Theodora acordou com o barulho da TV, Marcela estava sentada no chão perto de onde a latina estivera antes.
Em volta dela tinha um pacote de biscoito, um potinho com alguma coisa e até uma lata de refrigerante com dois copos ao lado.
Theodora se sentou meio sonolenta.
— Desculpa... Eu não queria te acordar.
— Não me acordou. — Theodora mentiu. — Para que isso? Vai fazer uma festa? — brincou, depois voltou a deitar.
Marcela aproximou um pouco o corpo para poder olhar Theodora, ficando com o rosto à 30 centímetros do dela.
"Ela é mais linda de perto, seus olhos verdes parecem ainda mais encantadores."
— São para nós. — Mostrou um biscoito com patê. O que Theodora não sabia o que era antes, e Marcela estava quase enfiando o biscoito dentro da sua boca. — Come. — Insistiu depois de Theodora negar com a cabeça. — Por favor. — Fez um bico, fofo.
— Não estou com fome. — Theodora respondeu, depois de insistir mais uma vez.
— Fui eu que fiz o patê... vai, come. — Marcela fez uma carinha fofa.
— Por isso você demorou tanto! — Theodora brincou.
"Marcela nem deve ter demorado tanto, eu que estava despencando de sono mesmo."
— Nem demorei tanto assim, é que voc... — Ela iria falar que era porque eu estava chorando, mas resolveu não falar sobre isso. — Está muito bom, já que fui eu quem fez.
Theodora sentiu vontade de beijar a boca de Marcela, falando com todo convencimento. Mesmo com a morte do meu avô, Marcela não saía dos seus pensamentos.
— Ah, sei. — A latina falou fazendo pouco caso de brincadeira.
Marcela fingiu estar furiosa depois levou o biscoito a boca de Theodora que rejeitou, mas uma vez.
Theodora não queria de jeito nenhum comer, até que a outra insistiu muito, teve que ceder e acabar comendo.
— Viu... É bom! — Marcela falou, encarando-a com ar de superioridade.
— Eu não vou falar que é bom... Você ficaria mais convencida ainda. — Theodora falou provocadora.
Marcela assentiu com um sorriso de lado. Theodora sentou—se ao seu lado e começou a comer, encarou depois de alguns segundos.
— O que foi? — perguntou sorrindo, com dúvidas.
— Está sujo. — Theodora falou mostrando no rosto da outra.
— Limpa para mim?!
Theodora se aproximou um pouco e levantou a mão em direção ao rosto de Marcela, porém seu rosto estava mais perto do que sua mão. Escutaram a porta sendo aberta, Theodora se afastou.
Segundos depois Demi apareceu.
— Theodora?! — Demi estava surpresa. — Oi, como está? — falou de um jeito carinhoso.
Theodora não conseguiu falar, Demi fez cara de quem não entendeu.
— Daqui a pouco eu conto. — Marcela falou tentando fazer a mulher sair dali. — Vai descansar um pouco primeiro. — Marcela forçou um sorriso.
Demetria demorou, mas entendeu.
— Sua boca está... — a mulher gesticulou, mostrando.
— Eu sei. — Marcela concordou. Demi assentiu e saiu da sala.
Theodora respirava pesadamente, mas não chorou. Marcela esperou alguns minutos ela falar algo, só que ela ficou ali quieta.
— Eu vou ao banheiro, Theodora... Tudo bem?
— Aham. — Theodora concordou. Marcela foi falar com Demi.
— O que aconteceu, Marcela?
— O avô dela faleceu. — Marcela praticamente sussurrou. — Tudo bem se ela dormir aqui?
— Claro. — Demi sussurrou acariciando o queixo de Marcela. — Mas agora pode falar no tom normal?
— Desculpa não notei que estava sussurrando.
Marcela voltou a falar normal e quase se assustou pela careta que Demi fez.
— Você disse que o avô da Theodora morreu?
— Disse, não me escutou?! — Marcela disse abusada.
— Escutei, mas... Isso quer dizer que Alyria deve estar m*l também.
— Ela é da família de Theodora?
— Elas são primas. — Demi respondeu, pensativa.
— Então ela deve ser bonita também.
— Esse não é o momento, Marcela. — Demi disse em um tom quase brincalhão, apesar da situação. — Vai lá ficar com sua namoradinha, caso eu não esteja em casa não se preocupe, tudo bem?
— Tudo.
Quando Marcela voltou para sala perguntou Theodora se queria um banho.
Enquanto ela tomava banho, Marcela preparou sua cama para ela, apesar de estar cedo. E um colchão de ar para si.
Emprestou um pijama para Theodora, assim que ela saiu do banheiro, Marcela entrou.
Depois do jantar onde Theodora só revirou um pouco a comida, Marcela a chamou para o quarto para que fizessem alguma coisa que ela não ficasse com lágrimas escorrendo pelo rosto, pois dava vontade de chorar junto.
Dormiu assistindo algum filme que Marcela tinha colocado no notebook dela.
Theodora acordou não sabendo onde estava, depois se lembrou. Chovia e trovejava também. Pegou seu celular que estava debaixo do travesseiro, olhou às horas, eram quase 2 da manhã.
