Capítulo 15 - No mesmo barco

1111 Words
Quando conheci a Carol, ela fazia bico de Psicóloga numa cafeteria. Ela encontrava pessoas problemáticas na internet e marcava com elas para tentar ajudar. Ela tinha uma consciência pesada para aliviar, e eu estava prestes a enlouquecer depois que meu irmão morreu. Ela quis juntar o útil ao agradável, e me recrutou para estudar e trabalhar com ela. Tempos mais tarde descobri que o lugar para onde ela me recrutou se tratava de uma facção. Eu acabei gostando de tudo o que me ensinaram. Eu aprendi de tudo um pouco, o que fez ocupar minha mente. Luta e medicina foram o que mais foquei. A medicina fazia minha mente funcionar, enquanto a luta ajudava a liberar meus excessos de raiva. Anos depois, acabei cedendo ao meu desejo de vingança, e fui atrás de respostas sobre a morte de meu irmão. Eu fiz um trabalho excelente de investigação, o que me levou a um grupo de traficantes idiotas. Eu os matei, o que chamou a atenção de Tobias, que me encontrou e me recrutou para sua equipe. Ele me explicou sobre os trabalhos da firma e o quanto era perigoso. Carol nunca aprovou minha decisão. Mas, ela não poderia entender que eu não estava mais conseguindo controlar a raiva que crescia dentro de mim. Eu não era mais a garotinha de antes. Nada daquilo era mais suficiente para mim. Então, decidi dedicar minha vida e habilidades para propósitos maiores que minhas revoltas. E agora, depois de tanto tempo, descubro que meu irmão está vivo, e trabalhando para a Yakuza. Simplesmente, a facção mais nojenta que conheço. De tráfico de armas à tráfico humano. Eu não dúvido que Mikhael é quem estava por trás da explosão, provavelmente foi ele quem trouxe os recursos. As equipes de resgate não demoraram muito para tomarem controle da situação, e os homens que ainda estavam presos nos escombros já eram atendidos. O número de baixas subia a cada hora. Eu estava devastada com tudo isso. Kirby estava mais controlada, assim que viu seu irmão vivo, mesmo que com uma costela quebrada e um dos braços deslocados. Não podemos dizer o mesmo sobre os vinte e sete homens e mulheres que perderam suas vidas durante a missão. O local ainda estava sendo revistado, em busca por sobreviventes ou mais óbitos. Nossa equipe estava à todo vapor para descobrir um ponto de partida. Precisávamos ir atrás deles o quanto antes. Isso foi uma tremenda covardia, levando em conta todo o cuidado que Victor e Tobias tiveram ao nos pedir que não ferissimos à ninguém. — Ele chegou! — Mathew nos avisa. David e eu pulamos da mesa em direção a porta, Dylan e Tobias nos seguiram enquanto conversavam algo entre si. A sala estava cheia de feridos, todos revoltados e com os nervos à flor da pele, todos os médicos e enfermeiros corriam de um lado para o outro. Steve se encontrava em uma das macas e foi colocado no fim da sala. Kirby e ele discutiam sobre alguma coisa quando nos aproximamos. — Como se sente? Nos deu um susto! — eu disse, e seus olhos me analisam, enquanto respirou fundo. — Perdi a maioria dos meus homens, é assim que me sinto. — E então seus olhos caem. Eu entendo. Ele perdeu a maioria do seu esquadrão que o acompanhara hoje, pelas mãos do meu irmão. Eu entendo que não queira me olhar na cara. Dou alguns passos para trás. — Faz parte do trabalho. — Dylan responde ao meu lado, e Steve imediatamente o encara. — E você é a última pessoa que quero ver na minha frente, Prier. Sua família matou metade do meus homens! — rangiu. Tobias dá alguns passos a nossa frente, enquanto eu dava mais para me afastar. — Nós entendemos sua perda, e vamos fazer o possível para reestabelecer o controle da situação. Bucky já está... — O controle da situação? Tá de brincadeira? — seu braço cobre o estômago já enfaixado e se ergue da maca, ficando cara a cara com o grisalho. — Eu tive a chance de garantir o controle da situação, lembra? E deixei ela passar por causa de vocês! — grita. — E agora meus soldados estão mortos! — Todo mundo aqui recebeu ordens, torcemos pelo o melhor, mas temos que lidar com o que recebemos. — Tobias mantém o queixo erguido. — Steve, já chega — Kirby, sua irmã, pede. — Enfia a merda dos seus discursos na sua b***a — dá um passo mais perto de Tobias, e simplesmente não tenho mais estômago para continuar aqui. Giro meu corpo e puxo Dylan pelo o braço, rumo a saída da sala. Aquele cheiro de sangue, as pessoas gravemente feridas, e pelo os que não estão ali naquela sala e sim num saco preto lá fora; eu sentia que iria apagar, de novo. — O que foi? — ele me questiona, assim que saímos daquele lugar. — Ele está certo, eu sou a irmã de quem matou os homens dele e você é um Prier — permaneço de costas para ele. — Ele só está em choque — me viro estreitando os olhos para seu estado calmo.— Kate, todos nós quando saímos em serviço sabemos que podemos não voltar. — Na teoria é fácil, experimenta estar na pele dele, ou de quem está dentro desses sacos... — o bolo na minha garganta suga toda a minha voz, assim que avisto alguns homens transporarem mais um corpo. — Vem — ele me puxa para longe dali. — Precisa se desconectar desse sentimento. — Do que está falando? — enxugo as poucas lágrimas que caíram. — Como acha que eu estaria se me autoculpasse constantemente por tudo o que a minha família faz? — seus olhos negros fixam-se nos meus em espera por uma resposta. Simplesmente sinto-me submersa, sem ter o que lhe dizer. — Seu irmão não é você, um sobrenome ou a genética não te liga a ele da forma que pensa, não é saudável pensar dessa forma, e não vai cooperar em nada. — Dylan, eu acompanhei seu desenvolvimento, vi você superar tudo isso que está me dizendo. — Dou um passo para mais perto. — Mas eu acabei de caí de paraquedas nessa situação, meu irmão estava morto, e agora não só descubro que ele está vivo, como também é um m****o da Yakuza. — Ele assente, sério. — Compreendo o que quer dizer — suspiro. Quem diria, que um dia nos encontraríamos no mesmo barco. — Só achei que você fosse mais forte e melhor que isso. — ele acena para meu estado, e se vai, deixando um buraco enorme me consumir.
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