Capítulo 14 - O Irmão Morto

2662 Words
Estava inquieta com aquela roupa de couro super quente, dores nos joelhos e principalmente nas costas. A fulga estava dando certo, já nos aproximávamos de um dos prédios do complexo de Victor, no qual mais alguns da equipe de resgate nos aguardavam. Eles ficaram responsáveis por compartimentalizar cada segundo da missão. Todos pareciam eufóricos, talvez pelo o fato de que conseguimos sair inteiros e vivos daquela missão. O que me parece ser um pensamento ingênuo, já que a segurança daquele lugar serviu de piada. Talvez tivessem nos deixado resgatá-lo ou não fizeram questão de gastar tanto das próprias forças para com um ex-m****o da facção. Por mais que, Dylan pudesse ter sido uma peça muito importante para eles, na garantia de nos tirar algo caso não obedecéssemos às demandas de seu avô. Na verdade, tudo isso é muito curioso. — David, não grite – Kirby reclamou, do banco da frente, chacoalhando as madeixas loiras. Reviro os olhos, ouvindo o chiado dos gritos do cabeça oca no fone no ouvido da mulher. —, ela está sim conosco, já estamos chegando. — Venham logo, ela precisa ver algo! — ouço meio abafado. Falava de mim? Olho Sasuke de relance que estava ao meu lado no banco de trás, e ele retribui o mesmo olhar mostrando-se curioso também. — Tá, tá — o carro acelerou mais um pouco, assim que terminamos de cruzar o lado sul. O centro estava movimentado, mas não demoramos mais que sete minutos para invadírmos o estacionamento que estava quase que completamente vazio, se não fosse por nós. Abandonando o carro, saímos novamente em direção ao prédio da frente, saltando pelas escadas. — Preciso de um suquinho de laranja — Mathew passa por mim voando até o outro lado da sala, assim que atravessamos a porta. O loiro que estava com os olhos vidrados na tela, salta da cadeira vindo até mim com pressa. — Kate, eu nem sei como te... — David! — Tobias adverte-o, como se não me devesse falar algo. Olho intrigada para todo o pessoal que trabalhava em algo na sala. Telas enormes à minha frente chamam a minha atenção. — O que foi, David? — dou um passo em sua direção. Será alguma notícia de Helena? Meu coração estava à galope com a possibilidade. Percebo Dylan vir até mim e o loiro. Os olhos de David ainda estavam arregalados para mim. — Precisamos da sua confirmação, por mais que meu sistema de reconhecimento esteja em perfeitas condições... — Bucky começa a falar. — Diga logo o motivo por esse cabeçudo quase me deixar surda! — a loira balbucia entregando seus equipamentos aos outros técnicos no recinto. — Vamos com calma, um detalhe de cada vez! — Tobias estava irritado. Seus olhos batem em mim, e então sua expressão relaxou. — Eu não tinha certeza antes, não poderia brincar com seus sentimentos, mas... Ora, do que droga estão falando? Já sentindo-me aflita, jogo o corpo de David para o lado, para enfim ter a visão das telas do computador. E meu coração falha uma batida, assim que o rosto de meu falecido irmão se espelha em meus olhos. O que a imagem de meu irmão estava fazendo estampada nas telas? — Mikhael...? — me aproximo devagar, tentando tomar todas as informações da melhor forma possível. — O que significa isso? — Essas imagens são de vinte minutos antes de chegarem... — Bucky esclarece, me deixando ainda mais confusa. — Do que está falando? — os olhos verdes de meu irmão brilhavam na tela com o sol. Porém seus traços faciais estavam mais maduros do que me lembro de eles serem, linhas de expressão marcadas ao redor de seus olhos. Os cabelos crescidos, e mais escuros que os meus. Trajava uma roupa escura ao lado de outros homens. — Parece que seu irmão está vivo — ele completa, dedilhando as teclas do computador. Minha