Camilla A decisão tinha sido dita em voz alta. Eu fico… até resolver minha vida. E você respeita. Só que decisão, no morro, não vira paz. Vira teste. E naquela noite, com o esconderijo respirando silêncio e a rua lá fora soltando barulhos espaçados, moto ao longe, cachorro latindo e calando, um rádio chiando como segredo, eu senti o teste se aproximando do jeito mais perigoso: por dentro. Lobão estava encostado na parede, braços cruzados, o rosto duro de sempre e o corpo denunciando o que ele tentava esconder. O ferimento puxava. A falta de sono deixava os olhos mais fundos. E ainda assim ele ocupava o cômodo como se fosse dono do ar. Eu segurava a chave no bolso. Não por ameaça, por lembrete. A porta era minha. E eu precisava provar isso de um jeito que não fosse fugaz. — Você

