Engatinhei por minutos, consigo subir os andares, difícil mesmo era não escorregar e não pegar o caminho errado. Mas assim que comecei a ouvir a voz dele, ameaçando de matar alguém, eu me vi contente e satisfeita comigo mesma por ter conseguido encontrá-lo. Tentei fazer menos barulho possível. Me aproximei da mais próxima saída de ar, cautelosa, consegui ver pelas brechas dois homens em pé e armados, enfrente a um outro que jazia numa cadeira no meio da sala. Era o meu moreno.
Saco a pistola abastecida de tranquilizantes.
— Me soltem! — ele grita, remexendo as correntes que o prendiam. Eu entendo. Odeio ser presa, será que isso tinha haver com claustrofobia?
— Tem sorte de não podermos enfiar uma bala na sua boca — um deles declara, e é o primeiro a receber um dos meus dardos tranquilizantes.
O outro saca a arma assim que o companheiro cai desfalecido no chão, mas não dá tempo, três segundos depois ele cai. E essa é a minha deixa. Com o canivete roubado do velho, retiro os parafusos que prendiam a tampa, e logo salto para fora do duto. Dou uma boa olhada na sala ao meu redor, havia uma única e pequena porta de ferro no fundo da sala. Precisávamos sermos rápidos, antes que acabássemos encurralados e mortos.
— A segurança desse lugar é uma piada — encaro as correntes, apenas um cadeado. Retiro minha máscara. —, e onde está a chave?
— Com o dá esquerda — ele informa. E pelo o tom de voz, estava m*l humorado. Me adianto indo até o homem desacordado. — Dardos tranquilizantes?
— Victor e Tobias pediram para que tentássemos não matar ninguém — e dentro de um dos bolsos do colete estava a bendita chave.
Me viro o encarando pela primeira vez. Ele estava como o deixamos, apenas com os cabelos bagunçados e suado.
— Você está bem? – perguntei.
— Sim. — Disse apenas.
Ando rapidamente para suas costas, encaixo a chave e giro, pronto, ele estava livre. O ajudo a se livrar das correntes, e lhe observo articular os músculos.
— Qual é o plano?
— Bom — respiro fundo, e volto para os homens caídos ao chão. —, você é grande e pesado demais para os dutos de ar. O jeito é abrir essa porta e encarar os seguranças que estão lá fora guardando você. E tentar não levar uma bala enquanto isso. — Arranco os coletes dos dois, entrego um para o moreno que logo agarra. — Tenho só mais uma granada de sonífero, sete dardos, e três Glocks por precaução.
— Entendi — ele se agacha e pega uma metralhadora. Ele realmente entendeu?
— Por favor, evite machucar alguém... — ele verifica a munição.
— É só por precaução, Kate — dirige um olhar e um sorriso para mim. Isso é novo. Mordo os lábios tentando desfazer o meu próprio riso, e me dirijo até a porta de ferro.
— Ela só abre por fora? — reforço meu r**o de cavalo.
— Não, dá para abrir por dentro também. Em qual andar estamos?
— Eu não sei, entrei pelo o sistema de esgoto, acabei na sala máquinas, poucos guardas. — Ele se aproxima, me encarando. — Subi três andares, podemos ainda estar no térreo ou no primeiro ou segundo andar do prédio, acredito que não mais que isso.
— Podemos achar uma janela e pular — encaro ele, que apenas dar de ombros.
— Se não tiver onde nos apoiarmos, estamos fritos! — ele assente, despreocupado. — O que aconteceu quando entrou?
— Me trouxeram pra cá, eu não vi Eduard, apenas o meu avô. — Começa a desabotoar a camisa, e descubro estar vestido com outra por baixo. — Eu me recusei a voltar para eles, e ele apenas disse para um dos capangas: “ele vai no helicóptero com o nosso visitante”, e com isso foi embora.
— Visitante... — repito a palavra em minha boca, encarando seus músculos expostos pela camisa de mangas curtas e tecido colado.
— Pode ser alguém fornecendo alguma informação, acredito que ele saiba de alguma coisa e tenha um plano.
— Se tiver mesmo algum helicóptero à sua espera no telhado, Bucky, Mathew e David já devem estar o vendo.
— Hum — ele faz.
Volto a encarar os meus pés. Desde quando ele me intimida dessa forma? Sinto ele pegar a última granada de sonífero na minha cintura.
— Vamos. – Ele diz.
Ele se põe à minha frente, destrava a porta, retira o pino e joga de uma vez a granada. Ouvimos ela explodir por detrás da porta, ele pega a camisa, amarra em volta da cabeça cobrindo o nariz e boca. Acenei positivo e avançamos. Alguns já tinham caído ao chão, andamos por entre os corpos desfalecidos, eu contei sete, porém mais a frente tinham outros, e Dylan liderava a caminhada. A fumaça branca se dissipava aos poucos.
— Está vendo algo? – pergunto.
— Uma escada.
— Não podemos descer — ele continua, subimos alguns lances e sinto ele me puxar para o lado. Ele abaixa sua camisa da boca.
