SOL NARRANDO Dois dias depois da bomba do advogado, a gente tava de pé de novo. Ou melhor… de salto. Hoje era o grande dia. O nosso dia. A inauguração do nosso salão. Levantei com o coração batendo igual bateria de escola de samba, as pernas tremendo como se fosse subir no palco de uma final de samba-enredo, e o estômago? Parecia encolher toda vez que eu pensava em dar certo. Ou pior… dar errado. Mas quando olhei no espelho… — p**a QUE PARIU… — sussurrei sorrindo. Negona loura, cê tá maluca! O cabelo novo tava um espetáculo. Afro, volumoso, cheio de cacho, loiro do tom que brilha no sol e cega desaforada. Me senti Beyoncé, Ludmilla, Rita Lee da favela… tudo junto e misturado. Fiz uma make bapho, passei o batom caramelo e o iluminador refletiu a luz do quarto todo. A Ingrid entrou n