A latina começou a pensar no avô, como sentiria falta das conversas, mesmo que a maioria fosse por telefone. Não sabia de onde vinha tantas lágrimas, mas eu estava chorando novamente.
O quarto se iluminou com um relâmpago, deu para ver que Marcela estava sentada com os braços em volta das pernas, com a cabeça abaixada.
Theodora não sabia se tinha acordado Marcela ou se ela acordou por conta própria, mas achava que tinha culpa.
Liguei a lanterna do celular e apontei para ela. A de olhos verdes olhou rapidamente e se levantou indo para cama.
— É... Desculpa se eu te acordei. — Theodora falou, desligando a lanterna do celular.
Um novo relâmpago e seguida veio o trovão, Marcela estremeceu quando isso aconteceu. Ela estava sentada na cama ao lado de Theodora.
— Não foi sua culpa... — falou, mesmo o quarto estando escuro Theodora sabia que a outra a encarava. — Eu não gosto de trovões... São muito altos.
— Deita aqui então. — Ofereceu. A cama era de casal, então não seria tão difícil dormir com ela ao lado.
— Obrigada. — falou e pulou ao lado de Theodora, ela não se deu ao trabalho de buscar o travesseiro e nem a coberta. Se enfiou debaixo da de Theodora, seus pés se encostando.
— Credo... — Theodora falou baixinho. — Onde seus pés estavam, na geladeira?
Theodora soltou uma risadinha.
— Me dê suas mãos. — Marcela falou, sua respiração quente estava bem perto de Theodora.
Marcela achou as mãos da outra e colocou as suas nas dela, que pareciam gelo. Mas deixou esse ato de lado para se abraçarem.
Por mais que não esperasse por esse ato, as duas continuaram assim, Theodora relaxando ali. Marcela nem percebeu um relâmpago, mas o trovão que veio em seguida, assustando-a.
— Ei, não precisa ficar com medo. — Theodora sussurrou perto do meu ouvido.
— Eu sei, mas...
— Tudo bem, eu estou aqui, vai ficar tudo bem. — Theodora falou, Marcela se apertou mais contra ela.
"Eu deveria falar coisas assim para ela já que o avô dela faleceu. E eu estava só com medo, que por sinal é um medo bobo."
— Obrigada. — Agradeceu dando um beijo no rosto de Theodora.
— Melhor nós dormimos.
— Sim. — Marcela concordou e encaixou seu rosto no pescoço de Theodora, que logo adormeceu.
Theodora acordou mais de 8 da manhã. Marcela ainda estava agarrada a si. Tirou os braços dela com cuidado e levantou.
Pegou sua mochila e foi para o banheiro, ainda bem que ela sempre carregava sua escova de dentes. Tomou banho e vestiu a roupa que estava no dia anterior.
Assim que abriu a porta do banheiro deu cara com Demi, que a levou para cozinha.
— A Marcela ainda está dormindo? — Demi perguntou com um sorriso, Theodora assentiu.
— Posso chamar ela, se quiser.
— Seria ótimo... Depois que você terminar. — Se levantou saindo da mesa em seguida.
— Farei isso. — Theodora concordou e Demi já tinha sumido de vista.
Marcela nem ao menos tinha se mexido, quando Theodora entrou em seu quarto. A latina deitou ao lado dela.
Passou a mão no cabelo de Marcela que estava no rosto, ela nem ao menos mexeu. Theodora cutucou, a outra só resmungou algo.
— Marcela. — Chamou baixinho. Nada. — Ma, acorda. — falou um pouco mais alto.
Marcela abriu um olho.
— Demi pediu para te acordar.
— Mas ainda está cedo. — Marcela falou com a voz rouca de sono, abriu o outro olho e se sentou bem devagar parecendo uma senhorinha.
— Já deve ser 9 horas. — falou num tom carinhoso.
— Está de madrugada ainda. — Marcela falou em brincadeira, mas em seguida se levantou relutante consigo mesma.
Theodora estava acabando de arrumar as camas, quando viu pelo canto dos olhos Marcela voltar, enrolada em uma toalha.
— Não precisava ter feito isso, minha preguiça sai depois de um banho. — Marcela falou e Theodora sabia que ela estava sorrindo apesar de não estar olhando-a.
Theodora só olhou para o lado de Marcela quando teve certeza que ela já estaria vestida.
A Hoff estava de calça jeans clara e uma camisa do Paramore. Ela pegou um par de vans e sentou na cama para calçá-lo. Theodora sentou ao seu lado com a mochila nas mãos.
— Eu queria agradecer, você foi muito gentil comigo. — falou colocando sua mochila nas costas. — Muito obrigada.
— Que isso, não foi nada. — Marcela falou com um pequeno sorriso. Ela se levantou e foi até o armário e pegou uma blusa preta de manga longa e a vestiu. — Vamos?!
— Vamos aonde? — Theodora perguntou olhando-a. — Eu tenho que ir embora.
— Eu sei, vou com você. — Marcela falou pegando na mão de Theodora. — Sua prima Alyria dormiu aqui e ligou para o seu pai ontem para dizer onde você estava.
— Alyria ainda está aqui?
— Ela está tomando café com a Demi. — Marcela foi para mais perto de Theodora.
— Eu estou aqui por você, ok?!
— Obrigada.