mente deu um giro, e por um segundo me senti tonta. — Não podia ser mais sensível? — David grita ao meu lado, pondo a mão em meu ombro. Eu simplesmente não sei o que dizer. — Não entendo... como ele não está morto, e o que ele fazia no prédio? — faço esforço para a minha voz sair da garganta. Minhas pernas tremeram, minha visão embaçou levemente. O aperto de David se intensificou em meu ombro, então me livro dele, seguindo à passos duros até Tobias. — RESPONDA! — lhe grito, e ele parece acordar de um tranze. — Havia um helicóptero no heliponto do prédio, ele pousou no mesmo instante que você conseguiu entrar. O sistema o reconheceu na hora, mas não quis acreditar até vê-lo sair e trocar algumas palavras com o avô de Dylan no telhado, junto de outros homens. — Volto meu olhar para a tela. O vídeo que estava pausado com a imagem focada em seu rosto agora rodava o momento que Tobias descrevera. Eu não podia acreditar nisso. Só podia ser uma brincadeira de muito m*l gosto. — Ele estava acompanhado de um m****o da Yakusa, chamado Takashi, um dos assassinos mais procurados. Os outros o sistema reconheceu como fugitivos de... — Bucky continuava. — Cala a boa... — peço, sentindo meu corpo todo tremer. Como podiam dizer tudo isso? — Meu irmão foi dado como morto há anos atrás, eu mesma investiguei antes de me juntar à você — aponto para Tobias. Me sinto mais uma vez tonta, enjoada. Novamente, a tela foca em seu rosto. A expressão arrogante que sempre fazia ao falar algo inteligente. — Eu suspeitava... — o grisalho sussurra ao meu lado. Arrasto meus olhos, com pesar, para ele novamente. — Há um ano quando ajudei a prender os suspeitos de contrabando de armas na fronteira do México, o velho Gidoko com quem trabalhei falava sobre um rapaz de olhos verdes, que realizava as entregas da Yakuza. Desde então fiquei à espreita da Yakuza, imaginando que era para eles que seu irmão estava trabalhando todo esse tempo, escondido do sistema, afinal ninguém busca por alguém que já está morto, mas as imagens que conseguia as vezes não estavam muito boas ou as provas não eram concretas, e... — suas palavras são interrompidas de imediato, e só percebo que foi eu quem o silenciara, com um soco no meio do seu rosto, fazendo seu sangue extravasar pelo o nariz. E minha mão é envolvida instantâneamente pela dor. Lhe encaro amargurada, e olho uma última vez para a tela, ainda pausada em seu rosto mais maduro e sério. Pretendia deixar a sala imediatamente, mas a escuridão tomou conta da minha visão. E de repente, é como se meu corpo pesasse uma tonelada, mas antes que chegasse ao chão, sou apoiada por mãos firmes e rápidas. Um eco, fino e doloroso, incomoda ao lado dos meus olhos. Meus braços estão pesados, assim como sinto minhas pernas. Meus olhos custaram para se abrirem. O teto cinza estavam manchado de uma luz amarelada e densa, havia um som abafado de vozes me chamando atenção ao meu lado. A imagem de duas pessoas conversando sobre algo me deixa curiosa. Não conseguia focar em seus rostos. — Eu sei, não precisa me ensinar à ser humano, Prier — Dylan Prier? Dylan estava por perto? — Dylan? — chamo. Um dos corpos vira rapidamente em minha direção, e à passos pesados vem até mim. — É você? — Sim, como se sente? — seu rosto branquinho e seus olhos negros em contraste com a pele se tornam mais visíveis para mim. Sinto me aliviada instantaneamente por enxergar melhor. — Como uma inválida — tombo meu corpo para o lado, e com a ajuda de seus braços fortes, consigo sentar. Meu corpo parecia pesar cinco vezes mais, ou a gravidade estava mais densa para mim. Ergo meus olhos ao meu redor, e rapidamente reconheço o outro com quem Dylan conversava. — Steve! — Você nos deu