Capítulo 53 COIOTE NARRANDO Eu ainda não tava acreditando que a Luna tava vestida desse jeito e chamando atenção de geral. O sangue fervia nas minhas veias como se fosse pólvora acesa. Cada passo que eu dava puxando a Luna pelo braço, eu sentia os olhos de cada vapor, de cada morador e de cada desgraçadö desse baile cravados nela. E isso me rasgava por dentro. Esse vestido prata não era uma roupa, era um crime. Ele brilhava sob os refletores da quadra, revelando as curvas dela, a pele clara das costas, o desenho dessa bundä que eu já conhecia centímetro por centímetro. Eu estava cego. Cego de ódio, cego de posse, cego de um desejo que tava me corroendo o juízo. — COIOTE, é sério que você vai fazer isso? Estragar tudo? — Melissa gritava atrás de mim, a voz aguda tentando cortar o som do

