Camilla A janela estava aberta. Não era metáfora. Era literal. Um quadrado alto de parede velha, com o vidro emperrado e a madeira cansada, deixando entrar um vento frio que cheirava a morro molhado e madrugada. Um vento que parecia liberdade… e também parecia aviso. Eu fiquei olhando pra ela por tempo demais, como se olhar fosse o primeiro passo pra fugir. No bolso, a chave pesava como um coração extra. Eu apertava e soltava, apertava e soltava, tentando lembrar que eu tinha uma regra. Que eu tinha uma porta. Que eu tinha escolha. Só que escolha, no morro, nunca vem limpa. Ela vem com barulho de moto lá embaixo. Vem com sirene distante. Vem com boato no portão. Vem com o teu nome virando senha na boca errada. Eu encostei a testa na parede fria e respirei devagar. Ainda dava pra ou