um susto — ele sorriu. Eu lhes dei um susto? A última coisa que me lembro... Mikhael... meu irmão está vivo! — Meu irmão... — meus olhos se encontram com os de Dylan, e em resposta ele apenas assente. Não acredito que isso realmente está acontecendo. Parte de mim gostaria que fosse apenas um pesadelo. Quer dizer... Ele estar vivo é algo bom, mas isso cheira muito m*l. Teria ele forjado a própria morte? E o que explica ele estar trabalhando para a Yakuza? — Não faça isso — a voz rouca do moreno que me segurava firme pelo os braços me adverte, como se estivesse lendo a minha mente. — Você dormiu um dia inteiro — o outro próximo a porta me notifica. —, irei pedir para que lhe tragam algo para comer. — E sai da sala. Um dia inteiro? — Por que um dia inteiro? — encaro a camisa preta de Dylan. Por que ele estava aqui? E me ajudando? Esperava Kirby, Lilian, e até o David, mas ele? Ele nem gosta de mim. Talvez ele só estevesse agradecido por eu ter ido buscá-lo. — Segundo a Carol, o “estresse” fez isso com você — o jovem Prier me relata, colocando-me apoiada na cama. Assim que consigo ficar sentada sozinha, ele se afasta, analisando-me com seus grandes olhos brilhantes e curiosos. Carol... Então, ela enfim apareceu para me ver. — O que já sabem sobre Mikhael? — pergunto de uma vez. O choro já apertando minha garganta. — Hum — ele faz, como se não estivesse de acordo em me responder. — Tenho o direito de saber! — forço minha voz, mas a mesma sai trêmula e chorosa. A porta da sala é aberta no mesmo segundo. Lilian e Kirby adentram nos olhando curiosas. A loira desfila com uma bandeja recheada, enquanto que a morena liga a luz da sala, me deixando parcialmente cega por alguns instantes, e por último fecha a cortina da janela. Agora percebo que estava na ala médica do prédio, e não no apartamento. — Primeiro você vai se alimentar — Kirby adverte. Dylan apenas me dá as costas e some pela porta. Maldito! — E então, como se sente, Kate? — Lilian senta-se ao meu lado, e eu apenas respiro fundo. Como elas acham que estou me sentindo? Eu estava me segurando para não ser grossa. Apenas obedeci as exigências cuidadosas das duas, e assim que me senti melhor eu segui sorrateiramente até a sala de comando. Iria descobrir o que está acontecendo imediatamente. — Todos já estão em posição, Steve lidera a equipe. — Ouço a voz de Bucky, meus passos cessam no mesmo instante diante da porta. — A extração precisa ser necessariamente limpa, só atirem com dardos, e se ficar feio apenas saiam! — vou abrindo a porta vagarosamente. — Kate! — ouço a voz alta de David. Olho o lado esquerdo da sala, e vejo que ele dividia uma mesa com Dylan. Nossos olhares se cruzam rapidamente, mas minha atenção é chamada pelo o grisalho à minha frente. — Kate... — ele amolece a feição. — Já estou bem para voltar a ativa, e quero ser atualizada, eu exijo. Tranco a porta e tento andar firme até o mais velho, sentindo-me com os sentidos lentos ainda. Ele olha ao nosso redor, mas minha atenção não é desviada nem por um segundo. Ele não aparenta ter argumentos para me retrucar. — Certo, se assim deseja... — ele me passa o tablet que descansavam em suas mãos. A tela estava acesa, e rapidamente reconheço a foto que estava no canto superior esquerdo. Seu nome embaixo da imagem gela as minhas mãos instantâneamente. Mikhael Barnes. — Essas são as informações que Victor conseguiu, até agora. — Estão em alguma missão? — limpo a garganta, e começo a ler rapidamente as informações na pequena tela. — Vamos invadir o prédio que mantinham Dylan, eles podem estarem planejando algo e aquele lugar pode ser uma peça importante para este enorme quebra-cabeças. Não sabemos como seu irmão se encaixa nisso tudo