Capítulo 7 - Ciúmes?

1078 Words
O vento frio era capaz de chacoalhar meu coque. A neve embaçava nossas visões, mesmo que a grande muralha envolta de nós fosse tão alta e bloqueasse minimamente o temporal. Gostaria de ter uma agulha e costurar, violentamente, os lábios de Buck um no outro. Ele não parava de reclamar o quanto missões em campo não eram a sua “praia”. E também tinha Dylan, com seu mau humor, mais azedo que nunca. Eu não julgo sua raiva, ele já não gostava da própria família desde toda a merda que lhe aconteceu. Tobias, após aceitar a escolha amorosa de Helena acobertava o romance dela com o Eduard, desde antes recrutar Dylan, que estava perdido e confuso no meio do confronto, do ódio, do valor ao poder ao invés da família. Inclusive foi o que sucumbiu a cabeça de seu irmão mais velho, levando a assassinar os próprios pais e se suicidar em seguida, deixando seu irmão traumatizado e com ódio para trás. c***l. Desumano. — Tenho acesso às atividades dos Notebooks de todo o complexo, acha mesmo que eu não saberia quando sou hackeado pelo o meu próprio esquadrão? – ouvi ao meu lado, e eu não pude deixar de sorrir. — Então, fiz bem em cobrir a câmera do meu notebook com uma figurinha da Hello Kitty – pude escutar sua risada abafada. — Sinto muito, sei que ela é alguém especial pra você também. — Não há ninguém que não goste dela – ele respondeu e eu assenti, terminando de subir uma ladeira. — Logo estaremos com ela! – respondi. — Tem razão, aliás, é bem possível você rever sua professora também – se referiu à ela, a mulher que considerei minha segunda mãe, Carol. — Seria uma boa nostalgia – senti sua mão apertar meu ombro e antes de tomar a minha frente. Os guardas já estavam postos fechando a entrada do prédio. Olhei para atrás de relance, vendo a fila de uniformes negros se aproximar. — O que você acha? – buck me perguntou, através da ventania forte. — Sobre o quê? — David e a agente Lilian, estão cada vez mais próximos. — Na verdade, já estava demorando pra ele notar que ela gosta dele! – olhei de relance para o moreno, ainda com sua carranca impermeável, se aproximando de Tobias. — E vocês dois? – franzi o cenho, já sabendo à quem ele se referia. — Você podia estar tomando conta da própria vida amorosa, não acha? – e ele quase tropeça para trás. — Não tenho essa coisa de vida amorosa – eu poderia gargalhar se pudesse. — Hum, espera só a Kirby descobrir isso – tomei sua frente. — E o que ela tem a ver com isso? – percebi ele gaguejar um pouco, o que foi ainda mais engraçado. — Vou fingir que sou tão tapada quanto você, e ignorar essa pergunta! – me coloquei ao lado de Tobias, assentindo assim que ele me olha para se certificar se todos estavam juntos. Agora só faltava eles permitirem nosso acesso ao complexo da maior facção russa. — Ao mesmo tempo que gosto de revê-los, também receio o motivo do encontro! – ele parecia maior que da última vez que lutamos juntos. Steve, tão lindo e forte como sempre foi, se aproximou saindo do meio de sua equipe, que abrira caminho para o mesmo. Seus olhos correram por todos que estavam postos à sua frente, e assim que seus olhos pousaram em mim eu senti o meu coração palpitar um pouco mais forte, mas só um pouquinho. — Sim, precisamos discutir um assunto grave com você e seu irmão, seria possível? – Tobias deu um passo à frente. — Sim, claro, por favor, me acompanhem! – os soldados abriram espaço para nós, e então continuamos a caminhada. Tobias seguiu com Steve, liderando o pelotão, enquanto que eu, Buck e Dylan seguíamos atrás com os outros nos acompanhando. — Eu sempre senti uma tensão estranha entre vocês dois. – Novamente, Buck inicia uma conversa. — De quem você tá falando? — Steve. — Hum... deve ser porque perdi a minha virgindade com ele, antes de ir embora daqui – Buck erra alguns passos e eu me contive para não rir. — O quê? — Nada, só fiquei surpreso! – ele se ajeitou, e continuou. — É que, segundo a Kirby, ele tem uma fama de ser um galinha. — Eu não estava procurando namorado na época, então... – meu corpo é empurrado assim que sinto o corpo de alguém se chocar contra o meu por trás. Não me desequilibrei ao ponto de cair, mas não me estressar seria pedir de mais, assim que notei ser o Dylan. — Por acaso entrou neve nos seus olhos? — Talvez, ou talvez você devesse falar menos e andar mais, estamos no meio de uma missão e não passeando numa praça. – E toma a minha frente. Respiro fundo, escolhendo manter a calma e a disciplina, ao invés de arrancar os braços deste infeliz e enfiá-los no próprio rab0. Observo Buck de relance, que continha um sorriso debochado nos lábios. — Se não quer perder a vida é melhor não falar nada! – e volto a andar. Só esse i****a mesmo para me tirar do sério! Alguns minutos se passaram e nós já atravessávamos uma quadra que estava repleta de carros blindados, seguindo para o grande prédio no centro do quartel. Victor estava tendo uma reunião, e assim que finalizasse tudo, teria tempo para nós. Já estava para anoitecer, quando fomos direcionados para a sala de reuniões, onde o líder da facção, Victor, nos aguardava. A grande sala, que continha uma grande mesa redonda e cheia de cadeiras que daria para todos sentarem, estava quase vazia, se não fosse pelo o ruivo paciente sentado na outra ponta diante de pequenas janelas atrás do mesmo. — Espero que ninguém tenha morrido, só isso para acontecer para vocês me visitarem! – começou com humor, e isso me surpreendeu um pouco. Lembro de um ruivo fechado, reservado, que não dava um sorriso ou bom dia, muito parecido com Dylan nesse aspecto, mas parece ter mudado. — Você continua dramático como sempre! – David brincou. — David... – adverti o loiro em voz baixa. Não devíamos brincar com a cortesia de Victor. — Tudo bem, Katherine, e é bom ver você também, David. – Respondeu, e eu apenas assenti. — E então, Tobias, qual o motivo da visita?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD