As lembranças começaram a vir: o pedido da madrasta, a hesitação da Karen no portão, o olhar que ela desviou quando o pai se aproximou. E a voz da madrasta... implorando. — A Nanci... — murmurou, quase para si mesma. — Ela implorou pra eu levar a Karen também. — O olhar dela se ergueu, vazio. — Ela sabia, Dante. — As lágrimas escorreram lentas, silenciosas. — Que tipo de mãe sabe de uma coisa dessas e não faz nada? Dante se aproximou, devagar. — Às vezes... — disse, com cuidado. — Às vezes, ela não podia fazer nada, Lisi. Elisa riu. Um riso curto, amargo. — Podia, sim. — retrucou, a voz tremendo. — Ela podia pegar as filhas dela e sair de casa. Dormir debaixo de uma ponte. Podia ir na polícia, denunciar. — O tom dela foi subindo, a cada palavra. — Podia pegar uma faca e enfiar nele e

