Lobão O morro tem um tipo de silêncio que não é paz. É antecipação. Depois do “ataque pequeno” na entrada baixa, todo mundo ficou acordado por dentro. Ninguém falava alto, mas as mãos não paravam: ajustando rádio, conferindo posto, rodando rota, olhando pro alto como se o céu tivesse virado inimigo também. Eu gosto desse estado. Não por prazer, por eficiência. Homem com medo faz duas coisas: ou vira covarde… ou vira atento. Eu só aceito a segunda. Passei pelos pontos de vigia sem pressa. Um subchefe apressado entrega nervo. E nervo é convite pra rival. Cada posto me devolveu o mesmo olhar: “tá vindo.” Não era pergunta. Era certeza. Quando cheguei no corredor interno — o mais escondido, onde só entra quem eu deixo — eu vi o detalhe que me incomodou mais do que qualquer boato: Juninho p

