O restaurante à beira-mar era incrível, e, apesar de a última semana ter sido uma loucura, fiquei feliz por ter um almoço tranquilo e normal. — E então, o que está achando de Miami até agora? — perguntou um cara chamado Tony, enquanto tomava um grande gole de sua margarita. — Bem, não é a minha primeira vez aqui. Mas gosto da cidade. Seus olhos se arregalaram de surpresa enquanto ele olhava para Tally. — Por que estamos conhecendo ela só agora, se ela já esteve aqui antes? Tally levantou uma sobrancelha, alternando o olhar entre o homem e eu. — Ah, bem, ela não vem aqui há cinco anos. — Sim, as coisas ficaram complicadas com meus pais, então não consegui vir antes. Ele acenou com a cabeça, sem se aprofundar, e voltou sua atenção aos outros, falando sobre uma festa insana que aconteceria mais tarde no verão. O entusiasmo que eu estava sentindo foi diminuindo aos poucos, e antes que eu pudesse pensar muito, meu celular tocou, exibindo um nome que eu não esperava ver. — Hum... com licença. Preciso atender esta ligação. Os olhos de Tally encontraram os meus enquanto ela franzia o cenho de confusão. Eu murmurei o nome de Chad para ela, e por um momento achei que vi um lampejo de raiva em seu olhar, mas logo desapareceu. — Alô? — falei ao atender o telefone, me afastando da mesa. Sinceramente, Chad era a última pessoa com quem eu queria falar, mas, por algum motivo, não resisti em atender a ligação. — Oi, linda. O que você está fazendo? A voz dele já não me animava como antes, e, mesmo sentindo um vazio no estômago, tentei afastar aquela sensação causada por sua ausência. — Por que você se importa, Chad? Isso não pode ser só uma ligação social. — respondi. — Não seja assim — ele suspirou do outro lado da linha. — Eu sinto sua falta, Becca. Fui um i****a antes, e queria te dizer que estou indo para Miami por você. Tenho amigos aí, mas quero te ver... se você deixar. — Sério? — retruquei com sarcasmo. — Você me traiu, Chad. O que te faz pensar que eu quero te ver? — Becca, por favor — ele suspirou novamente. — Apenas me encontre para tomar uns drinks, e conversamos quando eu chegar. Quero mostrar o quanto estou arrependido. Eu não queria cair nos jogos dele, mas uma parte de mim precisava de clareza. Queria saber quem era a pessoa com quem ele estava saindo. A única evidência que eu tinha, na época, era uma calcinha preta de renda artesanal que encontrei no quarto dele. Não havia muitas mulheres que usariam algo tão exclusivo, e saber a quem pertencia poderia me trazer alguma paz. — Não sei — suspirei. — Talvez. Mas, para ser honesta, não quero. — Tudo bem. Eu aceito um “talvez" — respondeu rapidamente. — Prometo que não vou te magoar de novo. Mentiras. Eram todas mentiras. — Tá certo. Preciso ir. Desliguei o telefone e o enfiei no bolso, apoiando-me no corrimão que dava para a praia. Ouvir a voz dele trouxe de volta muitas lembranças ruins, e, no meio de tudo isso, eu só queria encontrar paz. Paz longe dele e da vida que tivemos juntos. Uma chance de começar algo novo. — Becca, está tudo bem? — Tally perguntou, se aproximando com uma expressão confusa no rosto. — Ah... sim. Estou bem — respondi, tentando disfarçar as emoções que sentia. — O que o Chad queria? Balancei a cabeça e dei de ombros antes de olhar novamente para a praia. — Queria me avisar que está vindo para a cidade e que quer me ver porque sente minha falta. — Ele sente sua falta? — ela respondeu com um tom um pouco negativo demais, como se fosse impossível Chad sentir minha falta. — Sim. — retruquei, voltando o olhar para ela. Tally cruzou os braços defensivamente e balançou a cabeça. — Não faça isso, Becca — disse firmemente. — Ele já te machucou antes. Você vai mesmo deixar que ele faça isso de novo? Acho que deveria ficar longe dele. Está claro que outra garota já tomou o lugar dele. As palavras dela me machucaram, e eu não entendia por que ela não pensava antes de falar. — Uau, obrigada por isso, Tally. — Olha — respondeu ela, soltando um suspiro pesado. — Desculpa. Eu só não quero te ver sofrer. Você é minha melhor amiga. Você merece algo melhor do que ele. Eu sabia que ela só queria me proteger, e talvez estivesse certa. Eu merecia algo melhor, mas até essa ideia me deixava enjoada. Especialmente porque o pai dela havia demonstrado interesse em mim, e eu estava adorando cada segundo da atenção que ele me dava. Mesmo que eu não facilitasse as coisas para ele. — Você tem razão. Que tal irmos tomar uns drinks e esquecer o Chad? — ri, enquanto ela segurava meu braço e nos dirigíamos de volta à mesa. Eu não era de beber, mas, depois daquela conversa, definitivamente precisava de algo. ** Horas depois, tropeçávamos pela porta da casa de Tally, gargalhando alto. Eu não tinha certeza se o pai dela estava em casa, mas ambas tínhamos bebido, e nenhuma de nós se importava. — Meu Deus, Becca! A noite foi tão divertida! — ela gritou enquanto eu a ajudava a subir as escadas rumo ao quarto. — Sim, foi. Agora vamos te levar para o quarto e te colocar na cama. — Minha cama! — ela gritou de novo, enquanto chegávamos ao andar de cima e entrávamos no quarto dela. Depois de alguns minutos a ajudando a se trocar e deitá-la, fui para o meu quarto para me trocar. Eu precisava urgentemente vestir algo mais confortável e talvez comer algo. O álcool no meu sistema não era tão forte quanto no dela, mas comida e hidratação eram essenciais se eu quisesse evitar uma ressaca no dia seguinte. Vesti uma camisola vermelha que ia até o meio das coxas, soltei o cabelo, que caiu pelas costas, e saí do quarto, descendo as escadas na ponta dos pés em direção à cozinha. As luzes estavam completamente apagadas, e a escuridão tornava difícil navegar pelos cômodos. Mas era melhor do que acordar James. A última coisa que eu queria era lidar com ele. James estava em minha mente desde o momento em que cheguei, e, depois de tudo o que ele havia feito, eu queria mais. Queria cada gota dele, e com o álcool no meu sistema, não conseguiria continuar jogando de difícil. Eu estava mais do que disposta a me entregar. Antes de chegar ao piso frio da cozinha, senti um sopro de vento e, de repente, uma mão se enlaçou na minha cintura enquanto outra cobriu minha boca. Gritei, tomada pelo medo e pelo pânico, lutando para me soltar, mas sem sucesso. Quem quer que fosse, tinha um controle firme sobre mim, e a última coisa que eu queria era morrer. No entanto, quando senti uma respiração quente percorrendo minha orelha e pescoço, não pude evitar me sentir excitada. — Eu disse que terminaríamos isso depois. — sussurrou a voz. — Estou esperando por você desde o momento em que foi embora, e m*l posso esperar para te ouvir gritar de novo. Eu conhecia aquela voz, e era uma que eu frequentemente pensava.
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