Lobão Eu já tinha visto pessoas hesitando com armas na cara. Mas a hesitação dela… era pior. Porque não era só medo do tiro. Era medo do mundo. Medo do “lá fora” que promete liberdade e entrega caçada. Medo de abrir a porta e descobrir que a rua também tem coleira, só muda a mão. E, mesmo assim, eu senti raiva. Raiva de ver Camilla perto demais de uma janela aberta, perto demais de sumir, perto demais de virar troféu na boca do morro ou “resgate” na mão da farda. Raiva porque eu não mando no destino. Eu mando no que eu consigo segurar. E ela… ela é a única coisa que eu tô segurando que me desorganiza. Eu entrei no cômodo e fechei a porta por dentro sem ferrolho, do jeito que ela mandou. A janela já tava quase fechada, mas eu vi a marca: o vidro mexido, o ar frio entrando, o olhar

