Camilla A noite no morro se manifesta de duas formas distintas: ou é vibrante, uma celebração com música alta vinda das lajes e gargalhadas ecoando pelos becos... ou se transforma em caçada, onde o silêncio se adensa, tornando-se mais opressor do que a simples ausência de ruído. Naquela noite, era caça. Eu pressenti antes de escutar. Meu corpo estava condicionado a antecipar qualquer movimento: a sutil alteração na pressão do ar, o compasso dos passos no corredor, o ruído intermitente e distante do rádio que se intensificava quando algo saía do controle. Deitei no colchão, mas o sono não veio. Não por bravata ou força, mas porque eu não podia me permitir o luxo de um momento de distração. A portinhola abriu sem o clique habitual. Mais devagar. Como se alguém estivesse tentando não faze