exatamente... — seu olhar de pena me irrita. — Steve estará liderando? — Pretendem trazer alguns sob custódia para interrogatório. O avô de Dylan deixou claro que não quer nossa ajuda, ele pediu nossa submissão, queria que o líder de sua facção rival cedesse às suas vontades, o que não é negociável para Victor. Olho rapidamente para a tela maior que Bucky trabalhava. As câmeras de vigilância que guardavam o prédio mostrava a falta de movimento. — Eles não vão estar sentados esperando por vocês — eu observo, e Tobias respira fundo. — Kate, está mesmo se sentindo bem para... — Já disse que estou bem. — O corto de uma vez. Dylan suspira sonoramente, e se ergue vindo até perto de mim. — Ele está na ativa já há alguns anos, as câmeras de vigilância o reconheceram no início do ano de dois mil e catorze. — Dylan aponta para a foto do meu irmão no iPad. Eu assenti, para que ele continuasse. — Pelo o que sabemos, ele negocia e faz a entrega de armas e munição, em nome da Yakuza. – Tobias continuou. — Achamos que o meu avô contratou seus serviços e por isso ele estava ali. Ele deve estar ciente de que você faz parte dessa firma. — Se ele não te procurou antes parar dar satisfação, significa que ele não está interessado. Ele não é mais seu irmão, katherina — respiro fundo, dramaticamente. Minha mente viaja entre todas essas probabilidades, e as que ainda podem existir. Eu não sei se quero estar cara a cara com ele algum dia, não sinto vontade, ou talvez tenha medo de ouvir alguma justificativa, se é que ele se justificaria para mim. Não imagino quais seriam seus motivos para fugir e forjar a própria morte, me deixar para trás... Eu entrei para essa vida por causa dele, todos os acontecimentos influenciaram minha decisão de lutar, de arriscar minha vida por esse esquadrão. Entrego o tablet para o moreno ao meu lado e sigo para o canto da sala, pretendendo tomar um copo d'água. — Tobias! — Bucky chama, com a voz alterada, roubando a atenção de todos. — Rápido! — O que foi? — David levanta, e então todos seguiram para mais próximo das telas. As gravações mostravam muita fumaça, não dava para identificar o que estava acontecendo. — Steve, responda! — Buck pede pelo o interfone. — Steve, Responda! — Diga logo o que está havendo! — Peço, aflita, sob o olhar aterrorizado de Tobias para as telas. A poeira se dissipava, e então podemos ver pouco sobre a imagem que se formava, de um prédio desmoronar sobre o outro. As paredes caíam e alguns homens fardados de preto podiam ser vistos correndo ou caindo vindo do saguão. — Nossa equipe já estava dentro...? — Aconteceu uma explosão a cerca de trinta segundos. Steve entrava com uma equipe pela ala norte do prédio, seguindo na liderança, enquanto outro grupo pela ala sul. Ainda não tenho notícias dele. Mais dá pra ver que muitos se feriram... — Bucky suava de nervoso, Tobias esmurra uma das mesas. Meu corpo todo tremia. — E se Mikhael estava lá por isso... — sussurro, sem coragem para dizer em voz alta a minha dedução. — Não vamos pensar nisso agora — Tobias retruca, impaciente. — Foi isso o que ele veio fazer, ele trouxe a mercadoria... — suspiro, me segurando em uma cadeira. — Pare com isso. — Escuto Dylan se pronunciar ao meu lado. — Não te faz bem pensar nessas coisas, e pode não ter sido ele, Kate... — reviro os olhos para David do outro lado da sala. Muitos podem terem perdido suas vidas nesse minuto, por culpa do meu irmão. Além de mafioso, meu irmão também era um terrorista. Eu não podia estar mais quebrada por dentro. — Vou procurar por Kirby, ela precisa saber sobre o irmão — comunico, antes de deixar a sala rapidamente, sem tempo para respostas, ou lágrimas.
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