— Daqui — avisto uma janela, e então ouvimos um barulho como de um alarme. Eles descobriram. O encaro preocupada, e ele apenas assente. — Podemos entrar no prédio do lado. — Observo por entre a janela, podíamos pular para a sacada. Aceno positivo quebrando o vidro da janela. Não era tão alto assim, caso o salto falhasse.
— Pronto, pode ir primeiro, eu dou cobertura — digo e tiro a metralhadora de suas mãos sem a sua permissão, e ele me olha estranho. — O que é?
— Sobe em mim — ele disse, simplesmente.
— Você vai primeiro, você é minha missão, sou eu quem tem que te proteger — me explico, e ele assume uma feição irritadiça.
Ouvimos um barulho de portas sendo abertas, me deixando em alerta. Podíamos levar tiros ali parados decidindo essa questão não tão importante.
— Tá, mas se você cair e nos derrubar eu mesma mato você. – Digo.
Não lhe dando tempo de responder, e nem de olhar em seus olhos, ponho um pé em sua coxa, escalando aquele corpo que sempre sonhei em agarrar. No próximo segundo, minhas pernas estavam trançadas em seus quadris, minha cabeça ao lado da sua, e a metralhadora apoiada em seu ombro. Uma corrente elétrica passa de forma gostosa pelo o meu corpo, atingindo em cheio o meu íntimo. Aquela situação era tão excitante.
— Vai. – Gritei, assim que me senti pronta.
Ele pega impulso facilmente, como se meu peso fosse insignificante, e então salta pela janela. Senti o frio na barriga e o dedo que segurava o gatilho tremer. O vento gélido da madrugada bate na nuca. Meus olhos capturaram os homens brotarem no corredor, eles demoraram um segundo para tomarem nota da movimentação da janela. Mas já era tarde demais. Senti o choque contra a parede no mesmo instante.
— Uhrr! — rugi.
Sua palma se estende pela minha coluna, massageando onde fui praticamente esmagada. Droga! Não foi tão excitante quanto pensei que seria.
— Não deu tempo de amortecer, foi m*l — foi m*l? Babaca! Sinto ele andar e parar atrás de uma parede amarela. Faço menção de descer do seu corpo e ele ao menos me ajuda com isso. — Está doendo? — Claro que está, p***a! Mas não queria nos atrasar.
— Estou bem — respondo seca, o empurro para longe de mim e lhe entrego a metralhadora sem olhá-lo nos olhos. Estava p**a com ele!
Olhando ao redor, estávamos em um quarto, estava vazio, devíamos aproveitar.
— Ainda não estamos seguros, vamos.
Tomo sua frente, pegando minha pistola de dardos tranquilizantes. Abro a primeira porta, e passo a correr pelo o corredor. Tínhamos que chegar ao saguão o mais rápido possível. Ainda sentia minhas costas latejarem de dor.
— Pelo os fundos é melhor — sinto sua mão em minha cintura, me puxando para a outra direção, uma saída de emergência.
A corrente elétrica me ataca novamente. Não consigo me acostumar com essa aproximação. Nós nunca fomos tão próximos como estamos sendo esta noite.
— Ali — ele mesmo toma a frente, abrindo uma porta apontando a arma para os lados, dando espaço para eu poder passar.
Eu que devia fazer isso. Levá-lo daqui sã e salvo era minha missão. Enfim, sem tempo para discussão, começo a correr novamente. Estamos agora em um bêco, com uma caçamba enorme de lixo, e um cheiro enjoativo de xixi nas paredes. Um carro preto para no fim, tampando a passagem. A porta é aberta, e era a Kirby! Corro mais rápido, sentindo Dylan ao meu lado.
— Andem! — a loira reforça.
Ouvimos tiros cobrirem atrás de nós, e Kirby saca uma arma para cima. Talvez estivessem atirando da janela. Emburacamos no banco do passageiro, Dylan empurra meu corpo para frente, ao mesmo tempo que me segurava pela cintura, o que foi bom, pois quase bati minha cabeça na outra porta quando o carro arranca dali. Mas ele estava mesmo preocupado comigo? Ele não é de se importar comigo.
— E aí, alguém levou um tiro? – Kirby questiona, olhando de relance para trás.
— Tá brincando? Essa foi moleza! — respondo sarcasticamente.
Me aconchego melhor no banco, olhando para trás, poderíamos estar nos seguindo. Dylan ao meu lado fazia o mesmo, eufórico.
— Pra onde estamos indo? — olho para o lado do motorista, e percebo ser Mathew no volante.
— Para o SUV, desçam — o carro freia violentamente, e pulamos.
Entramos em um carro que estava estacionado do outro lado da rua, um SUV cinza. Ao entrarmos, Kiba mais uma vez dirige, partindo por uma rua mais calma, indo para a avenida mais próxima. Olho de relance para Dylan, percebo que ele estava me olhando também, mas logo quebramos o contato, como se estivéssemos fazendo algo errado.
Uau, que noite estranha!